segunda-feira, junho 18, 2018

Segunda-feira é dia de um milagre no coração
em dois minutos e meio. Hoje, Jesus choca as pessoas quatro vezes. Vê porquê.

sexta-feira, junho 15, 2018

Novidades!

Dez anos não é muito mas também não é coisa pouca se o que estiver em causa for a oportunidade de celebrar um disco que se tornou um encontro de muitos amigos. Quando o Tiago Guillul lançou no início de 2008 o seu "IV", estavam em 15 canções um aglomerado de novos músicos que em comum tinha sobretudo a zanga com uma música portuguesa que parecia pouco lhes tolerar a língua. Os ilustres desconhecidos de então, além do Tiago, eram nomes como Samuel Úria, Manuel Fúria, João Coração, Bernardo Barata e Jorge Cruz (que trazia uma história mais antiga e mais complicada) - isto só para citar uma mão cheia. O engraçado é que, à medida que o "IV" alastrou, aumentou o número de amigos que se juntaram àquela estranha e animada caravana (e, sendo sinceros, o de inimigos também).

O B Fachada foi um deles. Apesar de ter o seu caminho anterior independente, meses depois teria o seu próprio disco pela FlorCaveira, "Viola Braguesa". Ora, numa reedição do "IV" que se deseja celebração rija, haverá espaço: - para o disco original remasterizado, - para um disco de sobras (porque o Tiago estava em híper-actividade na altura e de 30 canções gravadas escolheu apenas metade para o alinhamento final), - e para um disco das canções regravadas por amigos (que irão do Fachada ao Benjamim, passando pelo Jorge Cruz, Luís Severo, Filipe Sambado, Filipe da Graça, entre muitos outros).

Na FlorCaveira a amizade é um valor e por isso é especial que a primeira canção a ser lançada, desta edição que chegará em Setembro, seja agora a afachadada "Canção de Natal". O Verão está à porta? Então metam-lhe uma estrela no topo.


quarta-feira, junho 13, 2018

Acredito em pessoas preocupadas com a alegria

[O meu amigo Jacinto Lucas Pires convidou-me para ler e apresentar, junto com o Rui Tavares, o seu livro "A Gargalha de Augusto Reis", acabadinho de sair e que vocês podem comprar em qualquer boa livraria. No lançamento partilhei esta meia-dúzia de ideias.]

1. "A Gargalhada de Augusto Reis" não é um livro qualquer. O Jacinto escreveu um livro que joga com elementos de grandeza dos quais foge. O que quero dizer com isto? Olhemos para os ingredientes: há um poeta e professor que também tinha sido político, do tempo do Estado Novo e com ligações a ele, que é Augusto reis; há, décadas depois, um jovem negro da Amadora que se forma em Direito, e cresce obcecado por um poema encontrado no lixo desse mesmo poeta do Estado Novo, que é Djalma Santos; e há uma cineasta entalada, tentando equilibrar memórias negativamente exageradas do nosso passado político nacional com uma espécie de esperança nos pobres que se constroem a si mesmos por emancipação intelectual, que é Sofia Bessa. Até há o próprio Salazar a entrar em cena. Isto na América era mais uma "novel" a tentar superar as angústias existencialistas do Século XX. Aqui, e porque o Jacinto assim parece não o desejar, dá um livro que podendo prometer uma magnum opus, se certifica que não cai nessa concretização.

2. Talvez uma razão que não permite que "A Gargalhada de Augusto Reis" seja um romance triunfal, no sentido de querer resolver o mais difícil de resolver, seja a convicção do Jacinto de que somos um país de eufemismos. A determinada altura, e logo no arranque do livro, ao falar-se sobre o dia da revolução, o Jacinto escreve: "Na confusão daquele dia, é impressionante o silêncio que resiste" (pág. 17). Na relação que temos com as palavras, seria improvável atribuirmos a elas o poder de tratarem num curativo final e eficaz aquilo que dentro de nós suscita mais facilmente a protecção de um eufemismo do que a coragem de uma afirmação concreta.

3. Isto não significa que n'"A Gargalhada de Augusto Reis" não encontramos a crença no poder de as palavras nos darem esperança. Como escreve, a pretexto do episódio em que Djalma encontra o antigo poema, Jacinto diz que: "a dificuldade em atravessar aquelas frases para o que elas guardam atrás delas é a prova de que aquilo não é uma coisa qualquer. (...) A estranheza daquelas palavras é para ele a garantia de que há ali algo mesmo raro e importante" (pág. 44). A partir do momento em que um miúdo lê algo assim, algo que se recusa dar completamente a entender ao mesmo tempo que mostra transportar algo valioso, está nascida uma vontade de, pelo menos, arriscar em querer mexer no assunto. Rapidamente o Djalma tenta fazer poesia, por sinal, mazinha "mas esses versos falhados haviam posto algo em movimento" (pág. 45).

A importância das palavras vem também em forma de pergunta: "Não corremos o perigo de tornar a linguagem tão neutra que, no fim de contas, tudo possa ser uma coisa e o seu contrário?" (pág. 133). Ao mesmo tempo, há uma graciosa referência a Camões que nos oferece uma natureza literária para o Portugal que somos, "o grande poeta zarolho nadando com um braço de fora para salvar o poema da nação. (...) Um herói que salva palavras; que povo descenderá de tal gesto?" (pág. 193).

3. N'"A Gargalhada de Augusto Reis", Djalma re-urbaniza a cidade por onde circula memorizando textos. Diz assim: "Porque não tem livros e tudo o que lê lê na biblioteca, Djalma dos Santos anda com os seus poemas preferidos na cabeça durante muito tempo. Sem querer, começa a ligar versos ou títulos, poetas ou géneros de poesia, a lugares do seu percurso habitual" (pág. 51). À medida que decora poemas, as ruas passam a organizar-se a partir dessa memória literária. Esta imagem é fortíssima e inspiradora, para alguém, que como eu, tenta o mesmo com textos bíblicos. No fundo, esta é, ela própria uma imagem bíblica: se Deus criou todos os lugares pelo poder da palavra, é no mínimo justo que os reconheçamos também por esse mesmo poder.

4. A figura do padre Jesuíta, António Frateira, traz um dilema religioso interessante: se, por um lado, sabemos do equívoco que é "crentes que confundem seriedade com tristeza" (pág. 68), e que ele ajuda a dissipar, por outro, ele é um prontíssimo e talvez precoce tradutor de uma realidade que parece sempre difícil de ser entendida pelos mais simples.

