quinta-feira, outubro 18, 2018

Ouvir (e ver!)

O sermão de Domingo passado pode ser ouvido (e visto!) aqui - tem baptismos no final!

quarta-feira, outubro 17, 2018

Faço 41 anos hoje

E é difícil lidar com a demonstração de amor que logo de manhã recebo da minha mulher e dos meus filhos, e que continua ao longo do dia por tantos e bons amigos que Deus me deu. Sou injustamente amado além do que devia e mereço e isto tem um nome teológico: graça. A caminho da igreja vínhamos a ouvir o Leonard Cohen e na canção "Anthem" estão umas linhas que queria partilhar convosco: "Ring the bells that still can ring/ Forget your perfect offering/ There is a crack in everything/ That's how the light gets in." O Cohen, sendo judeu, não era cristão mas percebia perfeitamente a lógica de precisarmos de um sacrifício além de nós mesmos, em forma de corpo, uma vez que todas as nossas tentativas saem rachadas - e é nessa imperfeição que Jesus, a luz da graça divina, entra. Entretanto, acabei de saber que Deus chamou o João Tomaz Parreira à sua presença. O João era meu amigo e dos pouco poetas evangélicos do nosso país. Eu devo-lhe muito, por tantos caminhos que abriu para mim e muitos. Sei que ele também gostaria destas linhas do Cohen. Um abraço forte de consolo a todos na amada Família Parreira.

terça-feira, outubro 16, 2018

Back

The podcast is back and this one's on fire! Here's the thesis: we, evangelical christians, underestimate the Church because we don't love Jesus enough. Go listen, friends!

sexta-feira, outubro 12, 2018

O Henrique Raposo e o João Miguel Tavares

São aqueles amigos que nunca podem faltar quando a Igreja da Lapa se mete em Fins-de-Semanas Cheios. A conversa não precisa de estar planeada para acontecer.

quinta-feira, outubro 11, 2018

Quem é português

E não lê o Observador? Imaginem por isso o privilégio de termos recebido o ano passado o Rui Ramos e o Miguel Pinheiro. Para cristãos que acreditam na predominância da Palavra, é fundamental conhecer os lugares onde vamos buscar as palavras que nos descrevem a actualidade. Se neste ano fazemos uma pausa de organizar o Fim-de-Semana Cheio na Lapa, é porque para o ano queremos isto e mais ainda.

quarta-feira, outubro 10, 2018

Mesmo em ano de pausa

Aos Fins-de-Semana Cheios na Lapa nunca faltou rock'n'roll - Tony Fortuna e Samuel Úria não nos deixam mentir!

terça-feira, outubro 09, 2018

Quando conversar parece uma actividade em vias de extinção

Creio que de há um ano para cá, o ambiente de discussão entre as pessoas, muito à custa das redes sociais, tornou-se ainda mais hostil. Para isto contribui uma maneira mais frágil de olharmos para o mundo, sobretudo concentrada nas questões políticas como se elas fossem as que realmente traduzem a realidade como ela é. O fenómeno Jordan Peterson não é casual porque uma das suas forças é avisar que as questões políticas são importantes mas elas não devem ter a pretensão de esgotar tudo o que há para compreender. Não deveríamos ser capazes de entender o universo também a partir da psicologia, da teologia, ou de outras tradições de saber que parecem atropeladas pelas urgências da política do aqui e do agora?

Qualquer eleição parece, por isto, uma questão de vida ou de morte, uma divisão entre os maus, que nos levaram para a ruína, e os bons, que nos vão salvar do caos em que estamos metidos. Posições políticas extremam-se e pessoas juram novas e infindáveis guerras sociais. Não é só com o Trump, o Brexit, os novos líderes europeus desalinhados ou o Bolsonaro. É connosco em Portugal, também, ainda que daquele jeito mais tímido e desconfortável com palavras claras que tende a caracterizar-nos. Com os juízes da "extrema-direita americana" há certezas de abuso sexual, com os nossos Ronaldos até as vozes mais feministas aconselham calma. Enfim.

