sexta-feira, abril 16, 2021

Aquela preparação para o sermão...

Tendo em conta que em Filipos muita gente tinha dedicado a vida ao poder do Imperador Romano, cabia aos cristãos denunciar que as grandes conquistas que dividem as pessoas entre vencedores e vencidos não valem nada diante da cruz de Cristo.

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O sermão de Domingo passado, chamado "Se não morres pelo mal dos outros, não os amas", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

quinta-feira, abril 15, 2021

Aquecendo para Domingo

"A ordem de os outros virem antes de nós só faz sentido para quem naturalmente não age assim, e a Bíblia, usando o exemplo do próprio Paulo, não acredita em pessoas que naturalmente colocam os interesses dos outros primeiro." Aquela preparação para o sermão em Filipenses 2:3-4...

"Odeio Artistas" com Ana Rute Cavaco


Já é de esperar que no final de uma temporada de uma série se tente que o último episódio tenha uma emoção especial. O “Odeio Artistas” não é televisão mas, neste caso, também procurou um auge ao terminar esta primeira estação. É com a Ana Rute, a minha mulher, como convidada, que o faço.

Não tenho muita muita experiência com podcasts mas, de facto, nunca ouvi num uma conversa de um marido com a sua esposa. Ei-la aqui. Espero que gostem. Conversámos sobre casar virgens (como evitaríamos o assunto?), sobre crises no casamento,  sobre o dilema de mostrar na internet muito ou nada da nossa vida, entre outras coisas.

Por ser a minha mulher, compreenderão que não me estique muito em elogios. Ouçam-lhe a voz porque, no meu caso, deixei de saber existir sem ela.

quarta-feira, abril 14, 2021

Um cântico

Que fiz em 2011 para uma mixtape da Igreja Baptista de São Domingos de Benfica.

terça-feira, abril 13, 2021

O programa da TV

Já podem ver aqui a conversa que tive com a Anabela Mota Ribeiro para o programa "Filhos da Madrugada" da RTP3. Este é o link: https://www.rtp.pt/play/p8721/e536603/os-filhos-da-madrugada

segunda-feira, abril 12, 2021

És amado quando o teu mal é um facto

sexta-feira, abril 09, 2021

MICHAEL SCOTT E DWIGHT SCHRUTE

“Michael Scott e Dwight Schrute” não chega a ser a minha canção nova. Não sou eu a fazer uma canção; é mais eu a fazer questão. A fazer questão de mostrar que, tendo toda a Família Cavaco visto o “The Office” com muitos anos de atraso, o coração de todos atempadamente ficou arrasado. Quase-canção, quase-paráfrase, quase-poema e devoção completa. 

quinta-feira, abril 08, 2021

Prateleira

Quando arrumas uma biblioteca protestante há sempre mais um comentário a Romanos que te escapou de ser arrumado. Pena que os países culturalmente romanos nem sequer percebam a piada...

quarta-feira, abril 07, 2021

Ninguém nasce pronto para aceitar a ressurreição

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O sermão de Domingo passado, chamado "Reagir à Ressurreição não é estar pronto para ela", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

sexta-feira, abril 02, 2021

Uau

quinta-feira, abril 01, 2021

"Odeio Artistas" com Joana Amaral Dias


Um pastor e uma psicóloga entram num bar. Neste caso não é num bar mas é numa conversa online. Falam acerca daquele que é provavelmente o maior problema de sempre: o mal. Há mal ou não há? É apenas uma ideia da nossa cabeça ou vai mesmo além dela? O pretexto para a conversa do pastor e da psicóloga é um conjuntos de contos hediondos, verdadeiros, de assassínios quase indescritíveis. Todos eles acontecidos em Portugal.

A Joana Amaral Dias é um rosto cada vez menos desconhecido. O que talvez não fosse previsível é que o emprestasse a “Psicopatas Portugueses”, um livro de sucesso tornado podcast de sucesso também. Amantes do horror, confessem-se: quem consegue parar a audição destas histórias uma vez carregado o play? Não só não consegui como procurei a oportunidade de falar com a Joana sobre todo este tenebroso desfile.

