sexta-feira, março 27, 2020

A pérola desenterrada hoje




















“Sou Imortal Até Que Deus Me Diga Regressa” do Tiago Lacrau (nome para intervalar o de Guillul) é meia-hora de rock’n’roll. Sim, é punk, mas é punk feito com baterias roubadas. Sim, tem som de cassete, mas é som de cassete feito em estúdio. É um disco feito com muito em busca de pouco, é gente mais velha a querer ter a genica daquele momento em que o rock mudou a nossa juventude. Em 2015, o Expresso dizia que era um “Disco que importa[va] ouvir”, o Público descrevia-o como “Directo ao assunto, mas directo ao assunto à antiga”, e a Imagem do Som dava uma imagem sugestiva: “Imaginem que os Xutos e Pontapés e os Sex Pistols tinham um bebé”. Cinco anos depois, a FlorCaveira desenterra-o para poder chegar às plataformas digitais. Aqui: https://open.spotify.com/album/1DlZgYYpoGktNObGBoLXI0?si=oX4vi15eREyC6UCi3wnxVw

segunda-feira, março 23, 2020

Ouvir (e ver!)

O sermão (e todo o serviço de culto!) de Domingo passado, chamado “Ter nos Obstáculos Oportunidades”, pode ser ouvido (e visto!) aqui.

sábado, março 21, 2020

Amanhã

No sermão de amanhã, chamado “Ter nos Obstáculos Oportunidades”, planeio abrir o texto bíblico em Actos 11 e 12 e aprender com uma Igreja que sofre no prato e na perseguição: da fome inventa fartura; em vez de desesperar, dá; e se é para se entregar a alguma obsessão, que seja a da oração. A capacidade para isso não está em nós, Igreja, mas em Cristo, palavra que nenhum homem pode limitar, constantemente no ir.

Assistam a partir de casa neste link: https://www.youtube.com/channel/UCH44HX9Iw1f8xv-W3O6Ze4w















[A pintura é de Antonio de Bellis.]

quinta-feira, março 19, 2020

Ouvir (e ver!)

O sermão (e todo o serviço de culto!) de Domingo passado, chamado “Não ver mudança nos outros por temer a nossa”, pode ser ouvido (e visto!) aqui.

terça-feira, março 17, 2020

sábado, março 14, 2020

No sermão de amanhã

Chamado “Não ver mudança nos outros por temer a nossa” (e que extraordinariamente será pregado via streaming) quero explorar uma ideia: muitas vezes somos cínicos e não reconhecemos que Deus muda os outros porque isso tira-nos do controlo da nossa própria vida. Da mesma maneira que, nos capítulos 10 e 11 dos Actos dos Apóstolos, os cristãos de Jerusalém precisam de aceitar os cristãos gentios, Deus quer-nos transformáveis, confiantes de que “estar no ir” é não conduzir o caminho, mas sermos conduzidos somente pela sua graça.

Assistam a partir de casa neste link:https://www.youtube.com/channel/UCH44HX9Iw1f8xv-W3O6Ze4w
















Pintura de Eeckhout.

sexta-feira, março 13, 2020


A Xungaria no Céu nasceu num directo para o “Cinco Para a Meia-Noite” da RTP1

Em jeito de homenagem ao “You Gotta Fight For Your Right To Party” dos Beastie Boys, vários músicos da FlorCaveira juntaram-se como gang histérico que, dessa actuação, evoluíram para gravar discos mesmo (o núcleo viria a fixar-se em Guillul, Úria, Alex e Martim). O segundo é este “Dropa o Beat” de 2014, que agora desenterramos. Selvagem, frio, contundente, caricato, ressentido e inflamável, é provavelmente a edição da FlorCaveira mais procurada pelos mais novos. Talvez pelas batidas assumidamente artificias, pela naturalidade com que mistura filmes e farras, raps e reclamações. Foi há meia dúzia de anos mas é agora outra vez (ouvir aqui: https://open.spotify.com/album/2N2FOyPTaA8dg6LKUuCrVh?si=KjqKUhNvT7-HQ4Zr8MBSwQ).


terça-feira, março 10, 2020

Ouvir

O sermão de Domingo passado, chamado "Quando Jesus nos apanha o improvável não é impossível", pode ser ouvido aqui (e no Spotify).

sábado, março 07, 2020

Amanhã

Planeio pregar um sermão chamado “Quando Jesus nos apanha o improvável não é impossível”, onde quero explorar duas afirmações: não devemos viver para a coisa impossível que é querer que Deus se submeta a nós; e não devemos confundir o que é improvável com o que é impossível. Com o texto bíblico aberto em Actos 9, aprendemos que Jesus é Deus a encontrar-nos, livrando-nos da tarefa impossível que é sermos nós a encontrar Deus; e Jesus é o improvável a acontecer, abrindo a porta para outros consequentes e graciosos improváveis a acontecer connosco.




















A pintura é de Caravaggio.

sexta-feira, fevereiro 28, 2020

Newsletter - Fevereiro/February 2020

[Se quer receber esta newsletter, diga-me através do e-mail tiagooliveiracavaco@gmail.com/ If you want to get my monthly newsletter, tell me so at tiagooliveiracavaco@gmail.com.]



Olá a todos (very-broken-english version down below)!

O meu plano é no final de cada mês enviar alguma coisa: pode ser um texto, uns pensamentos dispersos, um vídeo, um desenho, um cartaz para um evento futuro, ou outra coisa qualquer. No fundo, desejo manter a comunicação aberta com quem estiver interessado em ir sabendo da minha/nossa vida, tentando livrar-me da dinâmica das redes sociais, onde me sinto menos saudável. Não é curioso que os blogues, que são a pré-história da internet, permitam uma espécie de porto seguro para os mares mais revoltos da rede destes dias? Por isso, o que vou partilhando nesta newsletter, publico também no meu blogue (www.vozdodeserto.tumblr.com).

Neste fim de Fevereiro envio um texto que escrevi em Setembro passado, durante o nosso sabático. É interessante que, sem combinarmos, também a Ana Rute tenha escrito um texto sobre o mesmo assunto (vocês podem lê-lo aqui: https://poraquieporali.com/2019/12/30/licoes-da-garca-no-lake-cavalier/). Andamos sintonizados!

Dêem-me novidades vossas, se quiserem. A lista de pessoas que recebe esta mensagem é pequena e por isso ter algum eco pode ser interessante. Recebam o meu abraço!

***

Sempre que a minha atenção é caçada por um pássaro sei que ando ansioso demais. Aprendi esta lição ao estudar o Sermão do Monte, quando Jesus nos dá um mandamento que estupidamente esquecemos, que é aquele que nos manda fixar os olhos nas aves para não nos preocuparmos demais connosco.

Houve uma época especial na minha vida, que começou em Julho de 2019. Fui parar, junto com a Ana Rute e as nossas crianças, ao Mississippi, no sul dos Estados Unidos. Durante um mês e meio ficámos numa fantástica casa junto ao Lago Cavalier, em Madison, perto de Jackson. Apesar de o lugar ser maravilhoso, o meu estado de espírito não acompanhava a beleza que me cercava. Na primeira noite que lá passámos, fiquei nervoso dentro de uma casa tão grande e sem vizinhos perto. Pela primeira vez reconheci que talvez não devesse ter visto tantos slasher movies. Agora que estava num cenário de filme, apenas o género de terror ocupava a minha cabeça.

Graças a Deus chegou a primeira manhã, e depois muitas outras. Não é por acaso que a Bíblia valoriza a manhã como o regresso da graça divina. Todos aqueles que já passaram um mau pedaço durante as noites sabem o alívio que chega com o nascer do sol, tão forte que de repente podemos voltar a acreditar que tudo pode ficar bem outra vez. Assim foi comigo nesta época especial que começou em Julho de 2019 no Mississippi.

Quando acordava, abria as cortinas grossas de tecido castanho da sala e rapidamente a divisão se enchia de claridade. Saía com uma chávena de café para o relvado junto ao lago e sentava-me em silêncio, pronto para ler a Bíblia e outros livros que me deram vida nova (como o “Great Expectations” do Dickens). Das primeiras vezes que o fiz acabei por espantar a presença de quem passei a procurar como companhia. Aprendi a abrir a grande janela da sala sem afugentar a família de patos que ficava do lado esquerdo do lago e a garça que ficava do lado direito.

Para um português da cidade, ver uma garça não é uma coisa qualquer. Ela é grande, e, para quem gasta pouco tempo na abençoada tarefa de prestar atenção às aves, ela fica algures entre a cegonha e o flamingo. Neste sentido, é uma verdadeira aparição. Assim, as minhas manhãs começaram a ser caracterizadas por uma aparição. Apesar de sair de casa, sentia-me a entrar num templo. Sentava-me sossegado e passava os primeiros instantes à procura da garça, que das margens passou a optar pelo pequeno cais de madeira como seu poiso, para depois olhar para ela mais demoradamente, satisfeito por ela já não levantar voo com a minha chegada atabalhoada ao seu habitat. Claro que nos separavam muitos metros. Mas espiritualmente falando, ela estava bem junto a mim.

Na última manhã em que ficámos na casa do Lago Cavalier, não somente estava junto à água a minha garça, como uma segunda que começou a aparecer nas últimas semanas. Uma das particularidades da língua portuguesa é esta de tornar algumas espécies animais femininas - fiquei sem saber se a minha companhia era um ele ou uma ela mas prefiro ficar com a sugestão do meu idioma. Olhei para ela uma última vez e na minha cabeça agradeci a Deus. Aquela garça tinha sido a minha companhia naquela época especial da minha vida, naquele tempo em que a minha fraqueza foi aliviada pela sua aparição, magra, vigilante, fugidia mas fiel.

