terça-feira, fevereiro 26, 2019

Ouvir

1) A ansiedade é algo que pode ser descrito como uma doença de grande parte de nós hoje aqui reunidos.
2) A ansiedade, como doença nossa, manifesta-se indo a um ponto de domínio sobre nós.
3) Ficamos doentes com ansiedade, facto acompanhado e provavelmente alimentado pela diminuição do nosso desejo pelo Reino,
4) Parte da resposta de Jesus para a cura da nossa ansiedade é: desiste de estar ansioso.

O sermão de Domingo passado, chamado a "Epidemia da Ansiedade", pode ser ouvido aqui.

segunda-feira, fevereiro 25, 2019

O disco novo do Ruben Alves

Dar valor às palavras não é um mau hábito. Imaginem então o cenário para quem acredita que o mundo foi criado através da palavra: onde ela existir, qualquer universo pode ser inventado.

Dê-se um salto para a música e para a música sem palavra em particular. Quem é pai de crianças pequenas conhece provavelmente a experiência de colocar uma canção instrumental e rapidamente ouvir uma queixa, de que assim, sem ninguém a cantar, não tem piada. Eu tenho essa experiência com as minhas crianças e as minhas crianças nem sequer serão as mais analfabetas musicalmente - caramba, todas as quatro aprendem a tocar violino.

Mas a verdade é que eu mesmo devo assumir a infantilidade persistente de alguém que só começou a ouvir atentamente música sem voz ou palavras demasiado tarde. O certo é que agora tenho uma dieta: tento que de manhã só essa música seja a que ouço. A razão não é porque assim fico mais capaz de me concentrar no trabalho; a razão é porque assim fico mais capaz de me concentrar na música mesmo. Quando as palavras não facilitam na música o caminho, ele tem de ser feito à custa de uma atenção que funciona sem uma orientação prévia - temos de descobrir o nosso caminho na música.

Aqui há dois meses o Ruben Alves despejou no Spotify um disco. Digo despejou porque não encontrei aquele tipo de alarido promocional que hoje se tornou obrigatório, de cada vez que música é publicada. Como o meu ano de 2018 já tinha sido em grande parte musicado pelo disco anterior do Ruben, apressei o passo e pus-me a ouvir "O Mais Pequeno Espaço Apreciável De Tempo". Sem apresentações prévias e sem mapas - só eu e o disco. Ouvi-o num dia. Ouvi-o no dia seguinte. Ouviu-no no outro ainda. Em quase todos os dias de 2019 tenho ouvido este disco.

As canções deste disco têm títulos. Uma canção chama-se "Semente em Terra Firme", que evoca uma lição que Jesus ensinou acerca da produtividade da palavra. A palavra semeia-se e é suposto que dê fruto, ainda que a maior parte dos terrenos possam tal não conseguir. Neste sentido, há uma espécie de milagre que acontece quando a palavra é acolhida - há os tais universos novos que podem nascer. Que este prodígio da palavra aconteça num disco em que ela nunca é dita mas que é o ponto de partida para tudo, só confirma que há um silêncio que é necessário para que realmente comecemos a ouvir a música. Eu continuo a escutar obsessivamente "O Mais Pequeno Espaço Apreciável De Tempo" porque o que o disco não fala é também o muito que me mostra.


sexta-feira, fevereiro 22, 2019

Videozinho de Sexta-Feira

O assunto dos pastores que são celebridades na era da internet dava pano para mangas. Não é por aí que me quero meter agora. O vídeo de hoje é para desanuviar - ontem li o Eclesiastes e, na sua aspereza, falou tanto comigo que me lembrei que também temos de saber rir da vida e de nós próprios.

Provavelmente, o melhor que temos a fazer em relação aos pastores que são celebridades é orar por eles. Entre os que mais me influenciam, o Tim Keller é obviamente um deles. Por isso, não há como negar que foi especial quando em Outubro passado falei com ele na assistência. Mas imaginem: se é óptimo quando os que admiramos nos elogiam, o que dizer de quando os que nos salvam nos aprovam? Keller é óptimo mas o meu Senhor Jesus é inultrapassável.

São menos de dez segundos de um vídeo que é uma brincadeira. Que possam servir para agradecermos a Deus por todos os pastores que são fiéis a Cristo no meio da celebridade que alcançaram, e para agradecermos a Deus por Jesus.

terça-feira, fevereiro 19, 2019

Ouvir

Amas o que fazes? Jesus não está necessariamente a dizer que amar o serviço que temos se exprime em prazer constante mas, pelo menos, devemos conceber que há um nível prolongado de acreditarmos no que fazemos, mesmo que com custos pessoais. Assim sendo, se não amas o que fazes, devias começar a amar o que fazes, caso estejas com a atitude errada no trabalho certo; ou devias começar a fazer o que amas, caso estejas até com a atitude certa no trabalho errado. Na fé cristã a responsabilidade não joga contra o coração mas devem integrar-se.

O sermão de Domingo passado pode ser ouvido aqui.

sexta-feira, fevereiro 15, 2019

Videozinho de Sexta-Feira

Se a ideia de que todos somos filhos de Deus pode ter uma origem bem intencionada, talvez nos deixe, contraditoriamente, mais longe de experimentar mesmo um amor fraterno vindo de Deus, sobretudo nas circunstâncias difíceis. O ponto é este: se não reconhecermos Jesus como o Filho de Deus, sendo ele também Deus, a nossa relação com Deus vai depender das nossas opiniões e não da própria intervenção de Jesus no assunto. Há uma diferença entre acharmos que somos todos filhos de Deus porque sim, e acreditarmos que somos filhos de Deus porque Jesus tornou essa adopção um facto. Entre mim e Jesus, acho que a maior credibilidade está do lado dele.

