sexta-feira, junho 24, 2022

Ouvir


O sermão de Domingo passado, chamado "A pior seca do Verão", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

Pessoas que sugam vida

terça-feira, junho 14, 2022

Ouvir


O sermão de Domingo passado, chamado "Frutos de Verão", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

Cristo é o melhor sabor do Verão

sexta-feira, maio 20, 2022

Aninha-te no meu colo, gato


Fase felina a todo o vapor com os Punhais.

terça-feira, maio 17, 2022

Ouvir


O sermão de Domingo passado, chamado "Roupa Rasgada", pode ser ouvido aqui (e no Spotify).

A decadência de usar calças rasgadas aos 40 anos

sexta-feira, maio 13, 2022

Tudo Bons Pastores 004


Oiçam três pastores a tentar não serem super-homens nem a glorificar a sua vulnerabilidade.

Man, eu sinto o Lamar

Mas à primeira audição do disco novo há um tom de catarse coletiva irritante. Há faixas em que o Kendrick julga estar a redimir um povo inteiro (ainda que tente dizer o contrário em “Savior”). Em “Damn” a força estava em ele pedir que orassem por ele; agora parece sentir-se na posição de interceder por todos nós. Bring back old kung-fu Kenny!

quinta-feira, maio 12, 2022

Usar palavras para te consolares na tua mulher

Ouvir

O sermão de Domingo passado, chamado "Mulher, consolo ou castigo?", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify). 

sexta-feira, maio 06, 2022

Benzodiazepinas


A minha história com as benzodiazepinas dá um livro. Parte desse livro já existe no "Arame Farpado no Paraíso". Nenhuma droga te tira das trevas (só Jesus mesmo) mas pode ajudar. De lá para cá, tenho-me apercebido da multidão silenciosa que toma anti-depressivos, muitas vezes arrastando culpas e vergonhas nem sempre justificadas.

Como se fala de benzodiazepinas sem dramatizar mas também sem ignorar a dor que é parte do processo? Aconteceu, no meu caso, falar do assunto numa espécie de canção. É um poeminha a partir da alegria de voltar a ter um gato em casa, ao mesmo tempo que tenta animar quem luta para largar esta medicação num esquema de pergunta-resposta. Espero, acima de tudo, que sejam dois minutos com graça.

Privilégio especial de ter nesta canção a voz suave da kim, brasileira no Japão (onde o vídeo foi gravado!), e os meus rapazes, o CALEB, e o Jek, em estreia musical! Estou tão feliz por eles!

quinta-feira, maio 05, 2022

Ouvir


O sermão de Domingo passado, chamado "Birras pelo Paraíso", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

quarta-feira, maio 04, 2022

Os teus filhos são uns malcriadões

terça-feira, abril 26, 2022

Novo vídeo dos Punhais

Podem assistir ao 3º episódio do "Tudo Bons Pastores" aqui


Este episódio foi o melhor até agora.

quarta-feira, abril 20, 2022

Ouvir


O sermão de Domingo passado, chamado "Lembrar as palavras certas num tempo errado", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

terça-feira, abril 19, 2022

A MELHOR PREGAÇÃO QUE OUVI NOS ÚLTIMOS ANOS (OU UM ELOGIO A ELIZEU RODRIGUES)

Olho para os últimos dez, quinze anos como bons na importância que deram à pregação. Mesmo que generalizemos falando de todo o meio evangélico (que é tão vasto e tão cheio de tantas diferenças), em 2022 é mais difícil ser um mau pregador. E é mais difícil em 2022 ser um mau pregador por várias razões mas certamente uma delas é o facto de a internet nos ter dado olhos para ver o que acontece nas outras igrejas. Antigamente, para sabermos o que acontecia na Igreja da Rua de Baixo, tínhamos de ir à Igreja da Rua de Baixo ou, pelo menos, saber de alguém que lá tinha ido. Agora, com todas as montras que a web abre, nós só não sabemos o que acontece na Rua de Baixo se não quisermos (e isto dá outro texto, provavelmente tão ou mais necessário do que este, que é o de escolhermos não ver tudo o que está nas montras da net como parte do nosso processo de santificação—mas fica para outra altura). O ponto agora é este: é mais difícil ser um mau pregador em 2022 porque, mostrando a internet onde estão os melhores, ser negligente no púlpito produz prejuízos mais imediatos.

