terça-feira, maio 04, 2021

Ouvir


O sermão de Domingo passado, chamado "Se Jesus te consola, também te confronta", pode ser ouvido aqui (e no Spotify).

segunda-feira, maio 03, 2021

A tendência tosca de querer uma igreja amorosa

sexta-feira, abril 30, 2021

"Colégio Inferno" dos Punhais


“Colégio Inferno” é a nova canção dos Punhais. O Fernando Pessoa dizia: “Ai que prazer não cumprir um dever, ter um livro para ler e não o fazer”. Concordamos ao mesmo tempo que reconhecemos que também pode dar-se hoje o contrário: ter um livro para ler e não o poder fazer. Este é um minuto e meio de punk rock que, ao mesmo tempo que se balda às aulas, salva livros da fogueira. E com a vantagem de, pela primeira vez, contar com o Lipe dos Pontos Negros nos coros!

quinta-feira, abril 29, 2021

O melhor é a memória

Ainda nesta manhã, a caminho da Igreja, pensava em como todas as questões importantes estão relacionadas com a memória. Os antigos sabiam disso melhor do que nós, parece-me. Também por isso, Agostinho tinha presente que a memória é um órgão espiritual. Tudo na vida é acerca de como somos lembrados ou não.

Os judeus criam que era imperativo dizer de peito cheio: “Lembra-te, Israel”. Lembrar era voltar a ouvir. Somos mais fracos sempre que vivemos de novidade em novidade, esquecendo-nos de nos lembrar. Não é, por isso, por acaso, que as doenças que tendem a assustar-nos mais são aquelas em que a pessoa se esquece porque o esquecimento é garantia mais implacável da despersonalização. Quem somos se esquecermos tudo o que fomos?

Sou cristão também porque Jesus foi a memória feita pessoa. Jesus foi o verbo inicial a voltar ao que fez. Jesus foi acolhido por aqueles a quem é dado o dom de lembrarem que é a ele que devem a existência. E Jesus é rejeitado por todos os que, com mais intenção do que querem assumir, esquecem que sem a voz criadora de Deus não existiriam. A salvação de uma alma é sempre um exercício de memória.

Os piores momentos que vivemos são momentos em que nos achamos esquecidos. Desaparecemos porque sentimos que ninguém se lembra de nós. Se deixarmos de existir nos outros é pouca a vida que nos interessa. Jesus soube o que era sentir-se esquecido quando clamou na cruz que tinha sido desamparado por Deus. O nosso Deus sabe o pior que podemos viver porque Cristo foi o homem mais escandalosamente esquecido da história.

Ao mesmo tempo, quando acontece, no maior esquecimento global que podemos atravessar, sermos lembrados por Deus, uma vida nova pode começar. Ressuscitar é também isso mesmo, isso de sermos erguidos do esquecimento mais ancestral. Já pensámos no facto de a esmagadoríssima maioria das pessoas que já existiu já ter sido completamente esquecida? Se houver algo de bom que lhes pode acontecer, é a ressurreição, que é uma vida nova após a pior morte de todas que é o esquecimento.

As canções e as poesias que exprimem que fomos lembrados ou que lembrámos alguém são as mais bonitas. As melhores coisas que já fiz são sempre acerca de alguém que recordei ou quando fui recordado por alguém. O melhor é sempre a memória. Não porque ficou lá atrás mas porque nada de consistente lá à frente pode existir sem ela. Todos nós somos resultado de um gesto criador divino no pretérito.

Eu já trazia estas ideias na cabeça, nesta manhã, mas elas saíram-me disparadas agora porque ouvi a canção nova dos HMB com o Rui Veloso. You know what I mean, sendo eu bera como sou, não estou interessado em gostar de duetos com o Rui Veloso (nada contra ele, o cliché de um dueto com ele é que é um pouco insuportável, right?). A cena é que a canção é de uma simplicidade e verdade que me desarmaram a má vontade. Além da harmónica inicial à Stevie Wonder, da melodia directa, de os sacanas dos HMB terem posto o Rui Veloso a cantar “Deus”, além de tudo isto, a canção faz o mais evangélico de todos os apelos: lembra-te de mim. Man! Deus nunca se esquece de nós. É isto.