5. É nessa mesma dificuldade de compreender a realidade que Sofia Bessa, a documentarista, se encontra, encarnando bem a angústia da geração de novos adultos, muito incapazes de lidar com pessoas realmente diferentes. Quando realiza o seu documentário sobre  Augusto Reis, o homem de indistintas ligações ao Estado Novo, luta com a tarefa de "pintar o retrato do inimigo - para depois tentar amá-lo?" (pág. 130). Nós, que hoje temos informação sobre tudo e sobre todos, não estaremos a fazer de toda essa informação um afastamento prévio de tudo o que nos parece estranho? A lente de Sofia quer ver mas, por vezes, parece que quanto mais vê, menos percebe.

6. Por fim, quero falar no elemento que a contracapa já traz como "spoiler", como dizem os miúdos agora: a alegria. Esta é a verdadeira luta deste livro e, eventualmente, do próprio Jacinto. É uma rica luta, apetece acrescentar. A determinada altura o Jacinto escreve: "A partir da morte do seu amor, as palavras foram-se tornando opacas para ele. Perderam a possibilidade de ser preenchidas de mundo, de surpresa, de vida e começaram a mirrar" (pág. 212). "A Gargalhada de Augusto Reis" é, nessa qualidade de erupção (a gargalhada é mais a alegria a espirrar do que a falar), mais um livro sobre procurar a alegria do que propriamente sobre encontrá-la. Quer-me parecer que esta é uma grande oportunidade para nós lermos atentamente o Jacinto. Pessoalmente, eu acredito em pessoas preocupadas com a alegria.


segunda-feira, junho 11, 2018

Segunda-feira é dia de um milagre no coração

em dois minutos e meio. O desta semana explica rapidamente porque o perdão dos pecados é a super-cura.

quinta-feira, junho 07, 2018

OUVIR PORTUGAL – ENCONTRO CDS (4 de Junho de 2018)

[Na segunda-feira passada estive num encontro promovido pelo CDS para se conversar sobre as questões políticas da cultura. Senti que, em grande parte, fui desiludir aquela gente esperançosa. Não tenho qualquer solução para as questões do 1% do orçamento do Estado para a cultura porque, como lá disse, sou relativamente agnóstico em relação à cultura. Não sei se acredito assim tanto na existência da cultura, pelo menos como ela é falada pela maioria dos políticos. Valeu-me a generosidade das pessoas, que me ouviram sem me apupar, sobretudo da Raquel Abecassis, do Diogo Belford Henriques e da Assunção Cristas. Também me valeu o facto de ter conhecido o actor André Gomes, a enérgica Catarina Valença Gonçalves e o realizador de cinema Joaquim Sapinho (acho que eu e o Joaquim fizemos click). Segue o texto que serviu de base à minha bem-intencionada mas provavelmente intervenção-sabotagem do programa previsto.]
Estar num encontro com o título “Ouvir Portugal” pode ser intimidante. Afinal, com cinco convidados, quase pode parecer que me cabe, no mínimo, a responsabilidade de representar quantitativamente 20% por cento da população portuguesa. Tenho medo de haver alguém que possa esperar da minha parte esse nível de eco responsável. Não vou ser capaz de o fazer.

Por outro lado, também me intimida o facto de este “Ouvir Portugal” ser mais particularmente “sobre cultura” e eu, ao contrário da maior parte das vezes, estar identificado, não como pregador ou pastor evangélico que sou, mas como músico, que também sou. Faz-me lembrar quando a minha filha mais velha, a Maria, começou na escola a ter de preencher a minha profissão e preferia colocar músico em vez de pastor. Não fujo de que músico também vou sendo, mas, mal por mal, sinto-me mais à vontade na pele do lobo do que na pele do cordeiro. Creio que concordarão que os músicos, e os artistas no geral, tendem a ser politicamente mais vistos como vítimas, e os pregadores como potenciais opressores – calha bem porque raramente gosto de fazer parte dos bons.

Por isso perdoarão a batota que vou fazer. Apesar de estar identificado como músico, e este evento ser sobre a cultura, vou dar a volta e usar uma definição de cultura que serve melhor as minhas preocupações religiosas. Para isso, vou pôr-me à sombra do T.S. Eliot e do seu livro “Notes Toward A Definition Of Culture”.

Segundo Eliot, o pensador americano tornado inglês, não há desenvolvimento de uma cultura sem o desenvolvimento de uma religião, e vice-versa. Isto não significa necessariamente a dissolução da boa separação entre Estado e Igreja (interessantemente, valor defendido pela confissão a que pertenço, os Baptistas, há mais de 400 anos). Eliot sabia que quando, por exemplo, há atrito entre a política e a religião, isso mostra que essa cultura se tornou mais complexa - e essa complexidade e diferenciação geram níveis culturais diferentes. Por exemplo, nas artes, à medida que uma sensibilidade cresce, outra pode diminuir - não dá para haver todas as áreas a desenvolverem-se ao mesmo tempo. O que retira a quem governa a preocupação de promover um programa de nivelamento cultural dos cidadãos. Claro que, ajudados por Eliot, podemos entender o saudável que é um Estado preocupar-se com uma alfabetização obrigatória sem que isso signifique uma política cultural igualitarista - geralmente esta última tende a ser uma especialização das ditaduras.

Eliot preocupava-se com dois erros que são dois extremos opostos: achar que a cultura pode sobreviver sem religião, e achar que a religião é melhor quando se purifica dos supostos males da cultura. Ele escrevia: “A sensibilidade estética deve estender-se à percepção espiritual, e a percepção espiritual deve estender-se à sensibilidade estética, antes de nos sentirmos capazes de julgar acerca da decadência, do diabolismo ou do niilismo na arte (Aesthetic sensibility must be extended into spiritual perpection, and spiritual perception must be extended into aesthetic sensibility and disciplined taste before we are qualified to pass judgment upon decadence or diabolism or nihilism in art)”. Eliot tinha uma cabeça boa, não acham? Parece-me que sim. Embora pode ser que haja alguns que pensem que já nos estamos a aproximar do domínio de um sermão.