Em comum com muitos dos assassinos em causa, partilho um mundo que crê em trevas, anjos, demónios, e outros apocalipses. Por isso, a dada altura, senti a necessidade de perguntar à Joana se poderia ainda dar em psicopata. Por muito científica que queira ser a psicologia, parece-me  que a certeza dessa resposta fica sempre além de nós.

A Joana Amaral Dias mistura psicologia médica, activismo político e, sobretudo nos últimos tempos, até algum cultivo pelo furo do consenso, numa época naturalmente ansiosa em encontrar na ciência a cura imediata para a pandemia global que vivemos. Por causa disso, a Joana é uma voz que se sente livre numa época de gente presa às unanimidades mais temerosas. Ganho em ouvi-la e, diria, que vocês também (vejam aqui no YouTube ou no Spotify).

quarta-feira, março 31, 2021

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O sermão de Domingo passado, que pergunta "Onde está a Lapa no mapa?", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

segunda-feira, março 29, 2021

Porque Jesus não fugiu do pior cansaço


Podemos sempre trabalhar melhor.

quinta-feira, março 18, 2021

A live louca

A live louca de ontem com Yago pode ser vista aqui, meu povo! (Sim, reconheço que em vários momentos a acção na caixa de comentários tem ainda mais graça do que a conversa...)

"Odeio Artistas" com Bruno Vieira Amaral

 Eu não sou da família do Bruno Vieira Amaral. Mas sempre que ouço ou leio alguma coisa dele, sinto que sou quase. Não há muitos Baptistas em Portugal e quando és um deles é provável que tenhas amigos no Vale da Amoreira. E o Vale da Amoreira é único no país e tornou-se através da escrita do Bruno um dos nossos lugares literários mais inesquecíveis no primeiro romance que escreveu, “As Primeiras Coisas” (transformado por ele em “Bairro Amélia”).

Temos mais geografia em comum: o Porto e a Igreja da Esperança (actualmente Ministério Cristão Internacional) do final dos anos 90, onde o Bruno tinha tios e eu tinha a minha irmã mais velha. Apesar de agnóstico, ele, que cresceu nas Testemunhas de Jeová, passou bons tempos naquele ambiente evangélico aceso e acolhedor. Gerou-se um consenso pouco inteligente em esperar que não-crentes que tenham sido educados por crentes vivam ressentidos—o Bruno tem outra atitude sobre o assunto.

E depois há o modo sincero e sem sentimentalismos como o Bruno encara o seu papel como pai e como filho. Neste programa, passámos a primeira meia-hora a falar acerca das culpas que arrastamos e inadvertidamente lançamos aos nossos miúdos quando lidamos com eles. A determinada altura, o Bruno aponta a carga irónica e insuportável das expectativas desmesuradas de uma “parentalidade” consciente e obrigatória: “se tiras Deus da equação, tens de controlar tudo: a tua saúde, a tua família. Se estudares a fundo o mecanismo das coisas, [procurando] uma profissionalização de todas as esferas da vida, tu vais conseguir dominar todos os aspectos da vida”. Funciona como uma maldição, de facto.

São quase duas horas de conversa com um dos nossos melhores escritores, crescido às voltas com a religião e os subúrbios, com estar dentro e estar fora. Ouçam-na em qualquer plataforma digital!

terça-feira, março 16, 2021

Home Beyond Europe (the original and raw version)

I would frame the issue of “Why is sharing the gospel so hard in Europe today?” largely in terms of two categories: time and space. But even before that, let us go to the subject facing it like the word-obsessed Christians we are (or, at least, we should be). Reality can become real for us not because we have our eyes open but because we have our Bibles open: we need revelation to get real. As it is revealed to us in Scripture, sharing the gospel is always hard, independent of the century or the country we live in, because we love darkness (John 3:19)—we resist Jesus not so much because crucial information is lacking (and that can be the case) but because love for him is. Being lost or found is always connected with love: in the first case we chose to love other things in the place of Jesus; in the latter we are given to love him above everything else. Why is sharing the gospel so hard in Europe today? Because the Bible tells me so. But “Jesus loves me, this I know, for the Bible tells me so”—so we have work to do in order to get other people to sing this song as well

If we take stock of who we are outside the gospel, we won’t be needing it for anything else. Without trusting the Bible’s message, our need for God becomes completely subjective—if God existing/not existing works for you, go for it! I suspect that it would be helpful to understand what it means for so many people to not need God. We have to grasp the necessity of addressing something that people no longer see as necessary. How do we preach a message of salvation if we have lost the ability of feeling lost? We have been saving ourselves from the need of salvation, wrote Tim Keller in “How To Reach The West Again”, and he is right.