quarta-feira, abril 28, 2021

Ouvir


O sermão de Domingo passado, chamado "Só me conheço quando sou conhecido", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

segunda-feira, abril 26, 2021

Até que partilhes as tuas fraquezas ficas perdido

Porque ontem foi 25 de Abril

sábado, abril 24, 2021

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O sermão de Domingo passado, chamado "A porcaria de ser o primeiro", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

quinta-feira, abril 22, 2021

Em voz alta

Cresci a ouvir textos serem lidos em voz alta; primeiro na Igreja, depois na escola. E depois, noutro lugar qualquer, fosse num programa de televisão ou num espectáculo ao vivo. Mas reconheço que só agora começo a entender melhor o poder da leitura oral. O prazer que agora tenho em ler as coisas em voz alta surpreende-me. Já não devia ter chegado cá antes?

Há uns anos o meu Filipe Costa Almeida lia-me um poema no meio da Fnac quando, por alguma razão, passámos por uma e estávamos a dar uma vista de olhos aos livros. Lembro-me que me senti embaraçado porque uma leitura pessoal que se tornasse pública, sem uma justificação maior, parecia-me falta de vergonha. Agora, lembro-me muitas vezes do Filipe a ler-me em voz alta mesmo que me tenha esquecido do poema que era. E, como me meto volta e meia a ler alto na nossa varanda, penso que posso ser o Filipe dos meus vizinhos.

Tenho lido assim o Jorge Luís Borges, o Alexandre O’Neill, a Adília Lopes. A poesia atrai-me mais agora. Tento evitar aquele excesso de solenidade à portuguesa, que me irrita porque me transmite mais trejeito do que texto. Todavia devo assumir que português dado à poesia estou, lendo palavras em voz alta, convicto que isso torna mesmo a nossa vida melhor.

Há, claro!, o outro aspecto, maior ainda!, de ser um cristão, um pregador, alguém crentíssimo no poder da palavra. Leio agora os textos bíblicos com outra entrega, certo que enquanto não ler um em voz alta, ficarei por realmente compreendê-lo e interiorizá-lo. Era assim que os cristãos faziam há dois mil anos quando não havia o luxo das bibliotecas pessoais. Leio as palavras e ouço as palavras ao mesmo tempo. Não é incrível o poder da leitura em voz alta? Tão simples, tão óbvia, tão mais eficaz e, estupidamente, tão esquecida.

Preparo-me para ir à Sociedade Bíblica gravar o livro de Sofonias. Acabei de o ler em voz alta aqui na Igreja duas vezes seguidas. Que texto! Cidades na vertigem de serem arrasadas, povos inteiros avisados que vão pagar forte e feito e eu que me preparo para atravessar Lisboa embalado por estas palavras… Mas, lá está!, há um uma parte final importantíssima. A destruição vem e será implacável. Mas virá também uma paz futura, uma segurança garantida pelo próprio Deus, uma alegria duradoura. Senti-me bastante impressionado pelas descrições cataclísmicas de Sofonias. Mas, no fim delas, muito mais confiante na esperança. A esperança não é a imunidade ao pior; é o pior a vir, todo inteirinho, e Deus a assegurar que continuará com os seus. Tudo isto merece existir em voz alta.

quarta-feira, abril 21, 2021

Assobios

A. W. Tozer escreveu: “In our day, we have cheapened religion, salvation and our concept of God to such a place where we expect to stumble into heaven whistling and God will take us in.” Depois, mencionava Anselmo de Cantuária, que via as coisas de uma perspectiva bem diferente da nossa. Para Anselmo, a questão era: como é que Deus é capaz de olhar para nós, sendo ele perfeito e completamente justo e nós, a triste figura que somos?

O típico é nós nos angustiarmos perguntando: como é que posso olhar para Deus, concebendo que ele exista, com tanto mal à minha volta? Mas Tozer ajuda-me a ver, lembrando Anselmo, que mais realista seria eu perguntar-me: como é que Deus pode olhar para mim, com tanto mal cá dentro? Certamente que, ao lidarmos com estas duas abordagens diferentes ao assunto, não excluímos todas as outras. Mas que esta dicotomia me ajuda a questionar a minha pressa em fazer-me árbitro universal ao arrepio de um exame de consciência básico, ajuda.

O problema tende a ser a impressão que nos causa os problemas menos sérios. Se formos sérios com o problema maior que conhecemos, que sou invariavelmente eu mesmo, seremos mais sérios com Deus também. Dificilmente entraremos no Céu tropeçando nas melodias dos nossos assobios.