E, uma vez mais, Jesus ensinou-me colocando os meus olhos nas aves que ando demasiado obcecado comigo mesmo.

***

Hi everyone!

I plan to send something to you at the end of each month: it may be a text, some random thoughts, a video, a drawing, a poster for some future event, or any other thing. I want to keep communication going for everyone interested in me/us, trying at the same time to get rid of social media, a place where I don’t feel that healthy. Isn’t it interesting that blogs, a form of internet pre-history, may allow us a safe harbour from the roaring seas of the web nowadays? What I’m sharing here in this newsletters I’m also posting in my blog (www.vozdodeserto.tumblr.com).

At the end of this February I send to you a text I wrote last September, while in our sabbatical. It’s revealing that, without planning, also Ana Rute wrote her own text about the same subject (you can read it here: https://poraquieporali.com/2019/12/30/licoes-da-garca-no-lake-cavalier/). We’re tuning the same station!

Tell me about how you’re doing, if you will. This newsletter list is short so having some feedback might be fun. I send you my best!

***

Every time a bird grabs my attention, I know that I am too anxious. I learned this while studying the Sermon on the Mount, when Jesus gives us a commandment that we stupidly forget - the one that calls us to fix our eyes on the birds so that we don’t have to worry too much about us.

There was a special season in my life, that began in July 2019. I ended up, with Ana Rute and our kids, in Mississippi, in the south of the US of A. During one month and a half we stayed at this great house by the Lake Cavalier, in Madison, Jackson. The place was beautiful but my state of mind didn’t follow. In the first night we were there, I became nervous inside such a big house without nearby neighbours (at least for a Portuguese standard they were not that nearby). For the first time in my life I had to acknowledge that spending so many years watching slasher flicks was not that good of an idea. Now that we were living in a place just like in the movies, horror was the only genre in my head.

Thank God the first morning came, and then many others. It’s not by chance that the Bible values mornings as the grace of God returning to us. All of us having rough nights know the relief coming with the sun rising, something so powerful that we can believe again that everything will be alright. That happened to me in this special season that began in July 2019, Mississippi, US of A.

When I woke up every morning, I would open this thick brown living room blinds and light would quickly fill all the space. I would go out to the lawn by the lake holding a cup of coffee and I would seat silently, ready to read my Bible and other books that gave me new life (like Dickens’ “Great Expectations”). The first couple of times I did that, I made something run away - something that I started to look for every morning as my most trustworthy companion. I learned to open that big living room window without scaring a family of ducks, standing at the left of the lake, and without scaring an heron that stayed at the right.

For a Portuguese city guy, to see an heron is not something usual. An heron is a considerably sized creature and, for someone missing the blessing of bird-watching, she is somewhere between a stork and a flamingo. In this sense, it is a true apparition. Therefore, my mornings could be then described as giving me a daily apparition. In spite of getting outside the house, I felt I was getting inside a temple. I would seat still and spend the first moments looking for the heron, that from the margins chose to stay now at the pier, and I would look at her peacefuly, happy because she no longer was running away from my clumsy arrival at her habitat. We were, of course, separated by some distance. But, spiritually speaking, she was really near me.

The last morning we stayed at Lake Cavalier, not only was my heron by the water but also a second one that started coming in the last couple of weeks. One of the great things about the Portuguese language is that some animal species are, for some reason, always named in the feminine - I never knew if my companion was a he or a she but I prefer to stick to my idiom. I looked at her for a last time and in my mind I thanked God. That heron had been my soulmate during that special season of my life, where my weakness was relieved by her presence - elegant, watchful, frightful but faithful.

And, once more, Jesus taught me by making me watch the birds that I obsess too much about myself.


quinta-feira, fevereiro 27, 2020

Ouvir

"A tua identidade não depende de lugares mas de Deus. Não são os lugares que te encontram ou que fazem de ti quem és. Não nego que eles contribuem para isso. Mas o que determina quem és é o facto de Deus peregrinar até ti. Por incrível que possa ser um Templo qualquer que, no caminho da tua vida, encontres, ele não te salvará. O que te salva é Deus que te encontra até eventualmente no lugar mais maldito que possas imaginar. Nós somos encontrados por Deus porque Deus é um Deus peregrino. Deus viaja até nós. Cristo vem até nós e isso muda radicalmente a nossa vida, que fica mais parecida com essa atitude de estar no ir. Daí que te queira perguntar: de que modo é que a tua vida, não sendo necessariamente nómada, responde a este ir de Deus?"

O sermão de Domingo passado, chamado "Parado não se encontra um Deus que está no ir", pode ser ouvido aqui (e no Spotify).

terça-feira, fevereiro 25, 2020

A quadra da quadra

Qualquer cristão decente
esfrega as mãos de contente
quando se prevê temporal
para os dias de Carnaval.

[Já uma tradição deste blogue.]

sexta-feira, fevereiro 21, 2020

Domingo

Se Deus quiser, pregarei um sermão chamado: “Parado não se encontra um Deus que está no ir”. Isso não significa que o cristianismo nos quer nómadas mas que, com o texto bíblico aberto na morte de Estêvão (Actos 6:8-7:60), podemos estar certos de que, quando Jesus nos encontra, nem os homens podem matar a presença de Deus em nós.




















Adam Elsheimer (1578-1610), “The Stoning of St. Stephen”

segunda-feira, fevereiro 17, 2020

Ouvir

"... Começo pela realidade de ser tentador para os portugueses discriminarem brasileiros. Não tenho agora como explicar tudo o que está em causa mas diria que, em trinta anos da história complicada de a comunidade evangélica gostar de sair da sua pequenez para deixar de depender de ajudas estrangeiras, sobretudo de brasileiros e de americanos, junto com um encontro exigente entre a expansividade natural dos brasileiros e a reserva dos portugueses, deixa os últimos facilmente tentados pelo cinismo e pela desconfiança. Tentar compreender tudo o que está em causa nestas questões culturais dá pano para mangas. Ao longo dos anos tenho escrito bastante sobre estes assuntos e, quem quiser, pode sempre conversar pessoalmente comigo ou ler os textos que fui publicando (para o final do ano deverá sair um livro novo que em grande parte se dedica a este tema). O meu ponto agora é outro e chamar os portugueses que têm caído neste pecado ao arrependimento. O que o Espírito Santo encheu com comunhão não temos o direito de ajudar Satanás a esvaziar com um sentimento de que uns são melhores do que outros.

Por outro lado, também a comunidade brasileira pode ser tentada. Sair de casa é sempre um sacrifício. Do mesmo modo como Jesus teve de se esvaziar na forma de quem serve (como nos ensina Filipenses 2:5-7), ninguém sairá com sucesso da sua cultura para outra sem imitar o exemplo do Senhor. Esvaziarmo-nos de nós e servirmos é apenas o que acontece a quem saiu de casa para outro lugar qualquer. O brasileiro que sofre por estar em Portugal deve contentar-se com o facto de o seu sofrimento ser apenas sinal de que ele saiu mesmo do Brasil. Nessa medida, se sofres, o problema não é do país onde estás. Se sofres, o problema apenas mostra que já não estás onde estavas. Não há sair de casa sem sofrimento. Se Jesus sofreu ao sair de casa, como é que não sofreríamos ao fazer parecido?

Quero dar dois exemplos, muito cá da Lapa, para afirmar que creio que sair de casa para servir, como Jesus saiu e serviu, implica uma vida em que, primeiramente, se ouve mais do que se fala. O primeiro exemplo, e melhor, é do Mark e da Família Bustrum. O Mark está na Igreja da Lapa desde 2013. Chegou como missionário. Ajudou a Igreja sem pedir nada em troca até que, finalmente, em 2017, foi eleito como presbítero. A vida do Mark e da Hannah é uma vida de serviço a sério porque eles ouvem, ouvem, e ouvem um pouco mais ainda (e, acreditem, que nós portugueses temos uma capacidade enorme de falar, falar, e falar mais um pouco ainda). O segundo exemplo é o meu próprio. Eu, campeão de opiniões acerca de tudo e acerca de nada, passei quase cinco meses numa Igreja dos Estados Unidos e só abri a boca uma vez, no contexto da Escola Dominical, para dizer qual um dos meus livros preferidos (o “Huckleberry Finn” do Mark Twain, claro!). Se realmente saíste de casa, então abraça a tarefa de servires o lugar para onde vieste, coisa que não conseguirás fazer se não passares mais tempo primeiro a ouvir do que a falar - não faças isto porque os portugueses te exigem, mas porque Jesus te inspira!"

O sermão de Domingo passado, chamado "A Lua-de-Mel Acabou", pode ser ouvido aqui (e no Spotify).

sábado, fevereiro 15, 2020

Amanhã














Se Deus quiser, prego amanhã em Actos 5:1-6:7. O sermão chama-se “A Lua-de-Mel Acabou” e nele quero mostrar que é bom quando tudo corre bem, mas é ainda melhor quando, por causa da nossa fé em Cristo, vivemos bem quando tudo não corre bem. A mentira e o sentimento de sermos melhores do que os outros são o início do fim do período de Lua-de-Mel da Igreja em Jerusalém. Jesus é a solução para essas tentações: em vez de mentir, Jesus diz e é a verdade; em vez de discriminar-te, Jesus recebe-te. Venham à Igreja da Lapa às 11.30h!