Mas também há coisas más a vir desta boa, de se dar mais importância à pregação. Como temos um dom infindável de arruinar os dons de Deus, acontece produzir-se uma certa idealização do sermão que, em vez de o cultivar como a arma que ele é, o torna numa espécie de amuleto. Vejo isso a acontecer no meu contexto, que é o de um Baptista de persuasão calvinista. Entre Baptistas de persuasão calvinista, como eu, não é agora raro encontrar quem olhe para o sermão com lentes legalistas: “se fizermos assim e assado, certamente que nada falhará!” Eu, que creio que todo o sermão para ser sermão precisa de ser expositivo (expondo o texto onde o sermão se funda e não fazendo do texto um pretexto para se afirmar o que o texto não afirma), reconheço, ainda assim, que o meu pessoal (os tais de persuasão calvinista) volta e meia exagera na receita. Talvez por não haver entre pregadores uma grande cultura de estudo de textos (bíblicos e extra-bíblicos), estamos a pregar a Bíblia mais pobremente por conta de forçarmos uma visão idealizada do sermão expositivo. Não há nada como estudar a história e reconhecer que grandes pregadores dificilmente encaixariam nestes novos zelos de púlpito: Agostinho, Crisóstomo, Lutero, Spurgeon e Lloyd-Jones não seriam, segundo as perspectivas mais restritas, pregadores expositivos (e isto apenas para enumerar 5 dos meus preferidos).

Portanto, receio que tenhamos passado rapidamente de um extremo para o outro: se é mais difícil ser mau pregador hoje, também é verdade que em alguns contextos há bons pregadores que injustamente podem passar por maus. Com o é que isso acontece? Por exemplo, e como agora muito se diz, por tribalismo. Por conta deste tribalismo há uma riqueza na diversidade dos púlpitos evangélicos que não está a ser reconhecida. Quem se acha calvinista, não ouve não-calvinistas, e vice-versa. Há quem nesta fase da conversa recorde a amizade e admiração mútua que unia George Whitefield a John Wesley, mas até isso não comove todos. O facto de ser considerável o que está em causa nas diferenças doutrinárias que nos distinguem enquanto evangélicos, não deve impedir-nos de lucrar com a diversidade que caracteriza o Protestantismo. É nesta medida que continuo a usar uma frase que serve de lema para mim: quero ser Baptista pensando como um Presbiteriano e louvando como um Pentecostal. É vero que há muito que os Presbiterianos pensam que tomo como errado, e é vero que há adorações Pentecostais com as quais nunca me identificarei—mas continuo a encontrar verdade suficiente na ideia de que, no geral, Deus abençoou o pensamento mais sistemático nos Presbiterianos e o ímpeto de adoração nos Pentecostais, e que eu posso beneficiar disso.

Isto leva-me ao melhor sermão que ouvi nos últimos anos. O que me levou a ele não foi a causa mais santa, admito. Andava pela internet à procura de excertos de pregações porque, como o Kanye West, interessava-me incluir algo afiado numa canção. Já o consegui com o Jonas Madureira (os distraídos que escutem a canção “Não Há Descanso no Sistema da Babilónia” em qualquer plataforma digital), mas interessava-me naquela ocasião algo num estilo mais inflamado, mais gritado. Busquei e busquei e, por alguma razão, fui parar a uma colecção de excertos de pregadores “pentecostais bíblicos”, adjectivação que achei curiosa. Um dos pregadores em causa, que se destacou pela unção e pelo humor, chamava-se Elizeu Rodrigues. Até aí, nunca tinha ouvido falar dele. Fiz nova busca por um sermão dele e foi-me sugerido pelo YouTube a mensagem “O Espírito que nos enche”. Estava de apetite aberto: por um lado, atestava que a importância dada à pregação expositiva era possível de verificar até fora da minha praia calvinista, entre assembleianos; por outro, desde adolescente que fui influenciado por pregadores Pentecostais e, infelizmente, nos últimos anos tenho ouvido poucos. Cliquei no link.