O valor que quero sublinhar em Eliot nesta tarde é a ideia de que a nossa cultura é sempre o modo como vivemos a religião que temos, mesmo que essa religião não tenha o nome de religião, mas seja simplesmente o quadro de valores em que cremos. O que não podemos negar é que a palavra “religião” tem vindo a ganhar uma carga complicada para uma cultura que, creio, foi em grande parte produto dela. A prova é que até para um partido tido como conservador, como o CDS, as questões “religiosas” se tornam difíceis de lidar. Ora, como pastor evangélico, vou usar de uma liberdade que é a confissão de pecados. Geralmente a confissão auricular católica romana é privada e prudente, mas, como protestante que sou, posso dar-me ao luxo do oposto: vou aqui, diante de todos, confessar publicamente o pecado de andar a votar no CDS nos últimos anos. E é daqueles pecados complexos porque tenho ficado com alguns problemas de consciência.

Tenho votado no CDS porque, dentro dos partidos políticos portugueses, parece-me aquele que, ainda assim, consegue assumir alguma relação entre culto e cultura: há aqui alguma tradição de não ser pecado misturar convicções religiosas com convicções políticas. Mas algumas das vitórias da esquerda, que parecem vir com o carimbo do irrecusável progresso civilizacional, como a despenalização do aborto e o casamento de pessoas do mesmo sexo, têm permitido que gente como eu, que continua a tê-las como prejuízos morais, só possa ser tolerada como os descendentes actuais do Diácono Remédios. E já nem no CDS parece haver grande espaço para Diáconos Remédios como, à falta de melhor referência, pessoas como eu possam ser comparadas. Sim, a minha vantagem como pregador do evangelho é que não somente acredito em absolutos morais como sou pago para os defender: é uma união interessante entre liberdade religiosa e liberdade de mercado.

Ironicamente, parece haver um consenso oficioso que junta as elites culturais às causas típicas da esquerda para criminalizar na opinião pública a possibilidade de qualquer perspectiva dissonante. Ou seja, reconheço que o meio artístico, precocemente convicto da sua abertura de horizontes, e em Portugal blindado por uma espécie de mentalidade sindical, é hoje dos meios mais hostis a qualquer dissonância ideológica. Por isso, e apesar de haver quem me considere artista, talvez seja mais fácil confiar num político do que num colega das artes. Mal por mal, os políticos passam a vida a mudar de posição.

Para quem pode, na sua liberdade, usar termos como “absolutos morais”, pode também dar-se ao luxo de ser meio apocalíptico. Já conversei sobre este assunto com a Assunção Cristas e com o Adolfo Mesquita Nunes, em conversas na Igreja que sirvo, na Lapa (e que podem ser vistas no YouTube): está o CDS pronto e interessado em valer quem hoje assume a forma provavelmente mais ousada e polémica de liberdade artística e de expressão que é a religiosa? Se os detentores das auto-proclamadas conquistas civilizacionais, como a despenalização do aborto e o casamento de pessoas do mesmo sexo, olharem para vozes discordantes como a minha, e as legislarem como crimes de ódio, quem nos vai valer? A minha experiência política não é grande, mas já vi na internet um deputado do PS, uma filha de um Presidente da Assembleia da República e uma ex-namorada de um ex-Primeiro Ministro insinuarem que vozes como a minha não deveriam ser permitidas numa rádio pública, isto tudo a pretexto de uma canção minha que, passando na Antena 3 tomava a liberdade de falar sobre um “maricas que reinava com a t-shirt dos Suede”.

Termino resumindo: a minha proposta para a melhor cultura do CDS deve ser um compromisso com um dos modos mais ameaçados de liberdade artística que é a religiosa.


Ouvir

Como podemos ser moralmente superiores aos Fariseus? Porque a nossa superioridade moral tem o tamanho do perdão dos nossos pecados. A nossa superioridade moral é, paradoxalmente, o reconhecimento da nossa miséria moral sem Jesus. E este paradoxo é a cura mesmo: Jesus quer que os habitantes do seu Reino sejam moralmente superiores aos Fariseus porque aquilo que garante a entrada no Reino não é a justiça com que os seus habitantes aí merecem entrar, mas a misericórdia com que o Rei Jesus aceita a entrada deles. A superioridade moral dos discípulos de Jesus tem o contorno de uma cruz, porque é na cruz que esta transacção entre a nossa culpa e a justiça de Jesus é feita.

O sermão de Domingo passado, chamado "Quanto maior és moralmente, mais humilde ficas", pode ser ouvido aqui.

terça-feira, junho 05, 2018

Segunda-feira é que é o dia de um milagre no coração em dois minutos e meio

Mas como ontem havia o artigo do Observador, vejam hoje.

No Observador

O Observador publica uma entrevista comigo. Foi um privilégio ter o Bruno Vieira Amaral a fazer-me perguntas. Leiam aqui: https://observador.pt/especiais/tiago-cavaco-a-minha-geracao-e-mais-intolerante-em-termos-religiosos/!

sexta-feira, junho 01, 2018

Walter White

Quando eu e a Ana Rute acabámos de ver o Breaking Bad foi completamente diferente de todas as outras ocasiões em que acabámos de ver uma série de televisão. Já vimos e gostámos muito de várias séries (tenho dado conta disso ao longo do tempo no blogue). Mas o Breaking Bad foi mais do que uma série - no meu caso, não é exagerado dizer que teve a ressonância de um momento de iluminação pessoal. A história do Walter White não foi uma coisa que vi no ecrã mas foi alguma coisa que vi em mim.

Isto aconteceu em Dezembro do ano passado, quando terminando a revisão do livro "Milagres no Coração", fiquei entusiasmado para gravar um disco com o mesmo nome. O impacto daquela noite de Domingo em que vimos os quatro últimos episódios de seguida, indo contra a nossa rotina, deu-me uma certeza para segunda-feira: tenho de registar o que sinto em som. Teoricamente tentaria fazer uma canção. Mas o formato de canção pareceu-me constranger aquilo que vinha mais como uma desabamento. Já escrevi centenas de canções na vida e acredito no poder delas. Mas a canção tende a pedir algum poder de contenção, de compromisso com algum tipo de forma que, no caso daquilo que eu queria falar sobre o Walter White, me parecia injusto. Eu não queria arredondar poeticamente o efeito do Breaking Bad em mim - eu queria cuspir aquilo cá para fora o mais rápido possível, mais numa lógica de choro irrefreável. Porque era de lágrimas mesmo que se tratava.

É certo que há uma tradição musical de spoken word, é certo que curto para xuxu o Mark Kozelek. Mas esta coisa chamada "Walter White" que meti no disco não se quer sentar propriamente no sofá que esses dois encostos permitem. No disco é uma invasão emocional que desestabiliza o alinhamento e, por isso, esperei dos poucos ouvintes que ainda têm paciência para os meus discos alguma estranheza e até alguma censura. Curiosamente, tem funcionado ao contrário. O objecto esquisito tem sido o mais elogiado. O que me deixa mesmo contente. Acho que consegui transmitir alguma da coisa do impacto da história do Walt.