[A pintura é atribuída a Rafael.]

sexta-feira, fevereiro 14, 2020

20FC20

Os discos pós-paternidade já se tornaram um cliché no rock 'n' roll e a tendência é esperar deles alguma maturidade, detalhe ou uma subtileza. No caso de “Tiago Guillul quer ser o Leproso que Agradece”, de 2004, o projecto falhou. Subtileza era nenhuma e dez canções são despachadas em menos de um quarto de hora. O Tiago recém-pai queria embalar o primeiro bebé da família com os Ramones. Não é de estranhar, por isso, que o disco termine com o seu choro. Pelo caminho há, pelo menos, três clássicos: “A Isabel é Intelectual (porque perdeu a virgindade na Feira do Livro)”, “Ó Judas, Aperta o Laço" e "As Pessoas deviam ter Vergonha”. É esta a pérola perdida com 15 anos que a FlorCaveira agora desenterra (que pode ser ouvido no Spotify e restantes plataformas digitais).


quinta-feira, fevereiro 13, 2020

Ouvir

O sermão de Domingo passado, chamado "Não Há Outro Nome" e pregado pelo Filipe Sousa, pode ser ouvido aqui (e no Spotify).

terça-feira, fevereiro 04, 2020

Ouvir

O sermão de Domingo passado, chamado "Não Vos Inquieteis" e pregado pelo Pastor Gilson Santos, pode ser ouvido aqui (e no Spotify).

sexta-feira, janeiro 31, 2020

Blog Update

We were away for six months on a sabbatical. We lived almost all of this time in Mississippi, US of A. I’m not going into detail but you can read below our newsletter during that period. My plan for 2020 is to remain away from social media. So I’ll probably go on writing a monthly newsletter. I’ll keep posting some sermons and texts in this blog but more personal stuff will belong there. If you’re interested, please write to tiagooliveiracavaco@gmail.com telling me so. God bless you & see ya in the pit!

Estivemos fora durante seis meses num sabático. Vivemos quase todo esse tempo no Mississippi, US of A. Não vou entrar em detalhes mas podem ler aí em baixo a newsletter que escrevemos durante esse período. O meu plano para 2020 é continuar longe das redes sociais. Provavelmente vou continuar também uma newsletter mensal. Vou manter-me a publicar neste blogue os sermões e alguns textos mas os assuntos mais pessoais vão ficar lá. Se estiverem interessados, escrevam-me para tiagooliveiracavaco@gmail.com a dar sinal de vida. Deus vos abençoe e see ya in the pit!

***

Beloved friends and brothers,

It is the first time we write this kind of message. We are about to enter a new period in our lives and we would like to let you know about it and allow you to be a part of it if you wish to. Two weeks ago, at our own Igreja da Lapa, the presbyterate presented the following statement during Sunday service:

“For the past two years we have been walking beside pastor Tiago in a new and challenging way, which has brought us closer together and closer to God. Two years ago, Tiago started to feel more and more anxiety, due primarily to the high level of stress brought by the pastoral ministry he has been leading for several years. Tiago and Rute have founded a church 12 years ago and for the past decade have dedicated their lives to being servants of the word of God. It is impossible to have an exact notion of the hours they have invested as a family in our church, be it in the form of counseling, planning, meetings, service or sacrificial love. They have been faithful servants, but lately we have watched their anxiety and stress climb to a level that is bordering on unhealthy. This is sometimes called pastoral burnout or stress- induced anxiety.

Tiago and Rute have been working closely with the church preachers and never shied away from seeking the medical help they needed. They have followed our recommendations and the doctors’ orders regarding rest and the creation of new patterns in the ministry, in order to achieve a healthy balance in the future. However, regardless of this external support, we believe that Tiago and Ana Rute are in desperate need of a six-month sabbatical away from the constant demand of ministry, for an extended period of separation that will better prepare them for future service.”

This was very well received by the Church, which will ensure our income for the July-December sabbatical (allowing us to cover our expenses in Portugal, such as rent). To make the most of this opportunity, we have considered travelling to the USA, where we can visit relatives, be encouraged by partners in ministry, and receive special care for our physical and spiritual renewal.

For that to happen, we will need additional financial resources for our family’s journey, to deal with paperwork such as passports, health insurance, and accommodation, and to allow for the American economy, which falls heavier on Portuguese shoulders. These expenses are beyond our reach, hence this message.

The Church, body of Christ, has supported us in the Igreja da Lapa, and we are now extending this challenge to our beloved brothers in Christ in Portugal and throughout the world. We know the Lord watches over us in your faithful company. We thank you for your generous friendship and, if God so touches your heart that you keep blessing us, we will follow-up with news and reports of accountability. In the meantime, while we are away our home will be available should anyone need it.

Please find attached our bank account details:

Love,

Tiago and Rute
(and Maria, Marta, Joaquim and Caleb)



Queridos irmãos e amigos!

É a primeira vez que escrevemos uma mensagem como esta. Vivemos um tempo novo na vida da nossa família e queremos dar-vos conhecimento dele e, se acharem bem, a possibilidade de se envolverem.

Há duas semanas a Igreja da Lapa, que servimos, leu durante o culto um comunicado que, entre outras coisas, dizia:

“Ao longo dos últimos dois anos, caminhámos ao lado do pastor Tiago de uma forma nova e desafiante, que nos fez aproximarmo-nos mais uns dos outros e aproximarmo-nos do Pai. O Tiago, há cerca de dois anos, começou a sentir o seu nível de ansiedade a aumentar, provocado, primariamente, pelo elevado stress vindo do seu ministério pastoral, que tem fielmente conduzido ao longo de vários anos. O Tiago e a Rute, há 12 anos, começaram uma igreja à qual, já há mais de uma década, têm entregado as suas vidas ao serviço do evangelho. É praticamente impossível estimar a quantidade de horas que esta família já investiu, ao longo dos anos, em aconselhamento, planeamento, reuniões, serviço e entrega sacrificial pela nossa igreja. Eles têm sido servos fiéis, mas, nos últimos tempos, temos visto a sua ansiedade e stress a subir até a um nível que já não consideramos saudável. Muitas vezes o nome dado a esta circunstância é burnout pastoral ou ansiedade induzida pelo stress.

O Tiago e a Rute têm estado a trabalhar com os pastores da igreja e, também, trabalharam diligentemente para procurar ajuda médica. Seguiram as nossas recomendações, bem como as recomendações dos médicos, no que diz respeito ao descanso e à criação de novos padrões no seu ministério, de forma a construir um equilíbrio saudável para o futuro. No entanto, com todos estes apoios externos, chegámos à conclusão que o Tiago e a Ana Rute precisam desesperadamente de tirar um período sabático de seis meses, para que sejam afastados das exigências constantes do ministério e estejam distantes durante um período alargado que os preparará para o serviço que está por vir.”

A Igreja não só recebeu com compreensão a notícia como manterá o nosso salário durante este tempo (que assegurará as despesas que temos em Portugal, como a renda da nossa casa, entre outras), que decorrerá entre Julho e Dezembro. Para usar correctamente este sabático, consideramos a possibilidade de viajarmos até aos Estados Unidos, onde poderemos visitar alguns familiares, receber encorajamento de parceiros do ministério lá, e até receber algum cuidado específico para a nossa revitalização física e espiritual.

Para que assim aconteça, precisamos de levantar recursos financeiros adicionais para as viagens de toda a família, burocracias inerentes que vão desde passaportes, seguros de saúde, alojamento e ainda provisão para uma economia americana, naturalmente mais exigente para portugueses. Estes são custos que se mostram longe do nosso alcance, daí o envio deste mail.

Do mesmo modo como a Igreja, corpo de Cristo, tem sido o nosso sustento na Lapa, estendemos o desafio destes dias a vocês, nossos queridos irmãos na Igreja espalhada por Portugal e todo o mundo. Sabemos que somos cuidados por Deus Pai também através da vossa companhia fiel, ao longo dos anos. Somos gratos pela vossa amizade generosa, e, se Deus tocar o vosso coração para nos continuarem a abençoar, agora deste modo, contem com mais novidades e a nossa prestação de contas.

Um grande abraço,

Tiago e Rute
(e Maria, Marta, Joaquim e Caleb)















***

Beloved brothers and sisters,

God willing, the Cavacos will be boarding a plane on a Wednesday morning, July 24th, on our way to the United States. We plan to stop for five days in New York City and then move on to Jackson, Mississippi, where we will rest for a little over four months in communion with our family (Tiago Oliveira – Ana Rute’s brother -  his wife Marta and their sons Rúben, David and little Tiago) and the Grace Baptist Church. Our sabbatical is officially on as of yesterday and will last until the first half of January 2020.

Under God’s care, as shown through the generosity with which you have regarded the appeal in our last letter, we are close to gathering all the resources necessary for this adventure. We have been enormously blessed by your response and encouragement. We feel the experiences you have shared with us have helped open a path and shown us clearly the way to go - so, in a way, you will be travelling along with us.

It is our plan to share our news throughout the sabbatical. We are certain that the joy we have with Jesus – our greatest and best place of rest – will be an ever-increasing message that we will want to testify to and share with you. Through the love of God our Father and the help of the Holy Spirit we are always with you.

Our most thankful and heartfelt love,

Tiago and Ana Rute



Queridos irmãos e amigos!