Let’s try to go deeper using the two categories of time and space. Being in time and space is simply about being human. God became man in Jesus, coming to a specific time and a specific space. Appreciating incarnation should always make us sensible to time and space. When Christians fall into the temptation of not caring enough about the season we live in and the room we take while doing that, we make Jesus’ coming in flesh and bone just a detail. And Jesus coming in flesh and bone was not just a detail but what made him able to do what no one before or after him could do. God in time and space should promote not only God’s importance but time and space’s as well.

Well, it is hard sharing the gospel in Europe because the gospel sounds simultaneously too old and too new. Let me try to explain.

For many in Europe, the good news of the gospel is seen as an old and oppressive structure of an ancient time. People feel lucky because they are no longer in a world where religion claims so much about their identity. So, a sort of cognitive dissonance happens: the good news some Christians think they are sharing is the old one that other people congratulate themselves that they got rid of. Europe may have been Christian, alright, but it is the fact that it is no longer Christian that tends to be celebrated most here. Christians strive to present Christianity as a present festivity to a bunch of people who are confident that a past funeral has already taken place.

At the same time, the good news of the gospel is seen as too new as well. In countries like Portugal, Christianity is being noticed as something brought by immigrants coming from the Global South (generally Latin America and Brazil in particular). In that sense, this fresh expression of faith looks recent, foreign and even exotic—people coming from the Global South can still feel excited about Christianity because they are inexperienced in it, we think, although we may not admit it. They are still to find out its worst outcomes and that only reinforces our cynicism, the unofficial companion we rely on. Europe knows all too well that Christianity is not trustworthy in the long haul. We have been playing that game for two millennia.

So, it looks like Christianity can be rejected because it fits too well with what was wrong about Europe’s past, and because Europeans do not fit within with this new future coming from outside our Continent. Sometimes, in Europe time and history is all we have.

Then, there is the specific aspect of space in Europe. To make it more tangible, I will compare Europe with the United States of America, as our biggest counterpart in Western Culture (this means I will be drawing broad simplifications). In terms of time, European Western Culture tends to feel old and haunted by the past and American Western Culture tends to feel young and idealistic about the future—the first believe too less and the latter believes too much. Thinking now spatially, I would suggest that for Americans to comprehend some of the complexities of space in Europe, they would need to spend a couple of centuries more having a hard time with Russia to become more aware of layers of old animosities (but even that would not be persuasive due to the geographical distance). In European History, the Portuguese would hate the Spanish, the French would hate the British and everyone would hate the Germans. Old animosities make our territories complex cradles of resentment where no one is just the content they are preaching. In Europe I would say we have a harder time listening to someone without chaining the speaker to the place from which he comes from. In America the place that claims your identity is less where you were born, but more where you want to get—it is a culture still on the move.

Our difficulties with Americans are especially deep because, in a way, the United States of America is a kind a European reboot experience that surprisingly has succeeded for several centuries already (at least, let’s hope). To make things more complicated to us here in Europe, Western Evangelical Christianity is, at least in people’s minds, mostly tied with the USA—Americans afford the luxury of facing religion without the skeletons that fill our closets. So, no American is given a neutral hearing when sharing the gospel in Europe. And no European is given a neutral hearing when sharing the gospel if he is going to sound American. Places matter a lot in Europe in different ways that they would matter outside.

And then, we have different Europes coming from the fact that we are facing all these subjects as Protestant Christians. If you come from the Northern European countries that to a large extent were built by the Reformation, you may feel weak going up against the grain of that society which is now more secularized. If you come from the Southern European countries, which were never influenced by the Reformation, you tend to constantly go against the grain, not caring that much about your surrounding culture. Some will feel tempted to only conform while others only want to confront.

