terça-feira, agosto 15, 2017

No YouTube

Para dizer que não precisamos de uma fé feita de retalhos do YouTube.

segunda-feira, agosto 14, 2017

Perdido no Olimpo - uma (semi) leitura crítica da tradução da Bíblia feita por Frederico Lourenço - Parte I

[Este texto será divido entre esta Segunda-Feira e as próximas duas. A primeira parte, de hoje, é meiguinha, e as outras duas que se seguirão nem tanto. Queriam o quê? Estamos em ano de comemoração luterana, meus caros.]

Na primeira parte deste texto algo longo sobre a tradução da Bíblia que o Frederico Lourenço está a fazer o mais importante é elogiar o seu trabalho. Traduzir a Bíblia é sempre uma tarefa interminável e por isso o valor de alguém que se mete numa empreitada dessas não é nada pequeno. Dos textos que li na imprensa sobre a vida recente do Frederico Lourenço, encontrei um impulso para se dedicar de alma e coração a verter as Escrituras para a nossa língua que me deixou impressionado. Que vida magnífica tem ele: ansioso para ler a Palavra e ampliar o número dos seus leitores.

Como sou um pastor evangélico, bate-me forte este empenho do Frederico Lourenço. Afinal, também eu vivo para ler a Palavra e ampliar o número dos seus leitores. E aparece até um pouco de inveja em mim, porque no seu impacto mediático, é provável que o Frederico Lourenço consiga cumprir a nossa tarefa partilhada de um modo muito superior ao meu. Espero que esta minha inveja possa ser santificada, até porque o importante não é saber quem promove mais a leitura da Bíblia mas que a Bíblia seja lida por muitos.

O Frederico Lourenço começou a tradução pelo Novo Testamento, até porque é um mestre em grego. A primeira colecção a ser publicada pela Quetzal foi o conjunto dos quatro evangelhos, que me foram generosamente oferecidos pelo Francisco José Viegas, o editor. Apesar de ainda não ter comprado o resto do Novo Testamento (que também já saiu), creio que todos os cristãos portugueses deviam adquirir todos os volumes desta tradução. Falando especificamente para a minha família religiosa: evangélicos, consumam esta obra (em progresso) do Frederico Lourenço!

Outra coisa excelente que acontece graças a esta tradução da Bíblia pelo Frederico Lourenço é que somos recordados que o grego é uma língua mais cristã do que o latim. Como assim? Pelo peso da tradição romana, o latim tornou-se provavelmente a língua mais associada ao cristianismo. Ora, não precisamos de rejeitar a importância histórica do latim para, ainda assim, entendermos que se há língua que precisa de ser reconhecida como a do cristianismo é o grego (e, antecedentemente, o hebraico). Ficar mais perto do grego é sempre uma boa notícia.

O facto de o Frederico Lourenço nos aproximar do grego não é coisa pouca. Entre outros aspectos, ajuda-nos a entender que a simplicidade do grego bíblico não deve ser tomada como esteticamente inferior em relação ao grego tido como mais erudito; ajuda-nos a entender que "ler era ler em voz alta" e que "o texto era escrito para ser ouvido"; e ajuda-nos a entender algumas opções de tradução importantes tidas geralmente como território exclusivo dos linguistas (como a dinâmica diferente dos tempos verbais gregos ou a tradução de termos como "amém", "pecado" ou "escândalo"). Frederico Lourenço permite que não-conhecedores conheçam mais e isso é óptimo para uma cultura média nacional onde o domínio da língua continua uma espécie de território inacessível.

Vamos agora à parte além dos elogios? Próxima Segunda-Feira, sintonizem.



quinta-feira, agosto 10, 2017

Este é um vídeo especial

Porque tenho ao meu lado o meu cunhado Nuno falando sobre o seu amor por Jan Huss, enquanto passeamos por Praga.

quarta-feira, agosto 09, 2017

O primeiro disco brasileiro da FlorCaveira

Há uns anos li um texto da revista Época que falava nos novos músicos evangélicos. A verdade é que, do pouco que conheço, nunca gostei muito da música feita por músicos evangélicos brasileiros (e ainda gosto menos da música actualmente feita por músicos evangélicos brasileiros fingindo que não são músicos evangélicos brasileiros). Apesar de eu próprio ser um músico que também é evangélico (ainda que português), a música que geralmente leva o rótulo de "evangélica" destaca-se por um atraso estilístico de vinte anos e más letras. Como os ingleses dizem, não é a minha colher de chá.