Se Deus quiser, a família Cavaco estará a bordo de um avião na manhã da quarta-feira da próxima semana, dia 24 de Julho, a caminho dos Estados Unidos da América. O plano é fazermos uma paragem de cinco dias em Nova Iorque e depois seguirmos para Jackson, Mississippi, onde teremos base para um pouco mais de quatro meses de descanso, convívio com a nossa família (o Tiago Oliveira - irmão da Ana Rute, a sua esposa Marta e os rapazes Rúben, David e Tiaguinho) e comunhão com a Grace Baptist Church. O nosso período sabático começou oficialmente ontem e irá até à primeira quinzena de Janeiro.

Graças ao cuidado de Deus, evidenciado também na generosidade com que acolheram o nosso apelo na carta anterior, estamos próximos de levantar todos os recursos necessários para esta aventura. Fomos muito abençoados pelas vossas respostas e pelo encorajamento que elas nos deram. Sentimos que se um caminho foi aberto, também foi aberto através de algumas das experiências que connosco partilharam e que nos mostraram com mais nitidez a direcção a tomar. Nesse sentido, não viajamos sem que vocês também viajem connosco.

É nosso plano irmos dando algumas novidades à medida que o sabático prossiga. Estamos convictos de que a alegria que temos em Jesus, o nosso maior e mais eficaz descanso, será uma mensagem crescente durante este tempo e que queremos ir testemunhando junto de vós. Somos amados por Deus Pai e assistidos pelo Espírito Santo e isso coloca-nos também na vossa companhia.

Recebam o nosso mais agradecido abraço,

Tiago e Ana Rute.

***

We are now a little over halfway through our time in America, and God continues to bless our family. The first month and a half was dedicated to actual rest; the wonderful Divine Providence allowed for Mr. Lars Johnson and his wife Bernice to seek information on Lisbon, which they wished to visit toward the end of August, only two weeks before we came here. They met Rute’s brother Tiago over the Internet, and then very generously offered us their Lake Cavalier house in Madison, Jackson, as we were about to arrive in the United States. The Johnsons stayed in our Oeiras home while visiting Lisbon, and we stayed in their own home; God has a sense of humor and proportion.

It was a time for reading (Dickens, Bonhoeffer, Salinger and Marvel are a few examples of our family’s favorites), playing (ball games and an old but still perfectly functional Nintendo), drawing, music (so much gospel on the radio!), and movies to our heart’s content, swimming in the river and some road trips (to the birthplace of rock’n’roll in Memphis and a Baptist conference in Palm Beach, which Tiago attended with his brother in law Tiago and Diego Lopes). Everything about that place was special, not least of which our new companions: two very elegant herons, several ducks, annoying horseflies, threatening wasps, some scared deer, and armadillo and raccoon roadkill. Nature here is exuberant, hot and humid, and we now know that in Portugal even the Summer heat is gentle.

In mid-September, God’s unfailing care brought us to the cabin in the woods we call home for now. We are less than five minutes away from our family (Tiago, Marta, Rúben, David and little Tiago) in Pelahatchie (a lot of Native American names around here). After some days of cleaning, and thanks to Rute’s vision for the future, the cabin is now Pinterest-worthy. We like to lovingly call it our redneck piece of paradise.

Moving to Pelahatchie brought us a new daily routine: we have started the school year with Maria, Marta, Joaquim and Caleb, and our days are now filled with school as well as rest.

One of the things we have learned is that there is a lot to be said about the need for real, actual rest. In the Bible, resting is often harder than working, in that we stop in order to let God do His work in us. The pause feels good, but it encompasses a spiritual requirement to put our faith in God’s hands and let it renew our perspective. The places around us look different, the people around us seem different, we ourselves are different. The only constant is the steady presence of Jesus, which makes itself especially visible in an extended reading of Scripture (we have both been studying the book of Job), in the presence of the local church (we feel like we are a part of Grace Baptist Church in Jackson), and in the care of our family, the Oliveiras, among other very welcome mercies.

We never forget that our presence here and now is due to the work of God through every one of you in different ways. Every day we give thanks for the fact that we lack for nothing, in the knowledge that your prayers sustain us. We ask that you go on praying for us, and we trust that we will come back with renewed strength to better serve our country that we so love.

We will see you soon!

Love, 
Tiago and Rute



Estamos agora a mais de meio do nosso tempo americano (já temos um pouco mais para trás do que para a frente). Deus tem abençoado a nossa família. O primeiro mês e meio foi dedicado a descansar mesmo: na fantástica providência de Deus, apenas duas semanas antes de chegarmos o Mr. Lars Johnson e a sua esposa Bernice em busca de informações sobre Lisboa, cidade que planeavam visitar no final de Agosto, conheceram pela internet o nosso cunhado Tiago. Esse encontro inesperado proporcionou que, com muita generosidade deles, abrissem uma casa que têm junto ao Lago Cavalier, em Madison, Jackson, para a nossa família, que se preparava para chegar aos Estados Unidos. Quando a Família Johnson visitou Lisboa ficou em nossa casa, em Oeiras, e nós em casa deles. Deus tem sentido de humor e proporcionalidade.

Esse foi um tempo de muitos livros (Dickens, Bonhoeffer, Salinger e Marvel, apenas para alguns exemplos de toda a família), muitos jogos (com bola e numa Nintendo antiga ainda completamente funcional), muitos desenhos, muita música (tanto gospel na rádio!), muitos filmes, muitos banhos no lago e algumas viagens (o berço do rock'n'roll em Memphis e uma conferência baptista em Palm Beach, Florida, que o Tiago foi com o cunhado Tiago e com o Diego Lopes). O espaço era especial também nos vizinhos que nos deu: duas garças elegantíssimas, vários patos, horseflies chatas, vespas ameaçadoras, uns poucos veados assustadiços, muitos armadillos (em Portugal diríamos tatus) e guaxinins atropelados na estrada, e tudo isto numa natureza exuberante também pelo seu calor húmido (agora sabemos que em Portugal até o calor é sereno).

A meio de Setembro, o cuidado infalível de Deus trouxe-nos para a cabana na floresta a que chamamos casa durante estes dias. Estamos a menos de cinco minutos a pé da casa da nossa família, do Tiago, da Marta, do Rúben, do David e do Tiaguinho, em Pelahatchie (os nomes índios aqui são mais do que muitos). Depois de alguns dias de limpezas, e com a visão de futuro da Rute, a cabana podia ser uma estrela do Pinterest. É, como dizemos carinhosamente, o nosso paraíso redneck. Desde a mudança para Pelahatchie que nos encontramos num novo ritmo diário: iniciámos o ano lectivo com a Maria, Marta, Joaquim e Caleb. Agora os dias são feitos de escola, além do descanso.

Uma das coisas que temos aprendido é que a necessidade de realmente descansar tem muito que se lhe diga. Na Bíblia, descansar é frequentemente mais difícil do que trabalhar porque implica que paramos para que Deus faça alguma coisa em nós. Apesar do bem que sentimos por parar, também enfrentamos a exigência espiritual nisso: olhar para tudo com uma perspectiva renovada pela confiança em Deus. Os lugares à nossa volta tornam-se diferentes, as pessoas à nossa volta tornam-se diferentes, nós tornamo-nos diferentes. O que mais se mantém é a companhia constante de Jesus, especialmente visível numa leitura mais prolongada das Escrituras (Job tornou-se um livro estudado pela Ana Rute e por mim), na presença na Igreja local (sentimo-nos parte da Grace Baptist Church em Jackson), pela assistência da nossa família aqui, os Oliveiras, entre outras misericórdias saborosas.

Não esquecemos nunca que, se aqui estamos neste período, foi porque Deus na sua providência usou cada um de vocês de diferentes formas. Agradecemos diariamente o facto de nada nos faltar, sabendo que somos sustentados em oração. Por isso, pedimos que continuem a orar por nós, na confiança de que regressaremos renovados para servir mais e melhor o nosso país que tanto amamos.

Um abraço e até breve,

Tiago e Rute












***

“The Lord has done great things for us, and we are filled with joy.” Psalm 126:3

We arrived in Portugal at the beginning of December. We had an extra month to rest after the six-month sabbatical; we were back at Igreja da Lapa - which we had missed so much! - but we did not work for that time period. It was very good to embrace our loved ones again and see how the Lord took care of the community during our absence; not only did it not stagnate, it actually grew larger!

We had never been out of the country for such a long period, so coming back was a whole new experience. On the one hand we were so very homesick, but on the other we were terribly surprised at how the simplest things get to be so complicated in Portugal. It is certainly annoying when outsiders point out the shortcomings of our homeland, but we must concede that the notorious Portuguese fatalism is much greater than we care to admit. It is therefore our job as Christians to live a more hopeful life in our own land.

In early January, after the usual Christmas overindulgence, we settled back into a routine. Rute has been supervising our children’s school matters, amid music, basketball and books. We feel encouraged to maintain a healthier pace and believe less and less that it is possible to do everything all the time. When all is said and done, we left Mississippi but hope we have brought a bit of Mississippi back with us. We think back on our American time, from the care bestowed upon us by the Oliveiras and Grace Baptist Church to counseling and our adventures in the Southern outdoors, and find it hard to believe that unique time of our lives actually did happen: God took care of us, in part through your generosity.

I, Tiago, have been back to the pulpit at Lapa for the past three Sundays. Although it is my goal to preach shorter sermons, I haven’t been able to contain my joy. We have started to study Acts and studying this book makes us long to be on the go, to see Christ reach even more people in Lapa, in Lisbon and in Portugal. We don’t want to be too annoying in selling the benefits of the sabbatical, but it was truly an enormous blessing. If God planned resting so we can say even more emphatically that what He does is good, mission accomplished: God has done very good things with us, and we suspect there is still more to be done in this place where He placed us.