Quem prega por vocação perde muitas vezes a capacidade de ser surpreendido pelo uso alheio do seu próprio mister. Ou seja, ficamos tão profissionais na tarefa de preparar sermões e pregá-los que parece que, quando ouvimos os outros a fazer o mesmo, só podemos avaliá-los como críticos. Esta é das coisas que mais me irrita quando, na companhia de outros pregadores, ouvimos um terceiro: rapidamente todos acabam armados em juízes de talentos de um programa de TV. É verdade que quando ouço outro pregador estou mais inclinado do que a maioria das pessoas para o criticar com alguma pertinência. Mas, quem é que me julgo que sou para me colocar numa suposta área de neutralidade quando alguém prega a palavra do Senhor? Daí o meu apelo a todos os pastores com dedo leve para o gatilho da crítica homilética: quando ouvimos outros pregadores, o nosso papel não é em primeiro lugar escrutinar; é escutar. Ao escrever isto, reconheço que não temos como desligar o nosso poder crítico. Até neste sermão do Elizeu, nem todos os aspectos me pareceram perfeitos. Mas o objetivo de a palavra de Deus, quando é pregada, não é ser aceite como perfeita porque nenhum ser humano o conseguirá; o objectivo da palavra de Deus quando é pregada é revelar a verdade acerca de Deus e acerca de nós, que a ouvimos. Logo, quando um sermão é pregado, antes de seres um avaliador, tens de ser um alvo.

E um alvo fui eu, naquele sermão do Elizeu Rodrigues. Ri e chorei. Reconheço que ainda ri mais do que chorei mas o menos que chorei deu para o muito que ri. E há tanta coisa importante que pode ser dita acerca desse dia de Outono de 2021, quando ouvi o Elizeu Rodrigues pela primeira vez… Vou mencionar só três que nem sequer vêm em ordem de importância. Primeiro, o ritmo. Os pregadores tantas vezes esquecem que, para um Protestante, qualquer sermão é música. Atribuo esta falha ao pouco conhecimento histórico e, por outro lado, até filosófico, que temos da Reforma Protestante. Do mesmo modo como Lutero não viveu sem se exprimir musicalmente, um pregador que beneficie dele não pode dispensar a música. É daqui que vem a minha convicção de que um pregador Protestante, para ser realmente um pregador Protestante, no sentido histórico e filosófico mais rigoroso do termo, precisa de ser músico. Um sermão sem ritmo, um sermão sem um traço musical, pode ser muita coisa mas não é genuinamente um sermão Protestante. Uma Igreja Protestante que cante mal ou desvalorize a música pode ser muita coisa, mas Protestante não será. Porque o ponto é este: não é possível valorizar a pregação desvalorizando a música porque qualquer sermão para ser sermão precisa de ser musical. E Elizeu Rodrigues prega musicalmente. Há cadência. Há estrofes e há refrões. Na sua voz há harpas e há death metal. Há píncaros e há fossos, como qualquer sinfonia exige. Um sermão tem de ser musical porque música é a uma forma de encarnação da palavra.

Em segundo lugar, há no Elizeu Rodrigues arco. O que é isso de arco? Arco é, como no futebol, a leitura do campo. Arco é aquele passe que, quando sai dos pés do jogador, parece um erro mas, quando encontra inesperadamente o avançado que se precipita para o golo, se revela como prodígio. “O que é que ele está a fazer?”, perguntamos exasperados ao ver o início de uma jogada aparentemente falhada. “O que ele fez!”, celebramos quando o que parecia um erro deu o que o guarda-redes não conseguiu defender. E esta questão do arco aplica-se à exegese do texto. Elizeu Rodrigues faz parte daquela linhagem de pregadores que ousa misturar assuntos que parecem desfamiliarizados. Está a pregar em Actos e dispara para os Salmos e Hebreus ao mesmo tempo e sem pudor. Como o faz com rapidez, jogador veloz que é, apanha-nos despreparados. Mas ele sabe que qualquer exegese para ser exegese pressupõe essa saída arriscada, essa possibilidade de descontextualização para que alguma contextualização real aconteça. A pregação do Elizeu é cheia de passes em arco que tratam toda a diversa biblioteca bíblica como o assunto único que os cristãos crêem que é (neste sentido, é uma pregação cheia de Teologia Bíblica mas não necessariamente jogada na táctica comum daquela que é mais apreciada pelos de persuasão calvinista).