Ontem fiz uma espécie de postal ilustrado em movimento para a canção. Não é bem um videoclip. É mesmo aquilo que mostra: ontem a família Cavaco foi à praia, skatando, passeando, jogando à bola e mergulhando, e esse tipo de momentos em família dão-me uma felicidade que associo ao poder da história do Breaking Bad. Arranjei um telemóvel com uma câmara nova e gravei partes que juntei e pus em preto e branco. É simples e é assim que me parece bem. Não vou dar mais explicações sobre a canção porque, como lá digo, explicar mais é estragar o modo como ela aconteceu. É verdade que continuo com saudades do Walter White. É verdade que o Walter White me faz amar mais Jesus porque, eu não sou muito diferente dele e, por causa disso mesmo, valorizo o facto de haver alguém que tenha morrido para me poder salvar da minha maldade que, à semelhança da do Walter, pode tornar-se monstruosa, havendo um momento de maior fraqueza em que julgo poder tomar nas minhas mãos a solução para um sarilho maior do que eu.

Chega de sermões. Ouçam a canção e vejam as imagens bonitas da felicidade da família Cavaco.

quinta-feira, maio 31, 2018

APRENDER A ESCREVER (Encontro Refletir, 30 de Maio de 2018)

Quero começar por lutar contra uma dicotomia infeliz que, em grande parte, teima em persistir dentro de muitos cristãos evangélicos. Essa dicotomia separa letra do espírito, e inspira-se numa leitura apressada de 2 Coríntios 3:6, que diz: “porque a letra mata, mas o espírito vivifica”. Não sendo o meu propósito pregar-vos este texto, não resisto a deixar que o contexto enxote leituras preguiçosas.

Na segunda carta de Paulo aos Coríntios um dos assuntos é a existência de supostos novos super-apóstolos que diziam que Paulo estava ultrapassado. Creio que não é exagerado colocar esta oposição entre Paulo e os seus acusadores nestes termos: estes últimos apresentavam o seu ministério praticamente em termos de super-poderes, como se o verdadeiro apostolado fosse uma capacidade especial. Ora, Paulo faz nesta carta uma viagem que parece uma montanha-russa para dizer que, mesmo no campo das capacidades especiais, os adversários de Paulo ainda tinham muita sopinha para comer. No capítulo seis isto é ilustrado no currículo inultrapassável de sofrimentos, e no capítulo 11 o mesmo vem em dose renovada, com menção ao topo dos topos, em termos de experiências espirituais: o arrebatamento aos céus, fosse ele em espírito ou corpo. A ideia era basicamente esta: mesmo que a questão fosse colocada em termos de capacidades ou experiências pessoais, ninguém batia Paulo.

Neste sentido, a “letra” do verso 6 do capítulo 3 não pode ser dissociada do que Paulo rejeita, de uma interpretação da fé completamente centrada no indivíduo e naquilo de que ele é capaz. A “letra” era para os legalistas o seu super-poder, do mesmo modo que os novos apóstolos demonstrariam os seus poderes espirituais especiais muito superiores aos de Paulo. No caso dos legalistas, eles não são pessoas que respeitam a lei de Deus, mas pessoas que a tornam pequena à medida dos seus próprios interesses. O legalista domina astutamente a lei, em vez de se deixar dominar pela lei. Actualizando, o legalista ou o super-apóstolo é um cristão que domina a parte do cristianismo que lhe agrada, impedindo que seja o cristianismo a dominá-lo a ele. A “letra” é o domínio que lhe é conveniente.

É a esses a quem Paulo tem de lembrar que esse tipo de selecção interesseira da lei, essa “letra”, é mortal. Porque é uma letra que dispensa o seu autor, o próprio Deus que se revela através do Espírito Santo nos escritores da revelação. Devemos compreender isto de uma vez por todas: o legalista, a pessoa centrada na “letra”, é alguém que faz de uma escolha selectiva da lei de Deus um modo de se afirmar a si mesmo, e não um modo de afirmar o autor da lei que é Deus. O futuro do legalista, ou de qualquer pessoa que age selectivamente com a fé, é a morte porque sem Deus não temos vida.

Quero fazer uma ligação a outro texto bíblico, que serviu de refeição do sermão passado que preguei, nas palavras de Jesus no Sermão do Monte (5:17-20): “17 Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. 18 Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra. 19 Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus. 20 Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus”.

Assim muito rapidamente, há aqui alguns valores que quero sublinhar para a nossa reflexão:

1. Para Jesus, o seu Reino (o grande assunto do Sermão do Monte) constrói-se como cumprimento do passado e não como rejeição dele. Simplificando muito, diria: qualquer expressão cristã que desdenha o valor da tradição cristã, desdenha do futuro do próprio Reino de Deus.

2. Jesus liga o cumprimento de regras éticas que são independentes de nós (ou a lei, se preferirmos) à experiência completa do seu Reino. Simplificando muito, diria: qualquer expressão cristã que valorize a experiência subjectiva sobre verdades morais objectivas é uma obliteração, ainda que inconsciente, da vivência plena do Reino de Deus.

3. Jesus reconhece o empenho nas pessoas que falham na compreensão fundamental da lei, tornando-se legalistas, como os Fariseus. Simplificando muito, diria: qualquer expressão cristã que não procure um empenho maior do que o empregue por aqueles que a rejeitam, perde a oportunidade de experimentar o Reino de Deus na intensidade desejável por Jesus.

Porque começo com uma introdução potencialmente tão chata o assunto “Aprender a escrever”? Porque receio que nos faça bem, como ponto de partida, reconhecer que, enquanto cristãos evangélicos, temos caído em alguns erros:

1. Temos nutrido, ainda que sem querer, uma cultura que olha com suspeição para toda a leitura e escrita, que não estejam estritamente ligadas à fé. Nesse sentido, alimentámos um anti-intelectualismo que, ironicamente, nos torna vulneráveis a qualquer coisa que não aprendemos a ler. Debaixo da ideia certa de valorizar a leitura a Bíblia acima de qualquer outra, frequentemente metemos nela tudo o que lá não está porque não sabemos ler o resto. Dizendo à bruta: não aprendemos a escrever porque temos medo de ler. Desdenhamos da tradição milenar de escritos cristãos e de outros, como se o passado fosse desligado do Reino futuro. Neste erro mais facilmente caem os fundamentalistas.