God bless you,

Tiago and Ana Rute
(and Maria, Marta, Joaquim and Caleb)



“Grandes coisas fez o Senhor por nós; por isso, estamos alegres.” Salmo 126:3

Chegámos a Portugal no princípio de Dezembro. Tivemos ainda um mês do descanso final do período combinado de seis meses. Apesar de termos voltado à Igreja da Lapa, de que tínhamos tantas saudades!, nesse período estivemos sem qualquer trabalho. Foi muito bom voltarmos a abraçar aqueles que amamos, ao mesmo tempo que observámos o cuidado do Senhor com a nossa comunidade na nossa ausência - não só ela não ficou parada como cresceu!

Como nunca tínhamos passado tanto tempo fora do nosso país, foi uma experiência nova a de regressar. Ao lado de uma saudade enorme, não podemos negar que nos surpreendeu a maneira complicada com que Portugal vive até as coisas mais simples. Reconhecemos que é irritante quando alguém chega de fora a apontar os defeitos do nosso país, mas temos de reconhecer também que o tão badalado fatalismo português é maior do que gostamos de admitir. Logo, cabe-nos, enquanto cristãos, vivermos vidas mais esperançadas na terra a que pertencemos.

No início de Janeiro, e depois de todas as excepcionalidades natalícias, regressámos à rotina. A Rute tem supervisionado a escola dos miúdos, no meio de muita música, basketball e livros. Estamos animados para manter um ritmo mais saudável, menos crente de que é possível fazer tudo a toda a hora. No fundo, viemos do Mississippi mas desejamos que muito do Mississippi fique connosco. Lembramos os tempos americanos, desde o cuidado que recebemos da Família Oliveira e da Grace Baptist Church, passando pelo counseling e pelas aventuras no grande ar-livre sulista, e até nos custa acreditar que vivemos mesmo essa época única nas nossas vidas: Deus cuidou de nós e fê-lo também através da vossa generosidade.

Eu, Tiago, regressei ao púlpito da Lapa há três Domingos. Apesar de desejar pregar sermões mais curtos, não tenho sabido conseguir conter a minha alegria. Começámos um estudo no livros dos Actos dos Apóstolos que aumenta a vontade de estar no ir, de ver Cristo a chegar a mais pessoas na Lapa, em Lisboa e em Portugal. Não queremos ser vendedores demasiado chatos acerca das virtudes do sabático mas a verdade é que ele foi uma bênção imensa. Se Deus planeou o descanso para que digamos com mais convicção que o que ele faz é bom, então missão cumprida: o que Deus tem feito connosco é muito bom e suspeitamos que há mais alguma coisa para ser feita neste lugar onde ele nos pôs.

Recebam o nosso abraço!

Tiago e Ana Rute
(e Maria, Marta, Joaquim e Caleb)


segunda-feira, janeiro 27, 2020

Ouvir

O sermão de Domingo passado, chamado "O que tens além do que tens?", pode ser ouvido aqui.

segunda-feira, janeiro 20, 2020

Ouvir

O sermão de Domingo passado, chamado "Sabes ler o texto que a tua vida é?", pode ser ouvido aqui.

sexta-feira, janeiro 17, 2020


Desenterrar

terça-feira, janeiro 14, 2020

Ouvir

O sermão de Domingo passado, chamado "Está no Ir", pode ser ouvido aqui.

sábado, junho 29, 2019

É isso aí, o que esta canção diz

Orem por mim e pela minha família. Até já e see ya in the pit!

Sofisticaste a caligrafia da tua nota de despedida
Citaste até o José Gil para não teres medo de existir
Fizeste um esforço para não escrever em nome da tua geração
Já te cansaste de abaixo-assinados
Nestas linhas só assinas tu

Estás a poupar na bagagem
Tentas poupar nas palavras
Tudo o que não é preciso pode ficar
Sacodes o pó das tuas asas

Na despedida, sem amargura
Abraçaste até quem não lamentou
a tua ida, e tu, sem ira
disseste mesmo: foi um prazer
Vais sem raiva, sem ressentimento
Sem qualquer ponta de mau viver
Vais porque podes, vais porque queres
Vais apenas porque Deus te deixa ir

Estás a poupar na bagagem
Tentas poupar nas palavras
Tudo o que não é preciso pode ficar
Sacodes o pó das tuas asas

Sacode, sacode, o pó das tuas asas
Que até o pó te impede de voar

sexta-feira, junho 21, 2019

Meia Centena de Sermões em Vinte Citações

Lapa, 16 de Junho de 2019
Mateus 5:1-2, 7:28-29

Na hora do adeus ao Sermão do Monte, reli os cerca de 50 sermões pregados (porque outros houve do Pr. Filipe e do Pr. Mark) e seleccionei 20 excertos para sublinhar algumas das lições mais importantes.