Em terceiro lugar, o Elizeu Rodrigues, como bom Pentecostal que é, é um crava. O sermão na boca dele nunca é apenas uma pregação, é também uma pedinchice. E qualquer sermão tem de ser essa pedinchice porque qualquer invocação da palavra de Deus pede sempre mais dela ainda. Um pregador quando faz o que é certo, mais do que ter a barriga cheia da palavra que é pão, sente-a por encher porque o que pregou nunca satisfaz totalmente. A prova de que qualquer pregação tem de ser pedinchice é que a única mesa que nos encherá a barriga espera por nós nos Novos Céus e na Nova Terra—até partilharmos essa refeição com o nosso Senhor Jesus, rosto a rosto, enchemo-nos aqui de vida, é certo, mas de migalhas dela apenas. E neste aspecto de cravanço, os Pentecostais são crentes mais bíblicos do que todos os outros. Enquanto cristãos, somos todos mendigos. No outro dia lia o Jay Bauman acertar na mouche: “Estou convencido de que quem zomba e é cínico daqueles que cantam canções sobre milagres e clamam por milagres provavelmente nunca precisaram de um”—levei 40 anos para entender isso. Pior do que pedinchar milagres é nem precisar deles, escrevi no outro dia sobre isto. E, também por estas coisas, o Pentecostal é um exemplo. Ele não tem vergonha da sua insatisfação. Os milagres de que um Pentecostal precisa são a miséria que ele não finge não ser.

A secção da mensagem que vai de 22’56’’ até 25’45’’ é a melhor coisa que vi num ecrã (numa tela) nos últimos anos. É melhor do que todas as séries de TV, é melhor do que todos os filmes, e dificilmente revejo esse trecho sem me descobrir escandalosamente nele, com tudo o que sinto e com tudo o que acredito. A minha vida é essa afirmação do Elizeu Rodrigues: a palavra, como expressão de Cristo, é o fogo que dá vida e que não pode ser, debaixo das melhores intenções, vedada às pessoas. O Protestantismo é por natureza popular porque Deus salva pessoas e não grupos delas organizados em elites. Eu, que sou uma pessoa tão miserável como os pobres de qualquer lugar do mundo, quero da palavra porque a minha fome é o mais sincero que sou. O Elizeu começou a pregar para mim desde este sermão e não tem parado. Tenho até esperança de ainda o conhecer aqui nesta vida, não para fazer dele uma sensação de internet maior do que já é, mas para simplesmente lhe agradecer dizendo: “meu irmão, tenho vindo a encher a minha barriga de Jesus ouvindo as tuas palavras. Obrigado!”

Quando Deus se lembra de ti

quinta-feira, abril 14, 2022

Não há descanso no Sistema da Babilónia


Eu, o Jonas Madureira, a minha filha mais velha Maria, a Ana Heloysa. Não é bem uma canção, não é bem uma pregação, é tudo isso ao mesmo tempo, acho, reconhecendo que descansar é muito mais difícil e necessário do que julgamos.