2. Por outro lado, e talvez no outro extremo, alimentamos uma tendência anti-dogmática como se o reconhecimento corajoso e formal de verdades absolutas fosse contrário ao plano de Jesus para o seu Reino. Tomamos a teologia e o estudo sistemático da Escritura como um terreno que diminui a liberdade do Espírito, como se a revelação escrita fixa na Bíblia não fosse trabalho da liberdade do Espírito Santo. Jesus levou a teologia a sério ao ponto de discuti-la logo aos doze anos com os mestres em Jerusalém e ao longo de toda a sua vida, mas nós consideramo-nos mais espirituais do que o próprio Cristo, como se ele desperdiçasse com ninharias um tempo que nós não temos. Empobrecemos a nossa coragem teológica andando a reboque das tendências externas à Igreja, disfarçando o nosso medo pós-moderno de humildade epistemológica. A este podemos chamar o erro dos relativistas e das suas diversas auto-denominadas pós-teologias.

3. Como sugestão de superação deste impasse, quero resumir a minha proposta. E, como podem antecipar, a solução será sempre Cristo. Claro que reconheço o erro que tão bem o Apóstolo Tiago apontou, de sermos apenas ouvintes da palavra e não cumpridores. Venho de um contexto calvinista em que é elevado o risco de policiamento teológico desgarrado de uma experiência humilde e concreta de Jesus nas nossas vidas. Conheço bem a atracção do legalismo porque o meu coração é tendencialmente legalista. Mas também sei que o relativista cai no mesmo erro, apenas usando a outra face da moeda. Quer o legalista, quer o relativista concentram a sua fé em si mesmos: o primeiro, no que faz; o segundo, no que não precisa de fazer. O legalista faz para ser é bom; o relativista, como já é bom, não precisa de fazer. Não vos falo nem do legalista nem do relativista, mas da palavra viva que é Jesus. Cristo é a salvação do legalista e do relativista e ele manda-nos fazer um melhor trabalho do que qualquer um deles. Logo, temos de estar atentos ao que se escreve à nossa volta.

O cristianismo é uma fé da palavra. É da palavra que tudo acontece. Nem é justo dizer que é uma fé de palavra e acção porque só pode haver acção se houver palavra. Génesis 1 e João 1 explicam-nos que é a palavra que cria tudo. Vivemos numa época que diz que as palavras são aquilo que os homens quiserem fazer delas, mas nós sabemos que, na verdade, os homens é que são feitos pela palavra. Numa fé assim não dá para desvalorizar leitura e escrita porque de cada vez que alguém lê ou escreve está a manusear a célula fundamental de tudo o que existe: a palavra. A palavra é importante ao ponto de, tendo criado tudo, se ter tornado, ela mesma, criatura em Jesus Cristo. A palavra é o mais importante porque Cristo, sendo a palavra feita pessoa, é o mais importante. O sentido da nossa existência é caminharmos em direcção ao dia em que a palavra, em tudo o que tem de físico, nos mostrará o seu rosto. A palavra é uma pessoa tão boa que merece que a adoremos por toda a eternidade. O Apocalipse descreve a presença desta palavra junto de nós, Jesus Cristo, com uma potência tal que o sol é uma fraca iluminação comparado com ela (Apocalipse 22:4-5). Temos de desprezar a dicotomia que separa a palavra da acção – com Cristo, a segunda é sempre consequência da primeira.

Foi o cristianismo, herdeiro do Judaísmo, que valorizou a escrita e a leitura como nenhuma outra religião. Fazendo uma ligação muito directa, deixem-me perguntar: como é possível que pastores e líderes cristãos sejam pessoas de pouca leitura e pouca escrita? Não me interpretem mal. Não estou a dizer que todos temos de nos armar em intelectuais. Mas, de facto, todos temos de ser leitores capazes porque ser cristão é, basicamente, saber ler. O cristão lê que Cristo, a palavra que encarnou, é Deus. Neste sentido, a salvação é sempre uma leitura. Não é casual que o Judaísmo tomasse a capacidade de um menino saber ler como um início da sua verdadeira capacidade moral. É, por isso, especialmente chocante, que a fé da palavra passe por uma religião que tem medo suscitar a leitura dos crentes.

Num mundo feito pela palavra de Deus, tudo é texto. O universo é um texto e até nós, como criaturas criadas pela palavra, somos textos. Escrever ou ler é apenas viver. A questão não é aprender a escrever. Escrever já todos escrevemos, mesmo que sem colocarmos coisas no papel. A questão é ganhar consciência do tipo de textos que estamos a escrever. Basta acordar pela manhã e respirar, que esse já é um texto que estamos a encarnar. A questão é escrevermos os nossos textos, vivermos as nossas vidas, numa direcção concreta de encontro com a palavra encarnada que é Cristo.

Quero sugerir algumas pistas simples, depois de uma reflexão que quis que fosse mais teológica e filosófica. Vamos tentar encarnar sugestões práticas? E agora vou sentir-me mais à vontade para me espalhar ao comprido.

1. Escrever bem é um dom. Nem todos somos grandes escritores. Como a Bíblia nos ensina, tudo nos é dado, para que ninguém se orgulhe. Logo, se tens um dom de palavra, que passe pela oratória ou pela escrita, lembra-te de que vais ter de prestar contas a Deus por aquilo que, sendo dele, ele te emprestou aqui. Se é o teu caso, o que tens produzido na tua vida com o dom da palavra que te foi dado? Toma em consideração a ligação entre passado e futuro que Jesus valoriza no seu Reino. Que herança da palavra estás pronto para deixar aos que vêm a seguir a ti?

2. Se é certo que nem todos temos o dom da escrita, todos escrevemos. O que tens tu decidido escrever numa era em que muitos mais se lêem uns aos outros? Eu, que tenho pecados terríveis nesta área no meu passado, quero encorajar-te: escreve para enfatizares que te vais encontrar com o verbo vivo que é Jesus. Pega-te com os outros, pega-te contigo mesmo antes ainda, mas em todas as pegas que te meteres faz por honrar o encontro futuro com Cristo. Pastores e líderes, sejamos corajosos e cautelosos com o que escrevemos, por exemplo, nas redes sociais. A nossa influência é real e teremos de prestar contas dela.