1. DO SERMÃO 11 DE FEVEREIRO DE 2018 (em Mateus 5:1)
- Não se trata de ler o Sermão do Monte e dizer: gostava de chegar lá mas não consigo. Trata-se de lê-lo e dizer: chegar lá é quem sou. Quem define a minha capacidade de viver assim não sou eu mas o Rei Jesus. Estudar o Sermão do Monte é assumir que a minha identidade não é definida pelas minhas improbabilidades mas pelas possibilidades do Reino.
2. SERMÃO DE 4 DE MARÇO DE 2018 (em Mateus 5:3)
- A vinda de Jesus significa que alguma coisa mudou ao ponto de começar a inverter a normalidade de tudo. O Sermão do Monte está mais preocupado em anunciar um mundo novo que está em curso, principalmente desde que Jesus veio. O Sermão do Monte não está assim tão preocupado em analisar filosoficamente o mundo como o conhecemos. Por isso mesmo, não há um tom defensivo no Sermão do Monte. O Sermão do Monte põe o amanhã de Jesus no nosso agora.
3. SERMÃO DE 11 MARÇO DE 2018 (em Mateus 5:3)
- A humildade é a característica que confirma que precisamos de ser salvos por outra pessoa que não nós, que é Jesus Cristo. Um cristão pouco humilde até pode dizer que foi salvo por Jesus, mas o seu comportamento sugere que ele se salva a si próprio. O reconhecimento público é o reino desejado pelos Fariseus e por todos os que vivem de demonstrar que conseguem ser justos por si próprios. O reino desejado pelos que seguem Jesus não é o reconhecimento público mas o reconhecimento do Rei. Neste sentido, o pobre de espírito é aquele que não deseja a riqueza do reino do reconhecimento público.
4. 1 DE ABRIL DE 2018 (em Mateus 5:6)
- A justiça para nós tende a ser uma via de sentido único, em que o que interessa é como o mal de fora provoca estragos cá dentro, ao passo que a justiça de Jesus tem duas faixas de rodagem, em que este sentido existe, mas o outro também, em que o mal de dentro provoca estragos cá fora.
5. SERMÃO DE 20 DE MAIO DE 2018 (em Mateus 5:13-16)
- A humildade de ser discípulo de Jesus requer que sejamos diferentes dos outros ao ponto de beneficiarmos aqueles que podem odiar a nossa diferença. Quando somos arrogantes a pretexto da nossa fé não damos sabor e luz à vida daqueles que não partilham a fé connosco, e nem sequer a nós mesmos. Ser discípulo de Jesus não dá para ego-trips.
6. SERMÃO DE 3 DE JUNHO DE 2018 (Mateus 5:17-20)
- Como podemos ser moralmente superiores aos Fariseus? A  nossa superioridade moral tem o tamanho do perdão dos nossos pecados. A nossa superioridade moral é, paradoxalmente, o reconhecimento da nossa miséria moral sem Jesus. E este paradoxo é a cura mesmo: Jesus quer que os habitantes do seu Reino sejam moralmente superiores aos Fariseus porque aquilo que garante a entrada no Reino não é a justiça com que os seus habitantes aí merecem entrar, mas a misericórdia com que o Rei Jesus aceita a entrada deles. A superioridade moral dos discípulos de Jesus tem o contorno de uma cruz, porque é na cruz que esta transacção entre a nossa culpa e a justiça de Jesus é feita. Sim, cristão: é suposto seres moralmente superior. Mas a tua superioridade moral está fundada na tua incapacidade total. Por isso, quanto mais te superiorizas moralmente, mais humilde te tornas. No Reino de Jesus cresce-se diminuindo.
7. SERMÃO DE 17 DE JUNHO DE 2018 (em Mateus 5:21-26)
- Porque Jesus é o pregador e a própria pregação, a pessoa que o segue toma a perfeição como o objectivo final de ser seu discípulo. O que Jesus propõe aos que o seguem não é aquilo que, eventualmente, eles têm legitimidade para esperar da vida. Jesus pede-lhes perfeição porque, a partir do momento em que se segue o Rei, o Reino funciona de acordo com as suas formidáveis capacidades. O que está em causa não é o que posso fazer, e talvez com alguma justificação. O que está em causa é o que Jesus pode fazer e, como isso, nos justifica para estarmos num estado de direcção à perfeição e acima dos escribas e Fariseus. Jesus pede-te o que não podes para que vivas do poder dele.
8. SERMÃO DE 15 DE JULHO DE 2018 (em Mateus 5:27-28)
- Para todos aqueles que se julgam muito cumpridores da religião, porque no exterior não quebram a lei, Jesus mete-lhes a lei lá dentro, no coração deles, para todos entendermos que, na realidade, não há lei que não quebremos. O pecado não é o que acontece quando precisas de fazer alguma coisa. O pecado é o que já existe quando não precisas de fazer nada. É radical esta conclusão, mas é a que Jesus está a dar. Há adultério propriamente dito, com duas pessoas e os seus corpos fisicamente envolvidos; mas também há adultério quando apenas dentro do coração de uma pessoa existe um desejo por esse envolvimento. O pecado é o que já existe dentro de nós mesmo quando não precisamos de concretizar um mau desejo. Há um nome bíblico para isto que é concupiscência. O coração é o verdadeiro campo de batalha, ainda antes do mundo exterior.
9. SERMÃO DE 22 DE JULHO DE 2018 (em Mateus 5:29-30)
- Muitas vezes o mais importante que vamos aprender não vem da nossa incrível capacidade racional de apreciar o bem, mas de um susto dado à nossa consciência, exemplificando algumas das piores coisas que nos podem acontecer como consequência das nossas más escolhas – ninguém aprecia este estilo porque sentimos a nossa inteligência mal-tratada. Mas é isto mesmo. Quando seguimos Jesus não temos qualquer garantia de que ele nos trata a partir do melhor que vê em nós; às vezes é mesmo o contrário. E é também partir daqui que o Sermão do Monte é pregado, em metáforas gráficas de olhos arrancados e mãos cortadas, chamando até o Inferno para o assunto.
10. SERMÃO DE 2 DE SETEMBRO DE 2018 (em Mateus 5:38-42)
- Mais importante do que a maneira como defendemos o que nos pertence, é a maneira como nos relacionamos com os outros. Enquanto cristão, lembra-te de que é no momento que parece que desistes de resistir ao mal que te é feito, que provavelmente está a levar a justiça mais a sério.
11. SERMÃO DE 23 DE SETEMBRO DE 2018 (em Mateus 6:1-4)
- Mais perigoso do que sermos vistos como gente má aos olhos dos outros, é vivermos querendo ser vistos como gente boa. Também é este facto que faz do Diabo um tentador inteligente, que ataca subtilmente no que parece certo, e não um incompetente que nos alicia para coisas que são escancaradamente más aos olhos de todos. Os cristãos são pessoas que reconhecem o perigo do mal, sobretudo porque o mal é eficaz ao ponto de poder disfarçar-se nas melhores coisas que fazemos. É por isso que somos pessoas carentes a um nível de precisarmos de ser salvos. Precisamos de ser salvos do mal que fazemos e do bem que querendo fazer também rapidamente se pode tornar errado. Precisamos mesmo de um salvador. Isto muda logo a maneira como nos comportamos e como falamos uns com os outros. Numa Igreja a sério a causa que procuramos não é mostrarmos que somos bons, ou que temos a razão. O que interessa é mostrar Jesus Cristo – tudo o resto é uma vaidade e deve calar-se. Ser cristão é abdicar de provar que se é bom para que ser bom possa ser uma consequência de se ser verdadeiramente cristão dependendo inteiramente da bondade de Jesus. Se vires um cristão pavonear-se das suas qualidades, foge dele – é uma companhia satânica que vai desgraçar a tua vida.
12. SERMÃO DE 21 DE OUTUBRO DE 2018 (em Mateus 6:10)
- Se examinarmos as nossas orações, o mais provável é estarmos concentrados nas nossas necessidades imediatas, necessidades imediatas essas que muitas vezes se confundem com um desejo de reinarmos sobre as circunstâncias. Assim sendo, o que interessa não é esquecermos as nossas necessidades imediatas porque as nossas imediatas fazem parte do modelo de oração que Jesus no ensina, recordando uma vez mais o exemplo do pão de cada dia que nos deve ser dado por Deus. O que está em causa é assumirmos a tentação de preferirmos orar querendo reinar sobre as circunstâncias, em vez de orarmos para que as circunstâncias sejam as do Reino de Deus. Isto não está longe de tomar a oração como uma maneira de sermos nós a fazer alguma coisa com Deus, e não o contrário. Quando oramos por circunstâncias controladas estamos a desperdiçar o luxo que está ao nosso alcance que é orarmos pela própria presença de Jesus – que é o que está em causa em pedir que venha o seu Reino. O nosso pior não é tanto por desfiarmos desejos junto de Deus que sejam abertamente negativos (não teríamos grande coragem para isso!), mas mais o medo que sentimos de vivermos a confiar que Deus é bom, independentemente das circunstâncias. Somos maus, mas, sobretudo, somos medrosos. É por isso que a Bíblia passa a vida a dizer-nos: não tenham medo!
13. SERMÃO DE 18 DE NOVEMBRO DE 2018 (em Mateus 6:12, 14-15)
- Para nós, enquanto cristãos evangélicos, é fundamental afirmar isto: aceitamos que somos pecadores e que precisamos de perdão, não tanto porque essa é uma afirmação que brota espontaneamente de nós, mas porque ela vem do que Deus diz na Bíblia. A ênfase da Bíblia é conceder que não somos nós que entendemos melhor o que o nosso pecado é, mas quem sofre os seus efeitos – aqueles a quem deixamos em dívida, para usar a linguagem da quinta petição da oração do Pai Nosso. Precisamos de fazer alguma coisa em relação aos homens contra quais pecamos e em relação a Deus, contra quem pecamos também – essa coisa é o perdão. Também é por isto que Jesus veio, viveu, morreu numa cruz e ressuscitou.
14. SERMÃO DE 25 DE NOVEMBRO DE 2018 (em Mateus 6:13a)
- A ênfase do cristianismo, materializada na encarnação do nosso Senhor, não é dizer-te que tão boa que a vida seria se não tivéssemos tentações, mas dizer-te que é bom sermos tentados e, confiando em Deus, resistir. Por que razão não criou Deus um mundo em que o pecado e a tentação simplesmente não pudessem acontecer? A resposta está relacionada com o amor: Deus prova-nos melhor que nos ama quando coisas más podem acontecer e, ainda assim, o resultado é bom por conta de confiarmos nele. O Diabo é mau porque nos tenta fingindo coisas boas na nossa vida; Deus é bom porque das coisas aparentemente más saca bons resultados – não dá para fugir a este paradoxo. A chave para aceitarmos melhor uma coisa aparentemente negativa, que é a possibilidade de sermos guiados à tentação, é lembrarmo-nos de que nesse processo, resistindo-lhe, reconhecemos mais intensamente Deus como nosso Pai.
15. SERMÃO DE 6 DE JANEIRO DE 2019 (em Mateus 6:13a)
- A Bíblia não se poupa em exemplos de pessoas que, depois de tentadas e depois de terem cedido à tentação, passaram a ter uma nova perspectiva sobre a realidade e sobre si próprias. O objectivo de Deus permitir que possamos pecar, cedendo nós à tentação, é também mostrar-nos coisas acerca de nós que geralmente estão ocultas, dormentes diante de circunstâncias comuns e favoráveis. Há revelação acerca de quem somos quando, ao sermos tentados, caímos, mas igual e preferivelmente quando resistimos.
16. SERMÃO DE 20 DE JANEIRO DE 2019 (em Mateus 6:16-18)
- Se o campeonato da bondade é feito em jogos de aparências, então não te importes de ser desclassificado. Mais ainda: corre o risco de te desclassificarem no campeonato da bondade fazendo o que é certo parecendo que fazes o errado. Se os outros se querem mostrar heróis, não tenhas medo de parecer o bandido. De certo modo, podemos dizer que Jesus está a ensinar-nos a suspeitar mais dos bons do que dos maus. Afinal, não há maior desilusão do que uma traição, de vir o mal de alguém que julgávamos estar a fazer o bem. É preferível sermos surpreendidos por quem julgávamos estar mal e, contra todas as expectativas, nos mostra que estava a fazer o bem. O cidadão do Reino de Jesus aprende alguma coisa com mafiosos, neste caso, fazendo o que é certo, desde que pareça um acidente.
17. SERMÃO DE 17 DE MARÇO DE 2019 (em Mateus 6:25-34)
- Uma das coisas que mais pode prejudicar a pessoa que segue Jesus é ler mal aquilo que é belo, através de um olhar estragado. E, para corrigir um olhar estragado, é preciso que Deus o componha – temos de aprender a olhar para o mundo como Deus o vê, apocalipticamente. As escamas têm de sair dos nossos olhos. Quando chegamos a esta parte acerca da ansiedade, Jesus intencionalmente mistura aquilo que corre mal com o nosso coração com aquilo que de bom devemos ver fora de nós. Ou seja, sentimos mal cá dentro também porque vemos mal lá fora. Jesus vai oferecer um tratamento para a nossa ansiedade a partir de olhar para as aves e considerar os lírios do campo. O segredo é desistir de ver o mundo a partir da sinistra substituição sugerida por Satanás, em que sabemos tanto como Deus. O segredo é aceitarmos o nosso lugar como filhos de Deus, como Jesus é seu, e confiarmos que aquilo que ele nos promete, cumprirá. A verdade está na beleza de vivermos tomados ao colo por um Deus que é nosso Pai. Não tomes o mundo ao teu colo porque vais morrer doido de ansiedade. Confia em Jesus, que ele torna-te filho do Criador e servido por ele.
18. SERMÃO DE 24 DE MARÇO DE 2019 (em Mateus 7:1-5)
- Jesus revela-nos que boa parte da nossa injustiça está precisamente no que tomamos como a nossa justiça própria. Julgamos mal porque confiamos na nossa justiça própria, porque nos colocamos imprudentemente no lugar de um juiz que só Jesus pode ser. Alguém que se convence da sua própria qualidade é alguém que vê tão mal ao ponto de querer tirar remelas aos outros com balizas espetadas na sua própria vista. Quando creio na minha justiça sou um míope a olhar para o mundo. A razão por que os outros nos parecem sempre tão facilmente reprováveis é porque, olhando o mundo a partir da nossa qualidade, não sabemos realmente quem somos, piores do que julgamos, não sabemos quem os outros são, pessoas tão más como nós, e não sabemos quem Deus é, capaz de perdoar qualquer um.
19. SERMÃO DE 26 DE MAIO DE 2019 (em Mateus 7:24-27)
- Quanto pior lidamos com o tempo, menos amamos Jesus. A nossa vida de discípulos de Jesus pede tempo e espaço – quem quiser pressas vai ficar pelo caminho. A palavra em prática que Jesus torna parte da tarefa de o seguirmos implica não só sabermos que vamos passar por provas, como prepararmo-nos para elas.
20. SERMÃO DE 9 DE JUNHO DE 2019 (em Mateus 7:28-29)
- Não tenhas medo de ter medo de Jesus. As pessoas que nunca sentiram qualquer tipo de medo na tarefa de seguirem Cristo, provavelmente conhecem-no muito pouco. Não é casual que quando lemos, por exemplo, o episódio da tempestade que Jesus acalmou, no fim os discípulos estão mais assustados com ele do que no início estavam com a tormenta no mar (Marcos 4:41). Se, pela negativa, já vimos que a ansiedade nos domina, então tenhamos este temor a Cristo como parte do processo exigente de sermos progressivamente dominados por ele.