Ouvir

O sermão de Domingo passado, chamado "Adorar pior do que um calhau", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

Os calhaus louvarão antes de ti

sábado, março 26, 2022

Ouvir


O sermão de Domingo passado, chamado "A esperança no estrago", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

Ainda bem que vou morrer

quarta-feira, março 16, 2022

Ouvir


O sermão de Domingo passado, que pergunta "Do Paraíso para o pó ou do pó para o Paraíso?", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

terça-feira, março 15, 2022

Não foste a Jesus, ele é que se intrometeu

sábado, março 12, 2022

"Matemática" dos Punhais

Ouvir


O sermão de Domingo passado, chamado "Não vou ficar no mal que fiz", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

terça-feira, março 08, 2022

Sinceridade Big Brother e sinceridade bíblica

quarta-feira, fevereiro 23, 2022

Ouvir

O sermão de Domingo passado, chamado "Quem manda aqui?", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

A bófia não manda aqui

sexta-feira, fevereiro 18, 2022

Bato palmas na Igreja

segunda-feira, fevereiro 14, 2022

Os artistas evangélicos são uns cagões (tenho disco novo para breve)

Esta sexta-feira sai um som novo chamado “Bato Palmas na Igreja”. Nele participa o LEONB e a Carol Bazzo. É uma canção especial porque as vozes deles levam-na para lugares onde sozinho não chegaria. Se Deus quiser, esta canção vai integrar um álbum que planeio para breve, também chamado “Bato Palmas na Igreja”. De certo modo, é o meu primeiro disco assumidamente cristão.

Explico: acho que não acredito em música cristã mas apenas em música. Ela pode ser feita por cristãos ou não—é isso. Mas, por outro lado, não posso ignorar que se convencionou chamar “música cristã” a algo que se desenvolveu sobretudo a partir dos anos setenta, com a conversão de muitos hippies americanos ao cristianismo (rock cristão, diziam na altura). Nos anos oitenta a coisa cresceu (era então habitual falar em “Christian Contemporary Music”), chegando até aos escassos adolescentes evangélicos de Portugal, como eu.

Cresci numa relação complicada com essa música, dita cristã. Por um lado, ela consolava-me quando os Iron Maiden eram demasiado inseguros para uma audição que se queria pia. Os Petra não eram tão pesados mas os Stryper, quando descobertos, encheram-me as medidas. Era pouco o que chegava cá mas o suficiente para me marcar a mim e aos meus amigos da Igreja Baptista de Queluz: One Bad Big, quando o punk nos piscou o olho; The Crucified, quando nos tornámos mais hardcore; Bob Dylan (na fase evangélica) quando a Faculdade nos exigia alguma erudição; e isto sem esquecer os clássicos que eram a Amy Grant e o Michael W. Smith, apropriadamente ostracizados pela nossa teenager necessidade de sons mais agressivos.

Por outro lado, a minha vaidade sempre me fez sentir superior aos rótulos seguros de uma música certinha para consumir. Era óbvio para mim que o cristão mais talentoso era aquele que era ouvido por não-cristãos. Play it safe sempre foi uma banhada para quem, como eu, queria ter jogo de choque. A verdadeira conquista é atingir quem está do outro lado, certo? As guerras ganham-se assim e, também por isso, nunca me interessou pregar para o côro ou receber o reconhecimento de quem já acredita no que acredito. A nossa editora, a FlorCaveira, foi construída nessa mistura complicada entre não querer negar as nossas raízes religiosas ao mesmo tempo que procurava os corações dos ímpios. Religião & Punk Rock, right? Johnny Cash uber alles, cantando sobre Jesus ao mesmo tempo que dava o middle finger aos guardas-prisionais de Folsom.

O que tem mudado então? Entre muitas coisas, muda-me o facto de ser pai de quatro miúdos que hoje vão dos 18 aos 12 anos. Getting to the point: quando és pai de quatro miúdos evangélicos, tendes a amá-los. Os meus miúdos são os miúdos evangélicos que menos vergonha tenho de amar e que me levaram à conclusão de que amar mais miúdos não-evangélicos do que miúdos evangélicos é uma estupidez do caraças. Na prática, era isso que durante anos fazia, perdido no meu narcisismo. E é agora para mim um credo: os artistas evangélicos são uns cagões da treta (pardon my french) porque ainda não assumiram a acepção de pessoas que fazem ao preferirem pessoas não-evangélicas sobre as evangélicas. Os artistas evangélicos são cidadãos em estado de negação, que não sabem lidar com as suas origens, que tendem a querer ignorar para conquistar as pessoas mais sofisticadas que são as não-evangélicas, e por isso é que tresandam a cobardia e se andam a “desconstruir” (como os saloios agora dizem).