Diante de Jesus as tuas qualidade são uma porcaria

sexta-feira, abril 16, 2021

Aquela preparação para o sermão...

Tendo em conta que em Filipos muita gente tinha dedicado a vida ao poder do Imperador Romano, cabia aos cristãos denunciar que as grandes conquistas que dividem as pessoas entre vencedores e vencidos não valem nada diante da cruz de Cristo.

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O sermão de Domingo passado, chamado "Se não morres pelo mal dos outros, não os amas", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

quinta-feira, abril 15, 2021

Aquecendo para Domingo

"A ordem de os outros virem antes de nós só faz sentido para quem naturalmente não age assim, e a Bíblia, usando o exemplo do próprio Paulo, não acredita em pessoas que naturalmente colocam os interesses dos outros primeiro." Aquela preparação para o sermão em Filipenses 2:3-4...

"Odeio Artistas" com Ana Rute Cavaco


Já é de esperar que no final de uma temporada de uma série se tente que o último episódio tenha uma emoção especial. O “Odeio Artistas” não é televisão mas, neste caso, também procurou um auge ao terminar esta primeira estação. É com a Ana Rute, a minha mulher, como convidada, que o faço.

Não tenho muita muita experiência com podcasts mas, de facto, nunca ouvi num uma conversa de um marido com a sua esposa. Ei-la aqui. Espero que gostem. Conversámos sobre casar virgens (como evitaríamos o assunto?), sobre crises no casamento,  sobre o dilema de mostrar na internet muito ou nada da nossa vida, entre outras coisas.

Por ser a minha mulher, compreenderão que não me estique muito em elogios. Ouçam-lhe a voz porque, no meu caso, deixei de saber existir sem ela.

quarta-feira, abril 14, 2021

Um cântico

Que fiz em 2011 para uma mixtape da Igreja Baptista de São Domingos de Benfica.

terça-feira, abril 13, 2021

O programa da TV

Já podem ver aqui a conversa que tive com a Anabela Mota Ribeiro para o programa "Filhos da Madrugada" da RTP3. Este é o link: https://www.rtp.pt/play/p8721/e536603/os-filhos-da-madrugada

segunda-feira, abril 12, 2021

És amado quando o teu mal é um facto

sexta-feira, abril 09, 2021

MICHAEL SCOTT E DWIGHT SCHRUTE

“Michael Scott e Dwight Schrute” não chega a ser a minha canção nova. Não sou eu a fazer uma canção; é mais eu a fazer questão. A fazer questão de mostrar que, tendo toda a Família Cavaco visto o “The Office” com muitos anos de atraso, o coração de todos atempadamente ficou arrasado. Quase-canção, quase-paráfrase, quase-poema e devoção completa. 

quinta-feira, abril 08, 2021

Prateleira

Quando arrumas uma biblioteca protestante há sempre mais um comentário a Romanos que te escapou de ser arrumado. Pena que os países culturalmente romanos nem sequer percebam a piada...

quarta-feira, abril 07, 2021

Ninguém nasce pronto para aceitar a ressurreição

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O sermão de Domingo passado, chamado "Reagir à Ressurreição não é estar pronto para ela", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

sexta-feira, abril 02, 2021

Uau

quinta-feira, abril 01, 2021

"Odeio Artistas" com Joana Amaral Dias


Um pastor e uma psicóloga entram num bar. Neste caso não é num bar mas é numa conversa online. Falam acerca daquele que é provavelmente o maior problema de sempre: o mal. Há mal ou não há? É apenas uma ideia da nossa cabeça ou vai mesmo além dela? O pretexto para a conversa do pastor e da psicóloga é um conjuntos de contos hediondos, verdadeiros, de assassínios quase indescritíveis. Todos eles acontecidos em Portugal.

A Joana Amaral Dias é um rosto cada vez menos desconhecido. O que talvez não fosse previsível é que o emprestasse a “Psicopatas Portugueses”, um livro de sucesso tornado podcast de sucesso também. Amantes do horror, confessem-se: quem consegue parar a audição destas histórias uma vez carregado o play? Não só não consegui como procurei a oportunidade de falar com a Joana sobre todo este tenebroso desfile.