Nesta manhã, toma Jesus como o único que pode reinar na tua vida.

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O que parecia impossível aconteceu: chegámos ao fim do estudo do Sermão do Monte! Eis a mensagem final aqui (e no Spotify).

quarta-feira, junho 12, 2019

Agenda




















Esta é a última apresentação musical que, se Deus quiser, farei até 2020. Viseu é uma cidade especial para mim. Vão!
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Sim, é isso mesmo: não tenhas medo de ter medo de Jesus. Quem nunca se assustou com Cristo, provavelmente conhece-o muito pouco. O sermão de Domingo passado pode ser ouvido aqui e no Spotify.

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Só podemos saber quem segue Jesus, tendo a prudência de construir a casa na rocha, quando a dificuldade chega. É o problema que aponta aqueles que seguem Cristo como a solução. A coisa positiva que é revelar-se quem é mesmo de Jesus acontece através da coisa negativa que é a vinda de tempestades. Isto não quer dizer que os cristãos a sério desejam a chegada de dificuldades, mas, seguramente, quer dizer que os cristãos a sério não perdem a fé quando elas chegam.

O sermão de Domingo passado, chamado "A pressa não deixa pedra sobre pedra", pode ser ouvido aqui e no Spotify.

sábado, maio 25, 2019

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Como é que Jesus justifica a situação aparentemente absurda de impedir que gente que faz coisas boas, gente aparentemente boa!, tenha comunhão com ele? Precisamente demonstrando que até as coisas boas podem ser, aos olhos de Deus, coisas más. Como assim? É isso que Jesus faz quando revela àqueles grandes faladores e fazedores que, na realidade, as maravilhas que andam a falar e a fazer eram, no fim de contas, “iniquidade”. O que este texto nos mostra é que é Jesus que avalia o que é bom, e não os que se julgam bons que avaliam Jesus. Os que se julgam bons podem ir parar ao Inferno porque Cristo está num lugar onde a bondade deles não chega, que é o de juiz.

O sermão de Domingo passado, chamado "O perigo da fé fundada no bem que falamos é fazemos", pode ser ouvido aqui e no Spotify.

sexta-feira, maio 17, 2019

Videozinho (final) de Sexta-Feira

Da minha experiência no YouTube cresce a convicção de que a plataforma é menos acerca da amizade provada e mais acerca da amizade que se quer provar. O que quero dizer com isto? Para pessoas ruins como eu, o YouTube torna-nos mais insatisfeitos com os amigos que já temos e faz-nos desejar amigos que dificilmente serão reais mas que nos gratificam imediatamente em likes e visualizações. Ainda não estou convencido de que a internet é a besta do Apocalipse mas que ela serve também o sistema da Babilónia, isso não duvido.

Também por causa disto, sinto sempre uma grande ambiguidade quando invisto no meu canal do YouTube. Por um lado, vejos bênçãos. Por outro, vejo maldições. Reconheço que quando acabo uma temporada, chega um alívio. E eis que hoje termino a segunda temporada do meu canal de Youtube, a de 2019. Finaliza a temporada azul, a blue season (ou seria melhor a blues season?).

Deixo-vos com uma canção acerca do meu amigo Tiago Ramos. Tenho pelo menos duas canções para o meu amigo Tiago porque mais de 30 anos de amizade dá para aquele tipo de gratidão que facilmente inspira canções. Uma das lições que trago dos anos do punk e hardcore da adolescência é que canções do contra podem mudar uma época mas canções de amizade podem durar uma eternidade (quem se recorda do "Amigo" dos Human Beans?). Cada vez gosto mais das últimas e de poder cantar as minhas.

Não quero terminar com uma murmuração mas não resisto: em tantos anos de música cada vez encontro menos amizade nos seus palcos. Há sobretudo calculismo e uma falta de coragem que abandona aqueles que, se cantarem fora da harmonia da maioria, serão colocados de parte. Não me quero fazer de coitadinho mas sei que o futuro das canções sinceras feitas em Portugal, e em qualquer outro lugar do mundo, exigirá resistência. Por outro lado, quero assumir sem auto-comiseração que realmente acredito que canto karaoke no mundo das trevas. Aguentem-se e encontramo-nos novamente no YouTube em 2020, se Deus quiser. See ya in the pit!

quarta-feira, maio 15, 2019

Ouvir

Na fala do falso profeta, que gosta de tornar folgado o que é estreito, há muito pouco do fogo das palavras de Cristo e muita felicidade no seu lugar. O falso profeta nem se dará ao luxo de ser claro porque ser claro é o contrário de ser subtil e a subtileza é o seu negócio. A cautela que precisamos de ter com os falsos profetas passa por sabermos detectar na conversa que lhes é típica como tornam o acesso a Cristo o oposto do que é difícil, estreito e apertado – por natureza, o falso profeta declara, com um discurso cheio de lã e fofura (não quisesse ele mostrar a qualidade de uma ovelha verdadeira!), que chegar a Cristo é, basicamente, para todos e de qualquer maneira. Do caminho estreito com que poucos acertam, passamos a ter uma estrada larga para a maioria.

O sermão de Domingo passado, chamado "Alargar o que Jesus diz estreito", pode ser ouvido aqui (e no Spotify!).

segunda-feira, maio 13, 2019

Efeitos da Secularização na Cultura

[Quarta-Feira passada houve uma conferência muito importante na Assembleia de Deus de Benfica acerca de novas conclusões sociológicas acerca da religião na Área Metropolitana de Lisboa. Esta foi uma das minhas participações no evento.]