What is the masterplan then to share the gospel in Europe? To have it would probably make me rich in America and simplistic in my own country, Portugal. Believing that things will work out fine sounds like a foreign language that Portuguese people cannot understand. I get some consolation from the fact that Jesus came in time and space, which makes me value my own culture, I guess. But I get even bigger consolation from the fact that he called me to be someone when this time and this space are no longer. The gospel is also about how Europeans will get to be for real when reality dispenses with Europe—receiving Christ will be the best way of finding the home we have beyond Europe.



Um cristão que não se confunde também não convence

quinta-feira, março 04, 2021

"Odeio Artistas" com Adelaide Sousa Richardson


A convidada deste episódio do “Odeio Artistas” é a Adelaide de Sousa Richardson. Quem passou a juventude nos anos 90 em Portugal lembra-se de um rosto ruivo da SIC que em pouco tempo passou de assistente em programas dedicados ao jetset a actriz de cinema. Carreira fulgurante, como se costuma dizer.

Na dobragem do milénio, a Adelaide, que gosta de se dedicar seriamente a tudo, vai tirar um curso de representação a Nova Iorque (que outra cidade ensina tão eficazmente a podermos ser quem queremos?). Enquanto trabalha num restaurante para pocket money e people watching (ignorava esta designação mas já a pratico há décadas), conhece um galã americano que lhe descompõe a rotina em dois passos: nos bolsos traz cartões de multibanco que não funcionam na hora de pagar a conta, e nos lábios traz Jesus Cristo para a conversa nos piores momentos. Meet Tracy Richardson.

A Adelaide que regressa a Portugal vem estranha e, aparentemente, aderida aos “evangélicos”, cujo testemunho recente na comunicação social se limitava aos ímpetos purificadores da cantora Nucha (não acabaram bem… Pray For Nucha!). Toda esta história não é comum e, definitivamente, dificulta a nossa tendência de esperar pouco das palavras de estrelas de TV e de esperar muito de triunfos públicos. Nesta conversa, que é sobretudo uma história de vida, a arte é a da sinceridade—que não nos suscita ódio algum. Ouçam! E com a vantagem de, no Youtube, o poderem fazer com imagem.

terça-feira, março 02, 2021

Acho sempre estranho quando elogiam a sabedoria de Jesus

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O sermão de Domingo passado, chamado "O amor é esperar por Jesus e dar no duro", pode ser ouvido aqui e no Spotify.

sexta-feira, fevereiro 26, 2021

Faço das Ruínas Recreios—Os Lacraus

quinta-feira, fevereiro 25, 2021

A live com o Bibo e com a Carol Bazzo

 Pode ser vista aqui!

sexta-feira, fevereiro 19, 2021

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O sermão de Domingo passado, chamado "O Apocalipse não quer dar-te pancada mas paz", pode ser ouvido aqui.

quinta-feira, fevereiro 18, 2021

"Odeio Artistas" com João Miguel Tavares

Há uns anos estive com o João Miguel Tavares no programa do Goucha a falar sobre ser pai de quatro filhos. Depois dessa entrevista divertida, feita pela Cristina Ferreira (podem encontrá-la no YouTube), eu e o João acabámos a discutir religião no parque de estacionamento. Já nos conhecemos há umas décadas porque fizemos o mesmo curso de Ciências da Comunicação na Nova, onde o João tinha uma certa aura de menino prodígio. Não foi, por isso, de estranhar, quando ganhou notoriedade na imprensa nos últimos vinte anos.

Eu e o João é também a amizade da Família Cavaco com a Família Tavares. É uma história que tem crescido e que justifica que, ao pensar em fazer um podcast, pensasse necessariamente no João. As nossas conversas privadas tornaram-se combustível para esta conversa mais pública, mas diria que vai além disso. Há muita coisa que ando a conversar em 2021, a pensar em 2021, a escrever em 2021 que é também a continuação daquela conversa com o João no parque de estacionamento da TVI.