Já estão a ver onde quero chegar: quero que os artistas evangélicos se rebentem todos nos seus diversos dilemas de auto-estima. É por eu seu um deles que falo com tanta paixão nisto. O que sei é que a arte que será verdadeiramente eterna é aquela que, por ser fruto do verbo divino, declara Cristo. Por isso, e por muito subtilmente sofisticada que possa ser uma música que alude sem escarrapachar na nossa cara uma mensagem evangélica directa (como tanto tento fazer), é que, das duas, uma: se ela não estiver firme no “fiat” original, será desfeita. Deal with it.

Pior do que ser um artista evangélico, é ser um não-assumido. Este é um assunto que não dá para elaborações simples e bonitinhas. Temos de encarar que é um negócio quebrado. Se nos Estados Unidos já sabemos topar à légua a mania que os artistas evangélicos não-assumidos têm, vinda desses conflitos internos que os entopem em angústias infantis, no Brasil também já nos estamos a habituar (os artistas evangélicos andam a descobrir aos trinta anos causas que vaporosamente os devem redimir como a “brasilidade”—céus! Quem quer saber de brasilidade? O Brasil em si já chega!). Em Portugal, ainda somos demasiado insignificantes para merecer alguma real atenção mas a tentação para nos armarmos em profissionais da aflição artística já cá mora. É preciso ter cuidado.

Enfim, dei uma grande volta para expurgar os meus próprio vícios… O que me anima aos 44 anos é chegar a um ponto onde já deveria ter chegado há muito: não ter vergonha da minha fé e assumi-la. E se ela não cair bem aos miúdos não-evangélicos que durante décadas preferi aos evangélicos? Azar o deles. Hoje, graças aos meus filhos, sei que qualquer geração de hipsters passa (os meus filhos são totalmente indiferentes aos críticos musicais que durante anos quis convencer). A vantagem de ser um has-been artístico, como sou, é que quem é esquecido já está mais no futuro do que aquele que é lembrado. Seremos todos poeira na terra, já dizia o Tom Waits. Se algum dos nossos refrões louvando Cristo chegar às bocas futuras, aí sim: teremos conseguido alguma arte.

Eu, músico evangélico que faz uma música que não é bem evangélica, assumo-me: venha daí um álbum novo que meta medo ao Diabo (e aos filhos dele). Que invoque o Deus trino com a religião e punk rock que ao longo dos anos tem sido a casa da FlorCaveira. Se sentirem o som, tanto melhor. Se não, paciência. O louvor, finalmente começo a ver, não será para mim, de qualquer modo. See ya in the pit!



sexta-feira, fevereiro 11, 2022

Ouvir

O sermão de Domingo passado, chamado "Contas Certas", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

quarta-feira, fevereiro 09, 2022

Os cristãos são malucos

terça-feira, fevereiro 01, 2022

KEEP PROTESTANTISM POPULAR

Se a vergonha pelos exageros evangélicos for superior à admiração pela diversidade que a Reforma conquistou, acabarás Católico (ainda que inconscientemente). O que é bom porque esta aventura não se fez para uns se sentirem mais espirituais que outros (para isso havia o clero).

sexta-feira, janeiro 28, 2022

Nova canção dos Lacraus


Em 2019 escrevi esta canção para a Ana Rute. A versão original era diferente, mais punk. Mas atrás dela estava este som de fé, de confiança no Verão que virá para dar vida a mortos (que era como me sentia na altura). Os Lacraus colocaram-na no nível certo. Espero que gostem.