Em comum com muitos dos assassinos em causa, partilho um mundo que crê em trevas, anjos, demónios, e outros apocalipses. Por isso, a dada altura, senti a necessidade de perguntar à Joana se poderia ainda dar em psicopata. Por muito científica que queira ser a psicologia, parece-me  que a certeza dessa resposta fica sempre além de nós.

A Joana Amaral Dias mistura psicologia médica, activismo político e, sobretudo nos últimos tempos, até algum cultivo pelo furo do consenso, numa época naturalmente ansiosa em encontrar na ciência a cura imediata para a pandemia global que vivemos. Por causa disso, a Joana é uma voz que se sente livre numa época de gente presa às unanimidades mais temerosas. Ganho em ouvi-la e, diria, que vocês também (vejam aqui no YouTube ou no Spotify).

quarta-feira, março 31, 2021

Ouvir


O sermão de Domingo passado, que pergunta "Onde está a Lapa no mapa?", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

segunda-feira, março 29, 2021

Porque Jesus não fugiu do pior cansaço


Podemos sempre trabalhar melhor.

quinta-feira, março 18, 2021

A live louca

A live louca de ontem com Yago pode ser vista aqui, meu povo! (Sim, reconheço que em vários momentos a acção na caixa de comentários tem ainda mais graça do que a conversa...)

"Odeio Artistas" com Bruno Vieira Amaral

 Eu não sou da família do Bruno Vieira Amaral. Mas sempre que ouço ou leio alguma coisa dele, sinto que sou quase. Não há muitos Baptistas em Portugal e quando és um deles é provável que tenhas amigos no Vale da Amoreira. E o Vale da Amoreira é único no país e tornou-se através da escrita do Bruno um dos nossos lugares literários mais inesquecíveis no primeiro romance que escreveu, “As Primeiras Coisas” (transformado por ele em “Bairro Amélia”).

Temos mais geografia em comum: o Porto e a Igreja da Esperança (actualmente Ministério Cristão Internacional) do final dos anos 90, onde o Bruno tinha tios e eu tinha a minha irmã mais velha. Apesar de agnóstico, ele, que cresceu nas Testemunhas de Jeová, passou bons tempos naquele ambiente evangélico aceso e acolhedor. Gerou-se um consenso pouco inteligente em esperar que não-crentes que tenham sido educados por crentes vivam ressentidos—o Bruno tem outra atitude sobre o assunto.

E depois há o modo sincero e sem sentimentalismos como o Bruno encara o seu papel como pai e como filho. Neste programa, passámos a primeira meia-hora a falar acerca das culpas que arrastamos e inadvertidamente lançamos aos nossos miúdos quando lidamos com eles. A determinada altura, o Bruno aponta a carga irónica e insuportável das expectativas desmesuradas de uma “parentalidade” consciente e obrigatória: “se tiras Deus da equação, tens de controlar tudo: a tua saúde, a tua família. Se estudares a fundo o mecanismo das coisas, [procurando] uma profissionalização de todas as esferas da vida, tu vais conseguir dominar todos os aspectos da vida”. Funciona como uma maldição, de facto.

São quase duas horas de conversa com um dos nossos melhores escritores, crescido às voltas com a religião e os subúrbios, com estar dentro e estar fora. Ouçam-na em qualquer plataforma digital!

terça-feira, março 16, 2021

Home Beyond Europe (the original and raw version)

I would frame the issue of “Why is sharing the gospel so hard in Europe today?” largely in terms of two categories: time and space. But even before that, let us go to the subject facing it like the word-obsessed Christians we are (or, at least, we should be). Reality can become real for us not because we have our eyes open but because we have our Bibles open: we need revelation to get real. As it is revealed to us in Scripture, sharing the gospel is always hard, independent of the century or the country we live in, because we love darkness (John 3:19)—we resist Jesus not so much because crucial information is lacking (and that can be the case) but because love for him is. Being lost or found is always connected with love: in the first case we chose to love other things in the place of Jesus; in the latter we are given to love him above everything else. Why is sharing the gospel so hard in Europe today? Because the Bible tells me so. But “Jesus loves me, this I know, for the Bible tells me so”—so we have work to do in order to get other people to sing this song as well

If we take stock of who we are outside the gospel, we won’t be needing it for anything else. Without trusting the Bible’s message, our need for God becomes completely subjective—if God existing/not existing works for you, go for it! I suspect that it would be helpful to understand what it means for so many people to not need God. We have to grasp the necessity of addressing something that people no longer see as necessary. How do we preach a message of salvation if we have lost the ability of feeling lost? We have been saving ourselves from the need of salvation, wrote Tim Keller in “How To Reach The West Again”, and he is right.