3. Quando escrevemos o que vivemos, é como se tivéssemos de viver novamente o que escrevemos com o órgão da meditação aceso. O cristianismo deu no Ocidente uma tradição de memórias e confissões, de romances e aventuras, porque escrever é viver outra vez com mais consciência. Tens essa prática de escrever sobre o que vives? És capaz de colocar em escrito a confissão de um pecado, uma oração, uma determinação de mudança? Encorajo-te a isso. O tema deste encontro é a Intimidade – não há verdadeira intimidade com Deus, connosco próprios e com os outros sem uma meditação séria e a escrita é uma arma nessa batalha.

4. Para os pastores, e respeitando aqueles que seguem uma onda mais pentecostal, encorajaria a pelo menos escreverem topicamente os seus sermões. O sermão é tragicamente um género literário abandonado pelos seus maiores cultores, os cristãos evangélicos protestantes. Certamente que a maioria não publicará os seus sermões em livro, mas um sermão escrito é uma fonte de escrutínio, de reescrita, de reciclagem, de correcção (quando necessário), de exortação à distância, entre outros aspectos. Continuo a ficar humildemente surpreendido com o efeito da publicação de alguns dos meus sermões, anos depois de terem sido pregados. Pastores, os vossos sermões deveriam ser o rosto público do vosso ministério porque a fé vem pelo ouvir e há muitos mais hoje que podem ouvir, através da tecnologia digital.

5. Se tivesses de citar dez livros que mudaram a tua vida, além da Bíblia, conseguirias? Não precisas deles para entrar no Céu, mas talvez dês melhor testemunho do Céu aqui na terra se, com a ajuda destes livros, ganhares uma linguagem comum com aqueles que precisam da palavra eterna e ainda não a ouviram. Dou dez dos meus, com uma pequena frase descritiva.

- "The Screwtape Letters" de C.S. Lewis

Viver muito com Deus deve levar-nos a perceber um pouco do diabo.

- "Confissões" de Agostinho

A maneira de escrever uma auto-biografia é descobrir a história de Deus na nossa própria história.

- "Pensamentos" de Pascal

Há obras inacabadas que não acabam de nos inspirar.

- "Huckleberry Finn" de Mark Twain

A viagem do jovem Huck é um circuito de ternura digno de um homem completo.

- "Ortodoxia" de Chesterton

O cristianismo é a fé dos paradoxos.

- "Complete Short Stories" de Flannery O'Connor

Ficções de uma autora cristã no território do diabo.

- "Temor e Tremor" de Kierkegaard

A história de Abraão e Isaque nunca mais será a mesma.

- "Institutas" de Calvino

A fé é mais do que pensar, mas pensar faz parte da fé.

- Correspondência com Erasmo de Martinho Lutero

Lutero é o apóstolo da polémica redentora.

- "Sermões" do Padre António Vieira

Portugal tem um dos maiores pregadores da história e os portugueses não o querem ouvir.

Aprender a escrever é natural para quem foi criado pela palavra e salvo pela palavra. Cristo é tudo e a nossa leitura e escrita devem afirmar isso mesmo. Que Deus nos ajude a todos!

quarta-feira, maio 30, 2018

Vontade


terça-feira, maio 29, 2018

Ouvir

O legalismo, que é uma selecção astuta daquilo que na lei nos agrada, não se combate com relativismo. Há muita gente a cair hoje neste erro. Como vêm o mal do legalismo julgam que a solução é o seu inverso, o de rejeitar uma moral absoluta ou algo que pareça dogmático. O relativista combate o legalista com menos ainda do que o seu adversário. Mas a solução para a parcialidade, que é o legalismo, é a integridade. O legalismo combate-se com integridade, com perfeição. A solução é mais e não menos, e por isso não é de estranhar que Jesus diga que o nível dos que o seguem deve estar acima do nível dos Fariseus (no verso 20: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus”).

O sermão de Domingo passado pode ser ouvido aqui.

segunda-feira, maio 28, 2018

Segunda-Feira é dia

De um milagre no coração em dois minutos e meio.

terça-feira, maio 22, 2018

Ouvir

Parece contraditório mas não é; é exigente e torna-nos humildes: os cristãos podem ser perseguidos por pessoas que serão más para eles; mas esses mesmos cristãos são chamados a tornar o mundo das pessoas que serão más para elas mais saboroso e iluminado.

O sermão de Domingo passado, chamado "Sal que exige cirurgia cardíaca", pode ser ouvido aqui.

segunda-feira, maio 21, 2018

Uma experiência

Não sou um pregador que pregue pouco nem escritor que escreva pouco. Por isso, resolvi fazer um exercício de síntese e simplificação com os sermões do meu último livro. Em 2 mns exponho o 1º. Isto não dispensa que o comprem e o leiam!

No evangelho de Marcos a diferença entre o herói e o vilão não é tão simples assim


segunda-feira, maio 14, 2018

Mais do que informação


quarta-feira, maio 09, 2018

Ouvir

O sermão de Domingo passado, chamado "A perfeição da perseguição", pode ser ouvido aqui.



Dez afirmações essenciais:

1. Somos astutos seleccionando as bem-aventuranças que nos agradam, mas ignorando cuidadosamente o lugar de perseguição onde elas nos devem levar.

2. Não interessa isolar as bem-aventuranças do facto de se fazer parte do Reino de Jesus. O ponto de ser de acordo com as bem-aventuranças é o ponto de fazer parte do Reino dele.

3. É bom ser perseguido porque isso indica uma pertença ao Reino de Jesus que é melhor ainda.

4. A pessoa que persegue os cristãos, ainda que inconscientemente, persegue o próprio Cristo. Por isso mesmo, quando Saulo perseguia os cristãos (Actos 9:4), Jesus aparece-lhe e pergunta-lhe: Saulo, Saulo, por que me persegues?

5. Ser perseguido por causa da justiça não pode ser uma causa em si, mas é uma consequência de ser verdadeiramente cristão.

6. A perseguição existe para todos os que declaram a gravidade de rejeitar Jesus. Quem amaciar isto não terá qualquer perseguição. Quem não chateia ninguém, não é perseguido por ninguém. Quem não se sente realmente ofendido, não se dá ao trabalho de perseguir alguém.

7. Muitos de nós fomos aliciados a querer ser sal e luz como uma espécie de reconhecimento público geral. É o contrário. Ser sal e luz é equivalente a ser perseguido. Logo, a perseguição, podendo parecer negativa, é o condimento e a luz para um mundo sem sabor e às escuras.

8. Não devemos esperar um jogo limpo daqueles que odeiam Cristo. Aliás, por razão é que as pessoas que não querem ter um coração limpo haveriam de jogar limpo com os cristãos? Sermos vítimas de mentira e difamação é o resultado mais natural de alinharmos por Jesus.