Quero tornar a minha participação neste Seminário “A Fé na Cidade - As Extraordinárias Constatações do Estudo sobre Religiosidade na área Metropolitana de Lisboa”, falando sobre “Efeitos da Secularização na Cultura”, num eco do pensamento de pessoas que percebem do assunto mais do que eu e que, na pior das hipóteses, ao terem-me persuadido, espero que possam persuadir mais. O mais importante que tenho para dizer é dizer o que já disseram pessoas como a Helena Vilaça, James K. A. Smith e, sobretudo Charles Taylor.
Ter de falar na importância da cultura é um pouco como, na presença de várias palavras, constatar que provavelmente estamos na presença de um texto. Se for o caso de se partir do princípio que foi a palavra de Deus que criou tudo, como nos explica Génesis 1, e que a palavra se fez carne em Jesus, como nos explica João 1, então devemos assumir que não é muito prestigiante que tantos cristãos precisem de ser despertados para a relação entre a fé e a cultura. Neste sentido, a cultura é também o texto que as nossas vidas, em conjunto com as vidas dos outros, todas elas criadas pela palavra divina, vão escrevendo. Não é possível viver sem que algo se escreva, e uma cultura é o texto que redigimos colectivamente, com mais ou menos consciência disso. Se os evangélicos querem manter-se o povo da palavra, não é possível cultivarem uma ignorância acerca da cultura porque a cultura é o texto que acontece sempre que palavras se juntam.
Ao dizer isto, não sugiro que um cristão precisa de ser um especialista em cultura. Mas creio que é difícil, por exemplo, ser um pastor eficaz e, portanto, um ministro da palavra, sem fazer uma exegese do mundo à nossa volta, à semelhança do que fazemos com o texto bíblico, como afirma James K. A Smith. Temos de ler o texto da realidade bíblica e temos de ler, a partir da Bíblia, o texto da realidade. Em “You Are What You Love”, Smith coloca a questão deste modo: “os pastores precisam de ser etnógrafos do dia-a-dia, ajudando os paroquianos a ver o seu próprio ambiente como formador e, demasiadas vezes, deformador”. Correndo o risco de alguma simplificação, diria que se não sabemos ler o texto da realidade à nossa volta, é porque não sabemos ler a própria Bíblia assim tão bem como julgamos.
Já que começo com uma nota mais crítica, acerca de algum alheamento cultural que frequentemente nos caracteriza, como evangélicos em Portugal, também me parece correcto elogiar o que neste alheamento pode ser elogiável. Parte da ousadia cultural que os cristãos evangélicos podem ter em Portugal (e acredito que tenham mesmo!), e noutros países culturalmente católicos onde nunca alcançaram destaque, deve-se a não darem assim tanta importância à sua performance cultural. A partir do momento em que os cristãos se preocupam demais em serem culturalmente conscientes, perdem grande parte da pertinência do seu testemunho. O sal da terra e a luz do mundo, como o Nosso Senhor nos ensina no Sermão do Monte, resultam de uma identidade proveniente de sermos totalmente felizes em Jesus, bem-aventurados nele – o objectivo de a nossa luz brilhar diante dos homens é para que eles glorifiquem Deus e não nós. Não somos sal e terra quando estamos preocupados em que os outros assim nos considerem. Jesus tinha explicado que o resultado de sermos felizes nele era perseguição e não aplauso. Daí que creio que se apropria dizer que, se por um lado o alheamento cultural pode demonstrar o pecado de indiferença aos que precisam de ouvir o evangelho, por outro, uma excessiva preocupação com a cultura pode demonstrar o pecado de procurarmos a nossa felicidade no reconhecimento dos outros. Não há soluções mágicas para este dilema – tem de ser o próprio evangelho a calibrar-nos.
Para entrar no assunto propriamente dito, nos efeitos da secularização da cultura, começo por um exemplo. No livro “The Changing Soul Of Europe”, Helena Vilaça, escrevendo sobre a experiência religiosa das comunidades do leste europeu em Portugal, nota como a Igreja Católica Romana, para integrá-las, contextualizou a ajuda que lhes presta em termos de “solidariedade”, uma palavra mais compreensível numa época secular, do que a tradicional e bíblica “caridade”. A secularização da nossa cultura também se vê no modo como nos sentimos levados a usar novas palavras para velhos significados. É uma questão também delicada de palavras, sentimentos e significados.
No livro “A Secular Age”, Charles Taylor, um filósofo católico, afirma que a secularização não é apenas uma subtracção, uma perda da crença em Deus; é sobretudo a adição de uma nova maneira de viver: essa nova maneira é o que ele chama de humanismo exclusivo, que significa que todos deixámos de precisar do transcendente para encontrar sentido para a nossa existência. Até os crentes já não crêem como os crentes no passado. Os crentes podem até continuar a acreditar num Deus transcendente, mas a convicção que têm nele fundamenta-se essencialmente numa base imanente, do descanso subjectivo que extraem dessa crença sobrenatural. Por isso, nem é tanto que hoje, com uma sociedade secularizada, haja uma grande luta entre acreditar e duvidar; é mais que hoje, numa sociedade secularizada, todos acreditamos ao mesmo tempo que duvidamos – somos todos Tomés. O lugar onde encontramos significado para as nossas vidas deixou de estar no mundo que nos é externo, com realidades objectivamente transcendentes, e passou a estar na nossa mente. No mundo pré-moderno as coisas tinham um poder espiritual independentemente de se acreditar nelas ou não, estivesse esse poder em objectos como as relíquias ou a hóstia. Agora o poder fica dependente na nossa capacidade de o reconhecermos – as coisas espirituais só funcionam se acreditarmos nelas.
Permitam-me uma nota mais filosófica e histórica, assinalando a ironia, segundo Charles Taylor, de que aquilo que contribuiu fundamentalmente para o processo de secularização não foi uma vontade de expulsar Deus do mundo. Foi precisamente o seu oposto: dar mais mundo a Deus, no final da Idade Média. Parte da mudança mais revolucionária que contribuiu para a actual secularização, com a Reforma Protestante, deu-se porque se queria mais devoção – queria-se um mundo em que era também o comum que se santificava, e não apenas o sagrado. Parte da modernidade de Lutero, se quisermos aqui usá-lo como referência moderna, é compreender que o monge alemão sabia que santo precisava de ser tanto o padre como o sapateiro. A partir do momento em que há a expectativa que até os sapateiros sejam santos, colocando-lhes a Bíblia nas mãos, parte da Idade Moderna nasce ao respeitar-lhes a consciência. Uma era mais secular também é o que acontece quando o religioso sai dos limites do religioso. Em Roma a santidade arruma tudo bem arrumadinho; na Reforma a santidade mistura tudo. O mundo que vingou foi claramente o segundo, com todos os pontos positivos e negativos que daí saem.
Voltemos a Taylor e às suas três noções de “secular”:
1) O secular1, que é o secular enquanto algo temporal, mundano. Exemplo: o padre é sagrado, o padeiro (ou sapateiro, para um exemplo mais luterano!) secular.
2) O secular2, que é o secular enquanto algo neutro, não-religioso, por contraste ao que é confessional. É este secular2 que dá origem ao termo secularismo.
3) O secular3, que é o secular enquanto algo que numa sociedade permite a crença em Deus como uma opção entre outras (neste contexto, geralmente a opção menos fácil). É neste secular3 que Taylor quer trabalhar.
Taylor fala ainda sobre pressões cruzadas, um sentido generalizado na nossa cultura de que, com o eclipse da transcendência, alguma coisa se perdeu. Isto vê-se, por exemplo, na reacção que temos com momentos como o nascimento, o casamento ou a morte, continuando a atribuir-se-lhes a embalagem religiosa do rito.
No trabalho de contestar a secularização2, importa reconhecer que o que se tornou implausível não é tanto acreditar no sobrenatural; o que se torna implausível é um modo de vida que não valoriza o natural como o mais importante. A nossa época pode ser chamada de Era da Autenticidade, em que vivemos de acordo com o que descobrimos acerca de nós, sem qualquer imposição do exterior. A prática religiosa que hoje é abraçada tem de justificar nos termos do desenvolvimento espiritual de cada um. O espiritual persiste, as regras é que parecem ter mudado: “cada um tem de achar a sua fé (ou falta dela)”.
Como nota de rodapé, vale a pena mencionar a atracção que hoje muitos sentem pelo catolicismo, como uma espécie de resolução dos males da nossa Era Secular, ou da nossa Era da Autenticidade – Taylor, como católico, reconhece esta atracção que vem em modo de nostalgia. Pessoalmente, gosto de chamar este novo charme romano de Neo-Tomismo-Trinfalista, um regresso a um suposto mundo encantado anterior aos estragos que são apontados aos protestantes, que possa até “re-territorializar” espiritualmente a Europa e o mundo ocidental, atenuando ou mesmo eliminando a actual “cacofonia religiosa” (para usar dois termos de Enzo Pace). O problema é que o Neo-Tomismo-Trinfalista idealiza o passado (como se a fé dos pré-modernos fosse mais fé do que a nossa), e idealiza o presente (como se a nossa fé fosse mais fé se se livrasse do nosso contexto contemporâneo). Neste sentido, permitam-me a opinião de que as conversões ao catolicismo, mais do que serem a favor de Cristo, são contra o mundo moderno. Taylor diz que estas conversões ao catolicismo são “uma receita para um tipo de conservadorismo que enfatiza que as fontes mais profundas da cultura europeia estiveram no Cristianismo”. Esta receita funciona como uma espécie de antídoto para o relativismo moderno, podendo na sua forma mais radical demonstrar hostilidade até ao próprio sistema democrático. É um pacote sedutor mas muito perigoso, diz Taylor. Porque até esta nostalgia é um produto da modernidade que quer criticar – estamos a fazer um buffet moderno do passado.
O interesse em compreender Taylor não é, neste sentido, munir o cristão, mas ver onde o secularista já não tem munições. Na Era Secular o sentido está de tal modo no monopólio do que sentimos, do que nos é imanente, que temos grande dificuldade em exercer a nossa imaginação fora deste enquadramento. Em termos práticos, isto significa que, como raramente este enquadramento imanentista é formulado, raramente é questionado. A moldura da imanência acaba por fechar-se mais que se abrir (“it’s something we reasom from and not something we reason to”). Passamos a ter um mundo de estruturas fechadas mais fechadas que julgávamos. Como não exprimimos formalmente que construímos as nossas convicções a partir do que sentimos, não sentimos a fragilidade desta forma como vivemos. Parece muito flexível viver-se a partir do que sente, mas é bem mais rígido do que parece.
O humanismo exclusivo da nossa Era Secular monta uma dicotomia entre religião e humanismo ou, se preferirmos, fé e raciocínio. Parte-se do princípio que, como estamos aqui sozinhos, o único sentido tolerável tem de ser aquele que nós próprios criámos – como somos tudo o que existe, só pode existir o que somos, sem espaço para Deus. Aquilo que é tido como científico ganha a capacidade moral máxima, tornando irresponsável fundamentar decisões noutra base que não aquela que um pensamento científico, supostamente incontestável, nos permite. A verdade é que a ciência não nos convence por nos explicar tudo tim-tim por tim-tim (a maior parte das vezes nós vivemos perfeitamente bem sem termos coisas essenciais explicadas tim-tim pot tim-tim); a ciência convence-nos pela força com que condena que nós possamos viver sem podermos exigir que tudo nos seja explicado tim-tim por tim-tim. São coisas diferentes.
Preciso de terminar esta longa digressão. Até porque ela não traz nenhuma conclusão redonda que possa acalmar-nos hoje. Relembro duas recomendações: a secularização traz-nos provavelmente mais mudanças nas condições de crença do que propriamente na crença em si; e cuidado com as conversões! Espero que, pelo menos, nos ajude a, como criaturas do texto divino que somos, ganharmos olhos para lermos os outros textos à nossa volta.