A Igreja da Lapa passou a última meia década a acreditar que vale a pena conversar. Vale a pena conversar ainda mais quando conversamos com quem discordamos. A nossa fé na conversa só existe porque, enquanto cristãos reformados, temos fé inabalável na Palavra: a que se fez carne em Jesus, no mesmo estilo como se revelou produzindo as Escrituras, e a que deve ser usada como um encontro até com os nossos adversários. A esta convicção tornada em eventos chamámos os "Fins-de-Semana Cheios na Lapa" e em 2018 não fazemos um porque queremos no futuro fazer mais e melhor e para isso uma pausa é necessária.

No entanto, guardámos alguns vídeos das conversas do ano passado para partilhar convosco este ano. O de hoje é um dos meus preferidos porque ilustra na prática que, quando conversamos, levamos essa vontade aos que podem estar mesmo distantes de nós a nível de valores. Como acreditamos em milagres da Palavra, acreditamos no milagre de chegarmos à palavra com quem tanto discordamos. Pessoalmente, nunca votaria no partido de Francisco Louçã, mas acredito que não só posso conversar com ele como até aprender. Se Jesus gastou tanto tempo com pessoas que não acreditavam nele, que desculpa arranjarão os seus seguidores para se recusarem a fazer o mesmo?

Por fim, não nego que aquilo que acontece no fim de cada uma destas conversas é o mais especial: orar por quem conversamos. E tu, que te dizes cristão: oras pelos teus adversários para que os possas amar, bem como Jesus nos ensinou a  fazer?

segunda-feira, outubro 08, 2018

Para a semana

Vou juntar uns amigos para, a pretexto da reedição do "IV" (está quase, está quase), conversarmos acerca das coroas da música portuguesa. Será na quarta-feira, 17 de Outubro, às 17.30h no Mercado de Arroios com entrada livre. Se tivermos em conta que nesse dia faço 41 anos, podem sempre passar por lá para me darem um abraço. Não me importo nada.


quarta-feira, outubro 03, 2018

Ouvir

O sermão de Domingo passado, chamado "Estar no fundo do mundo para encontrar Deus", pode ser ouvido aqui.