9. Não nos alegramos na perseguição em si - não somos masoquistas. Nós alegramo-nos naquilo que a perseguição vai dar: um galardão nos céus.

10. Não é raro ouvir cristãos a reprovarem que se fale de Jesus a partir do risco do Inferno ou a partir da recompensa do Céu. Até o nosso querido C.S. Lewis caiu nesse erro. Mas a verdade é que o próprio Jesus não nos ensinou a viver a vida cristã desinteressadamente.

sexta-feira, maio 04, 2018

Na Teologia

A pressa não é um prémio.


quinta-feira, maio 03, 2018

Olha aí

Os Milagres no Coração na tevê!

quarta-feira, maio 02, 2018

Ouvir

Um pacificador comporta-se de acordo com a paz que traz nas palavras. Entre outras coisas, um pacificador não fala contra a dignidade de um adversário. Quanto mais hostis são connosco, mais nos merecem o empenho. Por isso mesmo, e neste mesmo sermão, Jesus vai pedir mais à frente que amemos os nossos inimigos. Amar os amigos é natural; amar os inimigos é sobrenatural - a bem-aventurança da pacificação tem esta mesma lógica.

O sermão de Domingo passado pode ser ouvido aqui.

segunda-feira, abril 30, 2018

Maus somos todos

Mas Deus pode chegar aos piores.


quarta-feira, abril 25, 2018

A aquecer para Sábado

O livro já aí anda em qualquer livraria!


terça-feira, abril 24, 2018

Ouvir

O poder que está em causa quando nos relacionamos com Jesus não é os inimigos daqui que conseguimos vencer, mas a paz que devemos procurar com todos, até com aqueles que nos fazem a vida mais negra. Se quisermos simplificar mais, o verdadeiro poder de Jesus é a sua paz.

O sermão de Domingo passado, chamado "A paz é o poder dos poderes", pode ser ouvido aqui.

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terça-feira, abril 17, 2018

Os Piratas

Conversando acerca de "altar calls". Como é? Faz-se apelos para que as pessoas se convertam ou não? A presença do Franklin Graham foi o pretexto.

terça-feira, abril 10, 2018

Ouvir

No tempo de agora, ser misericordioso não é ser bom tendo a garantia de a maldade ficar já resolvida; ser misericordioso é ser bom mesmo quando a maldade pode continuar. Geralmente queremos a justiça aqui e agora, garantindo que a maldade fica resolvida. Mas a misericórdia é a sobrevivência da bondade quando a maldade ainda está por resolver. Por isso mesmo, R. Govett dizia que a misericórdia é mais bem manifestada quando os maus estão no poder. Por isto tudo, ser misericordioso é o resultado de estar com fome e sede de justiça. Ainda não temos a justiça agora, mas a garantia de ela nos ser dada no futuro transforma-nos o carácter já.

O sermão de Domingo passado, chamado "Misericórdia é não desistir do bem na vitória do mal", pode ser ouvido aqui.

segunda-feira, abril 09, 2018

A capa do disco

Quando acabava a revisão deste livro de sermões, dei por mim a gravar oito canções que servem de acompanhamento musical para o livro (ou, como os miúdos dizem agora, de playlist). Este disco, com o mesmo título de "Milagres no Coração", é uma edição da FlorCaveira com a Valentim de Carvalho. Nele, o que se diz guia o que se toca, num registo despojado e sem artifícios - nu e cru.

Como a capa dá para mostrar, com a corajosa fotografia do Hugo Moura, este é um disco de chegada à (crise da) meia-idade. Este disco tentou ser o meu primeiro disco de louvor. Disco de louvor é no vocabulário de um cristão evangélico um disco de canções que directamente adoram Deus, canções essas que podem ser usadas num serviço de culto normal de uma igreja. Apesar de ser um cristão evangélico e um músico, nunca em 40 anos me apeteceu fazer um disco tão religioso, nesse sentido tão restrito. A questão é que, na tentativa de fazer um disco de louvor, rapidamente comecei a louvar de uma maneira que para muitos será considerada oblíqua. Comecei a louvar o Deus do Céu a partir das coisas da terra. Na verdade, não há qualquer heresia nisso, antes pelo contrário.

As canções são sobre filmes como o "Karate Kid", "Os Ladrões de Bicicletas" e "O Padrinho", sobre a série "Breaking Bad" e, vá lá, também vão ao Santo Agostinho, ao David Foster Wallace e o Jack, o estripador, um dos meus pavores nocturnos. É o meu estranho mas sincero tipo de worship music.

É bem diferente, a maior parte da música religiosa que gera números impressionantes na internet que, para mim, tem o efeito retro-activo de me cansar. De cada vez que tento ouvir os discos do 'worship' actual fico com a ideia de que sou pouco espiritual. As vozes lá parece que nasceram para cantar para Deus. Para mim não é bem assim. Para mim o louvor é uma luta. A minha necessidade de louvar é proporcional à dificuldade que sinto em fazê-lo. Mas também devo ser sincero e assumir que o custo que o louvor me pede me parece ser mais parecido com o louvor que encontro na Bíblia. Os salmistas das Escrituras parecem-me muito menos emo do que os cantores evangélicos americanos e brasileiros.

Por outro lado, no final de Dezembro de 2017 a minha audição estava quase exclusivamente dedicada a country e a hip-hop. Não pelo som propriamente dito, porque não suposto as lap-steel guitars dos cowboys nem o narcisismo dos rappers. Mas pela fixação na história pessoal, que o country assume descomplexadamente, e pela predominância da palavra, que o hip-hop conserva. Se adicionar a isto a libertação que foi conhecer nos últimos anos a música do Mark Kozelek, diria que este disco que gravei saiu deste encontro inesperado entre o acústico e o discurso directo.

Ao mostrar este disco a pessoa em quem confio pelo seu critério musical, tenho encontrado reacções diferentes. Uns aderem à primeira audição e outros questionam a pertinência destas canções. O facto de estarem a ler estas linhas significa que tenho teimado em acreditar nelas. Sinto necessidade de empregar a minha voz como empreguei a dizer as coisas que aqui disse. Trabalhei para retirar artifícios porque é mesmo isto que queria fazer (e foi a primeira vez que voltei a depender apenas de mim para gravar desde o IV há dez anos). Talvez este "Milagres no Coração" se resuma a uma espécie de semi-diário-musical-terapia de um ano que para mim foi especial. Eventualmente nem chega mesmo para se justificar enquanto disco. Mas o meu coração não consegue guardar para si estas coisas simples que, honestamente, tenho como milagres. Espero que contá-las assim sirva para alguma coisa também na vossa vida.