Onde a nossa opinião é o essencial não é nada improvável que, em cenários mais complicados, sejamos tentados a pensar que, bem vistas as coisas, mais do que Pai, Deus é castigador. Se, no entanto, Jesus for a bússola para aquilo em que cremos, os cenários complicados são interpretados a partir da sua própria experiência - se no mais aterrador que Cristo viveu, não deixou de tratar Deus como Pai, a mesma esperança podemos acalentar. Deus é Pai até na dificuldade (haverá quem prefira dizer que é sobretudo na dificuldade que temos essa certeza).

Este vídeo ilustra isso.

terça-feira, fevereiro 12, 2019

Ouvir

Se os olhos bons são explicados no contexto do nosso deslumbramento com o mundo, então a bondade que podemos ter neles só pode estar baseada noutra coisa que não o que o mundo nos mostra e nos encanta: a bondade dos nossos olhos tem de estar em Deus. Ter olhos bons é depender de Deus para realmente ver este mundo.

O sermão de Domingo passado, chamado "Ter olhos bons num mundo mau", pode ser ouvido aqui.

sexta-feira, fevereiro 08, 2019

Videozinho de Sexta-Feira

Domingo passado, ao pregar sobre o Sermão do Monte, lembrei que Jesus tanto nos avisa contra o mal dentro de nós, como contra o mal fora de nós. Nessa altura ocorreu-me uma ilustração talvez um pouco disparatada.

Por muito folclórica e primitiva que nos pareça a crença por trás das macumbas brasileiras que agora chegam às praias portuguesas, devíamos estar gratos: a feitiçaria tropical pode despertar muitos para a realidade de uma maldade espiritual além de nós, mas à qual podemos dar poder na nossa vida. Creio que é mais ingénuo pensar que tudo o que de mal existe no mundo se resume à soma das partes humanas.

Cristo salva-nos do nosso bem insuficiente, do nosso mal, do mal dos outros, de tudo o que pode ser bem intencionado mas não chega para resolver o assunto de uma vez por todas. Sou grato por um Salvador muito mais eficaz do que julgo, que me salva até dos perigos que estão além da minha capacidade de acreditar neles.

Nesse sentido, obrigado por agitarem espalhafatosamente o nosso cepticismo cínico europeu, macumbeiros brasileiros!

[As imagens usadas são retiradas do lendário filme/documentário de Benjamin Christensen, "Häxan", de 1922.]

quarta-feira, fevereiro 06, 2019

Há Milagres no Coração

Amanhã às 19h na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Apareçam que a entrada é livre!


terça-feira, fevereiro 05, 2019

Ouvir

Jesus não quer que os seus discípulos não tenham o critério mínimo de nem sequer entenderem as qualidades existentes em tesouros deste mundo. Jesus não quer os seus discípulos desinteressados das riquezas, mas interessados nas riquezas realmente ricas, que são as que continuarão a ser valiosas no Céu. Logo, ser abençoadamente interesseiro nesta vida, acumulando tesouros no Céu, implica uma satisfação, que vai continuar a ser explicada nos textos seguintes do Sermão do Monte, que é a de nesta vida já vivermos como filhos de Deus – nenhuma outra satisfação se pode comparar.

O sermão de Domingo passado, chamado "Viver para a traça e para a ferrugem", pode ser ouvido aqui.

segunda-feira, fevereiro 04, 2019

Agenda da FlorCaveira

O que vos posso dizer é que em breve vai sair um disco que tive o privilégio de produzir executivamente (uma mariquice de expressão, eu sei, mas necessária para distinguir do produtor no terreno que foi o Martim Torres) da cara mais bonita que o rock português conheceu nas últimas décadas. Se não acreditam, vejam o vídeo. Sim, o Lipe dos Pontos é o Tom Petty português, por isso aguardem um disco em que o que precisa de ser dito é dito sem rodeios e com muito rock. Este primeiro single começa mais lento mas a velocidade vai aumentar. Fiquem sintonizados!

sexta-feira, fevereiro 01, 2019

Videozinho de Sexta-Feira

Quando dizes que acreditas em Jesus, a pessoa que mais vai colocar isso em causa é ele mesmo. Não és tu, não são outros nem é o Diabo. Jesus é quem testa aqueles que dizem que estão do lado dele. De certo modo, vai parecer que Jesus é quem mais está contra tu quereres segui-lo.

Jesus não anda a carimbar passaportes de peregrinos mas a verificar se eles estão mesmo prontos para a viagem. Por isso, Cristo no Sermão do Monte indica que uma das maneiras de falsificar fé em Deus se vê precisamente nas coisas boas que fazemos. Precisamos de ser perdoados pelo mal que fazemos e pelo bem que queremos fazer - somos criaturas realmente carentes de um Salvador.

O Sermão do Monte é pólvora porque nos testa. Jesus aponta para o nosso coração. Já fizeste o teste do Sermão do Monte?

Este vídeo ilustra isso.