segunda-feira, outubro 01, 2018

Casamento da Rebeca e do Manel, 29 de Setembro de 2018

Marcos 3:31-35
«31 Nisto, chegaram sua mãe e seus irmãos e, tendo ficado do lado de fora, mandaram chamá-lo [Jesus]. 32 Muita gente estava assentada ao redor dele e lhe disseram: “Olha, tua mãe, teus irmãos e irmãs estão lá fora à tua procura.” 33 Então, ele lhes respondeu, dizendo: “Quem é minha mãe e meus irmãos?” 34 E, correndo o olhar pelos que estavam assentados ao redor, disse: “Eis minha mãe e meus irmãos. 35 Portanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe.”»
Estamos num casamento e o texto bíblico que vos trago, pelo menos à primeira vista, não diz nada sobre o assunto. Mas sendo um texto que fala da família de Jesus, vamos esperar que possa falar também alguma coisa acerca da família que nesta tarde a Rebeca e o Manuel passam a ser.
Quando este episódio se deu, Jesus estava num momento especial da sua vida. Tinha começado o seu ministério público há relativamente pouco tempo e a sua popularidade estava a tornar-se, como agora se diz, viral. Os discursos que fazia e sobretudo os milagres que realizava davam que falar na Galileia, a zona norte de Israel de há dois mil anos. Antes de Jesus chegar a um lugar, já esse lugar estava agitado por ele. Como geralmente costuma acontecer com fenómenos de celebridade, abrem-se rapidamente duas reacções: alegria e aceitação, e rejeição e antagonismo.
Neste caso, os adversários de Jesus tinham chegado a um ponto de desamor tal que, como conta o início deste capítulo 3, já conspiravam para matá-lo. E é preciso ter conta que eram adversários unidos numa coligação abrangente e com grande competência – aquilo que planeavam tornava-se o que provavelmente ia mesmo acontecer. Eram religiosos conservadores e progressistas, fariseus e herodianos ou saduceus, que costumavam ser inimigos uns dos outros mas que, desde a chegada de Jesus, tinham descoberto uma coisa em comum: odiavam mais Jesus do que se odiavam uns aos outros. Por isso, tinham arranjado maneira de trabalhar juntos a favor da morte dele. Não há nada como um bom ódio em comum para juntar pessoas diferentes.
Criado um ambiente destes, não seria de estranhar que à família de Jesus, a mãe dele e os seus irmãos e irmãs, acabasse por chegar algum zunzum. O que é que se calcula que uma família faça quando se sabe que um dos seus integrantes corre risco? Naturalmente, que o defenda. E era isso que aqui estava a acontecer. Com todas as boas intenções, a mãe de Jesus e seus irmãos e irmãs estavam a ir ter com Jesus como quem lhe quer dizer: “acalma-te lá com o que andas a fazer porque se não ainda te magoas”.
A resposta de Jesus parece um pouco torta e indicia algo como: deixem-me em paz porque a minha verdadeira família é feita daqueles que fazem a vontade de Deus. Será que Jesus está a desprezar a importância da família e do bem que geralmente ela nos quer? Gostava de tentar responder e, a partir daí, inspirar todos nós aqui, principalmente a Rebeca e o Manuel no dia em que se tornam uma família.
1. Jesus, parecendo que estava a tratar mal a sua família, estava também a ensinar que mais importante do que uma família evitar perigos aos seus membros, é ela fazer a vontade de Deus. Rebeca e Manuel (e especialmente Manuel, enquanto homem da família): é importante vocês lutarem para se livrarem um ao outro de perigos, mas o mais perigoso é livrarem-se de cumprir a vontade de Deus.
Hoje o que não falta é famílias que vivem fechadas na sua própria segurança, tomando qualquer princípio ou atitude que vá além da protecção física como um disparate. Rebeca e Manuel: ter fé em Cristo é saber que viver seguro não é necessariamente viver com Deus. Jesus não viveu seguro e acabou executado numa cruz. Claro que todos aqui desejamos uma vida feliz para vocês e, de preferência, livre de crucificações. Mas é preciso reafirmar que uma vida verdadeiramente feliz é a que cumpre a vontade de Deus e não a que se esgueira de tudo o que parece um problema. Tenham fé em Jesus! Sejam uma família corajosa!
2. Jesus, parecendo que estava a tratar mal a sua família, estava também a ensinar que nenhuma família dura por fugir das dificuldades, mas por ter fé em Deus. Rebeca e Manuel: há famílias que deixam de ser famílias até chegar uma dificuldade maior, mas a família que vocês devem ser responde às dificuldades, sejam elas maiores ou mais pequenas, com fé.
Hoje o que não falta é famílias construídas sobre a ideia de que a felicidade é a ausência de dificuldades, tomando a exposição a um sofrimento maior como uma prova de que o prazo de validade dessa família já chegou ao fim. Rebeca e Manuel: se Jesus tomou um sofrimento tão grande como a cruz para provar o seu amor por nós, olhem para os sofrimentos que vão enfrentar com a mesma atitude: uma oportunidade para dependerem da graça de Deus ao ponto de sofrerem um pelo outro por amor. Tenham fé em Jesus! Não tenham medo de sofrer juntos porque Jesus vai estar convosco!
3. Jesus, parecendo que estava a tratar mal a sua família, estava também a ensinar que a família humana, num casamento entre um homem e uma mulher, é uma ideia de Deus para vivermos como família dele, que é uma ideia ainda melhor. Rebeca e Manuel: à medida que permanecerem juntos a partir da confiança que têm em Deus, permanecerão também juntos do próprio Deus.
Hoje o que não falta é famílias cuja união é só entre as pessoas que delas fazem parte, perdendo a oportunidade de se unirem ao próprio Deus. Rebeca e Manuel: vai ser óptimo vocês viverem em união um com o outro, mas, acreditem, ainda será melhor viverem, através da vossa união, unidos com o próprio Deus. É quando estamos unidos ao Criador que nós próprios somos feitos elo de ligação da criação de muitos mais. Que vocês possam ficar em comunhão com Deus de uma maneira que se amam ao ponto de se multiplicarem e de expandir esse amor àqueles que Deus vos confiar, seja dentro das portas do vosso lar, seja fora.
Que Deus vos abençoe.