Let’s try to go deeper using the two categories of time and space. Being in time and space is simply about being human. God became man in Jesus, coming to a specific time and a specific space. Appreciating incarnation should always make us sensible to time and space. When Christians fall into the temptation of not caring enough about the season we live in and the room we take while doing that, we make Jesus’ coming in flesh and bone just a detail. And Jesus coming in flesh and bone was not just a detail but what made him able to do what no one before or after him could do. God in time and space should promote not only God’s importance but time and space’s as well.

Well, it is hard sharing the gospel in Europe because the gospel sounds simultaneously too old and too new. Let me try to explain.

For many in Europe, the good news of the gospel is seen as an old and oppressive structure of an ancient time. People feel lucky because they are no longer in a world where religion claims so much about their identity. So, a sort of cognitive dissonance happens: the good news some Christians think they are sharing is the old one that other people congratulate themselves that they got rid of. Europe may have been Christian, alright, but it is the fact that it is no longer Christian that tends to be celebrated most here. Christians strive to present Christianity as a present festivity to a bunch of people who are confident that a past funeral has already taken place.

At the same time, the good news of the gospel is seen as too new as well. In countries like Portugal, Christianity is being noticed as something brought by immigrants coming from the Global South (generally Latin America and Brazil in particular). In that sense, this fresh expression of faith looks recent, foreign and even exotic—people coming from the Global South can still feel excited about Christianity because they are inexperienced in it, we think, although we may not admit it. They are still to find out its worst outcomes and that only reinforces our cynicism, the unofficial companion we rely on. Europe knows all too well that Christianity is not trustworthy in the long haul. We have been playing that game for two millennia.

So, it looks like Christianity can be rejected because it fits too well with what was wrong about Europe’s past, and because Europeans do not fit within with this new future coming from outside our Continent. Sometimes, in Europe time and history is all we have.

Then, there is the specific aspect of space in Europe. To make it more tangible, I will compare Europe with the United States of America, as our biggest counterpart in Western Culture (this means I will be drawing broad simplifications). In terms of time, European Western Culture tends to feel old and haunted by the past and American Western Culture tends to feel young and idealistic about the future—the first believe too less and the latter believes too much. Thinking now spatially, I would suggest that for Americans to comprehend some of the complexities of space in Europe, they would need to spend a couple of centuries more having a hard time with Russia to become more aware of layers of old animosities (but even that would not be persuasive due to the geographical distance). In European History, the Portuguese would hate the Spanish, the French would hate the British and everyone would hate the Germans. Old animosities make our territories complex cradles of resentment where no one is just the content they are preaching. In Europe I would say we have a harder time listening to someone without chaining the speaker to the place from which he comes from. In America the place that claims your identity is less where you were born, but more where you want to get—it is a culture still on the move.

Our difficulties with Americans are especially deep because, in a way, the United States of America is a kind a European reboot experience that surprisingly has succeeded for several centuries already (at least, let’s hope). To make things more complicated to us here in Europe, Western Evangelical Christianity is, at least in people’s minds, mostly tied with the USA—Americans afford the luxury of facing religion without the skeletons that fill our closets. So, no American is given a neutral hearing when sharing the gospel in Europe. And no European is given a neutral hearing when sharing the gospel if he is going to sound American. Places matter a lot in Europe in different ways that they would matter outside.

And then, we have different Europes coming from the fact that we are facing all these subjects as Protestant Christians. If you come from the Northern European countries that to a large extent were built by the Reformation, you may feel weak going up against the grain of that society which is now more secularized. If you come from the Southern European countries, which were never influenced by the Reformation, you tend to constantly go against the grain, not caring that much about your surrounding culture. Some will feel tempted to only conform while others only want to confront.

What is the masterplan then to share the gospel in Europe? To have it would probably make me rich in America and simplistic in my own country, Portugal. Believing that things will work out fine sounds like a foreign language that Portuguese people cannot understand. I get some consolation from the fact that Jesus came in time and space, which makes me value my own culture, I guess. But I get even bigger consolation from the fact that he called me to be someone when this time and this space are no longer. The gospel is also about how Europeans will get to be for real when reality dispenses with Europe—receiving Christ will be the best way of finding the home we have beyond Europe.