Sexta-feira está disponível nas lojas e nas plataformas digitais.





sexta-feira, abril 06, 2018

Na frente musical

Videoclip novo feito pelo Hugo Moura e pelo Jónatas Luzia! Vejam, espalhem, e leiam o resto do texto.

Foi há dez anos que Tiago Guillul editou o seu "IV", que a Time Out descreve num texto sobre os discos da última década como um objecto sem o qual é "difícil conceber o que seria a música portuguesa" hoje, e "um fogo que continua a alastrar". A verdade é que o "IV" há muito saiu de circulação, esgotados os seus exemplares, mesmo na era de tudo encontrar na internet. Logo, e aproveitando a data redonda, em Setembro regressará finalmente a versão original do "IV", com uma comemoração aumentada por um disco em que velhos e novos companheiros o regravam (B Fachada, Jorge Cruz, Luís Severo, Benjamim, Filipe da Graça, entre muitos outros).

Durante a última década houve outras coisas que ocuparam o Tiago: uma delas, escrever. Afortunadamente, chega na próxima sexta-feira 13 de Abril o seu quinto livro, "Milagres no Coração", edição da Quetzal. Nele, coleccionam-se 24 sermões ao redor do evangelho de Marcos. Como a palavra tende a ser irrequieta, quando o Tiago acabava a revisão deste livro, deu por si a gravar oito canções que servem de acompanhamento musical para o livro (ou, como os miúdos dizem agora, de playlist). Este disco, com o mesmo título de "Milagres no Coração", é uma edição da FlorCaveira com a Valentim de Carvalho. Nele, o que se diz guia o que se toca, num registo despojado e sem artifícios - nu e cru. Também por isso, vem assinado por Tiago Cavaco.

A festa do Guillul está para breve, mas enquanto não chega, há "Milagres no Coração" para serem ouvidos em semi-silêncio.

quinta-feira, abril 05, 2018

Novidade

Há uma novidade que quero partilhar convosco. Dentro de uma semana (sexta 13 de Abril) sai o meu novo livro "Milagres no Coração". Há várias coisas que, com o lançamento dele, me deixam feliz.

1. O livro colecciona 24 de sermões ao redor do Evangelho de Marcos que preguei há perto de 7 anos. Ao rever esse material, lembrei a bênção de uma época em que éramos menos, e que me inspirou agora, numa época em que somos mais. O que interessa não é a quantidade das pessoas a quem pregamos mas a qualidade que está na palavra pregada.

2. Às vezes é preciso esperar alguns anos para entender os assuntos principais de sermões que pregámos. Foi o caso agora. Cheguei ao título "Milagres no Coração" em 2017 e não conseguiria fazer o mesmo em 2011 ou 2012. A palavra é como o vinho do Porto, recorrendo à ilustração mais imediata que me ocorre.

3. A capa é uma maravilha saída das mãos do Rui Rodrigues e o prefácio é do Ricardo Araújo Pereira.

4. Numa nota mais para os nerds literários, este é o meu primeiro lançamento pela Quetzal. Isso significa que o livro estará mais disponível do que os anteriores, fazendo parte do grupo editorial mais antigo do país - a Bertrand. Também quer dizer que agora sou colega de escritores que admiro como o Bruno Vieira Amaral, o Tolentino Mendonça e o João Leal, entre outros, e que o meu editor é o Francisco José Viegas, um velho companheiro. E ainda tenho o privilégio de trabalhar com a Djaimilia Pereira de Almeida. Desculpem a nota croma, mas é honesta.

5. Como a palavra é irrequieta, quando revia este livro acabei de volta de umas canções que sairão como companhia musical, na forma de um disco editado pela FlorCaveira e a Valentim de Carvalho (com o mesmo título).

Amanhã dou mais novidades. Espero que possam partilhar alguma da felicidade que sinto com estes "Milagres no Coração".

P.S. Ainda não há estimativa de data de edição no Brasil mas, com a ajuda de Deus, vai ter de acontecer depressa!


quarta-feira, abril 04, 2018

Ouvir (e ver!)

A justiça para hoje para nós tende a ser uma via de sentido único, em que o que interessa é como o mal de fora provoca estragos cá dentro, ao passo que a justiça de Jesus tem duas faixas de rodagem, em que este sentido existe, mas o outro também, em que o mal de dentro provoca estragos lá fora.

O sermão pascal de Domingo passado pode ser ouvido (e visto!) aqui.

terça-feira, março 27, 2018

Ouvir

A bem-aventurança da mansidão quer fazer-nos trabalhar nesta área, do difícil trânsito que há em reconhecer os nossos pecados em privado para eles serem reconhecidos em público. O cristão manso lida bem com a confissão privada e lida bem com a correcção pública. Ser manso é começar sempre pelo mal em nós ao ponto de ele poder ser admitido publicamente diante dos outros. Se não praticas nada disto, és um analfabeto na linguagem da felicidade que Jesus te quer ensinar. (...)

O manso não é o que fica dependente de convencer os outros. O manso é o que vive bem com a verdade mesmo quando ela não convence os outros. Uma nova mansidão que desejo para mim é ser feliz confiando na palavra de Jesus e dizendo-a independentemente de ela agradar a todos. Estou a aprender a viver menos pressionado pelo facto de muitos não serem convencidos pelos meus argumentos. O problema é vosso, permitam-me a franqueza. Eu sei bem que estou persuadido pelos argumentos da Bíblia e desses planeio não arredar pé.

O sermão de Domingo passado pode ser ouvido aqui.

quinta-feira, março 15, 2018

Ouvir

O sermão de Domingo passado, Chamado "Humildes de Espírito" e pregado pelo Filipe Sousa, pode ser ouvido aqui.


quarta-feira, março 07, 2018

Ouvir

O sermão de Domingo passado, chamado "Jesus ensina porque ama", pode ser ouvido aqui.

Ouvir

Se mais do que mostrar um código de conduta o Sermão do Monte quer mostrar um novo carácter, somos colocados diante de um desafio de reavaliar o nosso carácter presente a partir do nosso apego a valores como o sucesso, a riqueza e a saúde. O que é que o Espírito Santo quer revelar sobre o teu carácter actual para que ele possa ser transformado com o carácter do Rei Jesus? Se Jesus está contigo é-te dado um novo normal.

O sermão de Domingo passado pode ser ouvido aqui.