Ouvir


O sermão de Domingo passado, chamado "Cristo e a guerra dos sexos", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

quarta-feira, janeiro 26, 2022

O mal resolvido confessa-se

Até começar a escrever regularmente no Observador desconhecia a regra que os colunistas mais sensatos têm de, obviamente, não lerem as caixas de comentários. Agora percebo. Ler a caixa de comentários é para articulistas inseguros e que buscam o consolo infantil da unanimidade. Admito que caí na esparrela nos dois primeiros textos, voltei a ela quando a publicação do “Como Maltratar Brasileiros” arrebitou impropérios e, por causa de um problema técnico que impediu os comentários nos dois últimos Domingos, li uns quantos da semana passada. Fui recordado que, com honrosas excepções, as caixas de comentários são um contributo incrível para continuarmos a acreditar que o Inferno não somente existe, como é o destino espiritual estatisticamente mais provável da humanidade.

Mais do que uma pessoa na caixa de comentários me chamava “mal resolvido”. Tomo “mal resolvido” como das frases mais razoáveis que podem ser ditas acerca de mim. E sou levado a estranhar que seja usada como acusação. Que tipo de qualidade existe e me escapa em a pessoa ser bem resolvida? Será que ser bem resolvido significa ter-se a si mesmo como o assunto essencialmente tratado? Quem é que vive bem com a ideia de ser um assunto solucionado, céus?! O que faz a pessoa bem resolvida, por Toutatis?! Passa para a próxima, como se o mundo fosse uma linha de montagem de resoluções sucessivas? Em que universo vivem as pessoas bem resolvidas e como é que ainda não me tornei numa delas?

Curiosamente, li que era mal resolvido depois do texto que escrevi contra a fornicação. Pela lógica do argumento, fico com a ideia de que a fornicar nos vamos resolvendo, um conceito igualmente surpreendente. Imagino então uma convicção de que a cópula livre providenciará o tipo de discernimento que conquista nas pessoas graus concretos de auto-segurança. Isso explicaria muita coisa, de facto. Tenho de conceber a possibilidade de grande parte das minhas angústias nascer da ausência de fornicação que tive nestes 44 anos. Fosse eu um fornicador e, não só me resolveria, como, presumo, estaria numa posição de melhor resolver também o mundo à minha volta. Extraordinárias, as potencialidades de um leito sem limites!

Creio que ser bem resolvido possa ser hoje uma espécie de substituição não-religiosa da antiga absolvição. Como já não haverá pecados para serem perdoados, pelo facto de a fornicação, por exemplo, ter passado de impiedade a iluminação, a pessoa bem resolvida é a pessoa a quem o mal já não faz estragos. O cidadão bem resolvido está, fundamentalmente, livre. Livre para ser. Livre de transgressões e tribulações. O futuro é uma estrada larga e recta em que o bem resolvido não hesita e nem sequer precisa de abrandar nas velhas estações de serviço da culpa. Ser bem resolvido será um tipo de tanque permanentemente cheio com direito a via verde, parece-me. Saiam da frente que vai passar um bem resolvido!

Se bem resolvido significa ser determinado, sólido, por outro lado, na palavra resolução também existe a ideia de algo que se dissolve. Nessa medida, a resolução é absorvida por alguma coisa maior, onde foi colocada. Belíssimo paradoxo este de firmeza e fragmentação. E um dilema aparece para qualquer pessoa que queira ser realmente resolvida—como distinguimos o momento de resistirmos, na forma que temos, e o de nos deixarmos derreter numa verdade superior? Julgo que os meus acusadores não estavam propriamente na segunda modalidade, ponderando estar em causa algo maior do que a certeza da sua experiência. Acalenta-me a esperança de que os mal resolvidos permaneçam, pelo menos, abertos à fecundidade que possa haver além da fornicação.

terça-feira, janeiro 25, 2022

Homens e mulheres são igualmente maus

terça-feira, janeiro 18, 2022

Na IPP TV


A TV da Igreja Presbiteriana de Pinheiros voltou a ter a generosidade de me convidar para conversar (a partir dos 27 minutos). O assunto era recomeçar.

sábado, janeiro 15, 2022

Ouvir


O sermão de Domingo passado, chamado "Confusão cura-se com confissão", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

sexta-feira, janeiro 14, 2022

Desta vez não vou dar desculpas