Um cristão que não se confunde também não convence

quinta-feira, março 04, 2021

"Odeio Artistas" com Adelaide Sousa Richardson


A convidada deste episódio do “Odeio Artistas” é a Adelaide de Sousa Richardson. Quem passou a juventude nos anos 90 em Portugal lembra-se de um rosto ruivo da SIC que em pouco tempo passou de assistente em programas dedicados ao jetset a actriz de cinema. Carreira fulgurante, como se costuma dizer.

Na dobragem do milénio, a Adelaide, que gosta de se dedicar seriamente a tudo, vai tirar um curso de representação a Nova Iorque (que outra cidade ensina tão eficazmente a podermos ser quem queremos?). Enquanto trabalha num restaurante para pocket money e people watching (ignorava esta designação mas já a pratico há décadas), conhece um galã americano que lhe descompõe a rotina em dois passos: nos bolsos traz cartões de multibanco que não funcionam na hora de pagar a conta, e nos lábios traz Jesus Cristo para a conversa nos piores momentos. Meet Tracy Richardson.

A Adelaide que regressa a Portugal vem estranha e, aparentemente, aderida aos “evangélicos”, cujo testemunho recente na comunicação social se limitava aos ímpetos purificadores da cantora Nucha (não acabaram bem… Pray For Nucha!). Toda esta história não é comum e, definitivamente, dificulta a nossa tendência de esperar pouco das palavras de estrelas de TV e de esperar muito de triunfos públicos. Nesta conversa, que é sobretudo uma história de vida, a arte é a da sinceridade—que não nos suscita ódio algum. Ouçam! E com a vantagem de, no Youtube, o poderem fazer com imagem.

terça-feira, março 02, 2021

Acho sempre estranho quando elogiam a sabedoria de Jesus

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O sermão de Domingo passado, chamado "O amor é esperar por Jesus e dar no duro", pode ser ouvido aqui e no Spotify.

sexta-feira, fevereiro 26, 2021

Faço das Ruínas Recreios—Os Lacraus

quinta-feira, fevereiro 25, 2021

A live com o Bibo e com a Carol Bazzo

 Pode ser vista aqui!

sexta-feira, fevereiro 19, 2021

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O sermão de Domingo passado, chamado "O Apocalipse não quer dar-te pancada mas paz", pode ser ouvido aqui.

quinta-feira, fevereiro 18, 2021

"Odeio Artistas" com João Miguel Tavares

Há uns anos estive com o João Miguel Tavares no programa do Goucha a falar sobre ser pai de quatro filhos. Depois dessa entrevista divertida, feita pela Cristina Ferreira (podem encontrá-la no YouTube), eu e o João acabámos a discutir religião no parque de estacionamento. Já nos conhecemos há umas décadas porque fizemos o mesmo curso de Ciências da Comunicação na Nova, onde o João tinha uma certa aura de menino prodígio. Não foi, por isso, de estranhar, quando ganhou notoriedade na imprensa nos últimos vinte anos.

Eu e o João é também a amizade da Família Cavaco com a Família Tavares. É uma história que tem crescido e que justifica que, ao pensar em fazer um podcast, pensasse necessariamente no João. As nossas conversas privadas tornaram-se combustível para esta conversa mais pública, mas diria que vai além disso. Há muita coisa que ando a conversar em 2021, a pensar em 2021, a escrever em 2021 que é também a continuação daquela conversa com o João no parque de estacionamento da TVI.

O episódio do “Odeio Artistas” de hoje, com o João Miguel Tavares, tem essa intensidade de quem é apanhado a discutir coisas que sente como as mais importantes, aquelas que servem de princípios sobre os quais apostamos a nossa vida toda. São duas horas de encontro aceso, tantas vezes em discórdia, sempre muito sincero. Cristianismo, Faculdade, artistas malditos amados por nós como o João César Monteiro, o discurso que fez no 10 de Junho convidado pelo Presidente da República, e por aí fora. Caramba! Duas horas sempre a ferver—grande João!

Podem ouvir o episódio no YouTube, no Spotify ou nas outras plataformas digitais.

segunda-feira, fevereiro 15, 2021

Sofrimentos diminuídos