Mas esse texto da revista Época falava de um rapaz que tinha conhecido há pouco tempo através da internet. Esse rapaz chamava-se Eduardo Mano e era uma voz agradável que, movida por curiosidade pela editora que criei em 1999 com amigos - a FlorCaveira, tinha passado a ouvir. O interesse do Eduardo por nós, aqui na insignificante Lusitânia, tinha-me feito agora a mim curioso pela música que ele próprio fazia. Foi ocasião de eu voltar a dar uma chance à música evangélica brasileira.

Quando comecei a ouvir o Eduardo Mano cheguei à mesma conclusão que a revista Época estava a chegar: havia alguma coisa diferente nestas canções crentes. Já não lhes conseguia detectar aquele artificialismo demodé típico dos músicos evangélicos que, porque vivem em complexos de inferioridade, estão obcecados por mostrar ao mundo que tocam muito. Não. No caso do Eduardo tudo o que era tocado não servia outra coisa que não aquilo que ele estava a cantar. As canções do Eduardo não eram feitas para impressionar mas para dizer alguma coisa. E começaram a dizer-me muito a mim.

Por outro lado, as canções do Eduardo transpiravam Keith Green, um dos cantores evangélicos da vaga inicial norte-americana que era realmente inspirador. As letras não tinham medo de ser simples, ao mesmo tempo que eram desavergonhadamente cheias de Bíblia. O Eduardo, ao contrário de muitos da sua geração, não se importava de musicar as Escrituras de um modo que facilmente poderia ser acompanhado pelos ouvintes.

Esta simplicidade do Eduardo criou-lhe um problema. O Eduardo era um músico evangélico que não se sentia mal por fazer música cujo objectivo principal era servir o evangelho. Ora, no Brasil a música evangélica pode servir para muitas coisas mas nem sempre serve o evangelho. Por causa disso, o Eduardo era demasiado punk para quem queria ser sofisticado, e demasiado simples para quem queria ser litúrgico. Apesar de o Eduardo chamar a atenção suficiente para chegar à referência duma revista popular do Brasil, o seu caminho musical ficou num lugar só seu.

Uns anos depois, o lugar que durante seis meses se torna do Eduardo e da sua mulher Eline é Portugal. E aqui entro eu. No aeroporto à espera deles (com o Suva). Como a maior parte do tempo dessa estadia foi passada no Porto, só no último mês pudemos passar mais tempo juntos. Deu para o Eduardo tocar na Igreja da Lapa, onde sou pastor (e onde costumamos cantar algumas das suas canções nos serviços de culto) e deu para sonhar gravar alguma coisa. Apesar de ser início de 2016, continuo a ser um produtor musical bem arcaico. O que tinha para prometer ao Eduardo era um minidisc com um microfone estéreo. No fundo, continuava na boa tradição que levou o Rick Rubin a gravar o Johnny Cash em takes directos sem maquilhagem. Combinámos o dia para assim acontecer.

Havia sete canções para gravar, uma delas com a Eline (a minha canção preferida do Eduardo também é com a Eline, a perfeita "Mais Chegado Que Um Irmão"). Começamos a gravar mas a Eline não se sente bem. Temos de interromper. Recompõe-se e lá conseguimos acertar o take certo. Mais tarde saberia que a razão da má-disposição da Eline era a melhor possível: havia uma Sarah dentro dela a oferecer um ritmo novo ao seu ventre. Certamente que esta gravidez  contribuiu para que as canções seguissem com uma urgência parecida com um trabalho de parto.

O certo é que não foram nove meses que tivemos de esperar para ter este disco cá fora. A gestação foi bem maior, estupidamente dependente de um pequeno problema técnico que me impedia de converter as canções da sua forma interna do minidisc para o digital dos computadores. Mas a hora chegou. E, como em qualquer nascimento, a alegria foi grande. Em toda a sua nudez (uma voz e um violão, como dizem os brasileiros) a criança esperneia (como dizem os portugueses). Não nego que o Eduardo, sendo um pouco menos punk do que eu, não resistiu a um filtros sonoros que arredondam o resultado final. Talvez um dia mais tarde este disco possa ser re-editado com o director's cut do produtor, esplendoroso em toda a sua crueza.

Ainda assim, é com muito sentido de privilégio que a FlorCaveira apresenta a sua primeira edição de um artista brasileiro: mencionado pela Época, demasiado barbudo para o infernal estrelato gospel, encharcado na Bíblia - eis Eduardo Mano!


Na tela

Para dizer sai da tela.

quinta-feira, agosto 03, 2017

Num acto de inesperada graça

... levaram-me à casa de Lutero, que prontamente invadi com os meus comentários sempre (demasiado) prontos.

quarta-feira, agosto 02, 2017

O primeiro vídeo do meu canal do YouTube (quem diria que teria o meu próprio canal...)

Como criaturas da palavra, os cristãos não são só chamados a falar mas também a ouvir. Todos. Até os que não crêem.