O episódio do “Odeio Artistas” de hoje, com o João Miguel Tavares, tem essa intensidade de quem é apanhado a discutir coisas que sente como as mais importantes, aquelas que servem de princípios sobre os quais apostamos a nossa vida toda. São duas horas de encontro aceso, tantas vezes em discórdia, sempre muito sincero. Cristianismo, Faculdade, artistas malditos amados por nós como o João César Monteiro, o discurso que fez no 10 de Junho convidado pelo Presidente da República, e por aí fora. Caramba! Duas horas sempre a ferver—grande João!

Podem ouvir o episódio no YouTube, no Spotify ou nas outras plataformas digitais.

segunda-feira, fevereiro 15, 2021

Sofrimentos diminuídos

quarta-feira, fevereiro 10, 2021

A santidade não é romântica

Coffee Talk

segunda-feira, fevereiro 08, 2021

"Sinal da Cruz Invertida" dos Punhais


A nova canção dos Punhais chama-se “Sinal da Cruz Invertida” e lembra como é fácil passar da devoção para a desgraça. Às guitarras nineties somam-se os sintetizadores eighties para, com um embalo que tanto pode ser pop punk como pode ser The Cure, exorcizar a presença de um anjo que inesperadamente se revelou verdadeira bruxa. Ninguém deseja que a sua história de amor seja tornada filme de terror mas que mais emoção daí pode vir, é facto. Emoção, emo, emo.

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 O sermão de ontem, chamado "Uma Vida Sem Estrilho", pode ser ouvido aqui (e no Spotify).

quinta-feira, fevereiro 04, 2021

"Odeio Artistas" com Jacinto Lucas Pires

Há tanto que me irrita nesta moda dos podcasts… Mas, por outro lado, há algo que não tinha pensado que podia ser bom: ter uma conversa e depois ouvi-la. Acho que crescemos todos a acorrentar as conversas à espontaneidade com que elas se dão, não pensando que pode haver algo que resista e que, por causa disso, justifique que possam ser visitadas novamente. Será que até ao podcast pensaríamos nisso? É certo que já havia conversas registadas em escrita e em imagem mas esta nova vida delas, trazida pelos podcasts, tem alguns méritos, parece-me.

A conversa que tive com o Jacinto Lucas Pires foi daquelas que estava mais apreensivo a ouvir novamente, confesso. Foi gravada há alguns meses, no fim do Verão, e alguns dos assuntos que impõem mais emoção pareciam agora destinados ao equívoco. Falo da política americana, ali comentada antes das eleições, comigo a admitir que, sendo o meu caminho mais à direita e o do Jacinto mais à esquerda, provavelmente votaria Trump se fosse americano. Faço por ser cauteloso nestas coisas do voto, até porque tenho uma responsabilidade de liderar uma comunidade religiosa: não quero relativizar as consequências ideológicas da nossa cidadania cristã mas também preciso de dar espaço à liberdade de consciência de cada um.

O Jacinto foi o amigo perfeito para lidar com estes dilemas que, enquanto cristão, encaro, até porque se notou nele algum sobressalto sincero. Acho que não exagero muito quando digo que vivemos um clima que lança vergonha sobre quem não se comporta de acordo com a divisão de tudo entre bons e maus. No entanto, os amigos são quem está connosco quando nem nós sabemos estar—um dilema também não é isso? O Jacinto, que é um homem de artes muitas, do texto escrito, ao encenado, passando pelo cantado, ouviu-me, caramba!, até quando ficou meio maluco comigo. Tenho grande alegria nesta conversa porque, até quando discutia vivamente com o meu amigo Jacinto, fui ouvido por ele. Ouçam o episódio de hoje do “Odeio Artistas” e viva o milagre de nos ouvirmos uns aos outros!

quarta-feira, fevereiro 03, 2021

O sermão, arte da insegurança

Vivo para me render ao texto. Um dos privilégio de ser pregador, quando preparo um sermão, é, diante de uma floresta brava que um texto pode ser, ameaçando-me na necessidade de trazer comigo exegeses, hermenêuticas e epistemologias várias, topar um caminho. Pode ser um caminho claro ao ponto de ser um trilho já usado por outros e, noutras ocasiões, pode resumir-se a ter de avançar passo a passo, abrindo tudo à catanada (geralmente é quando um pregador corre mais riscos, por se ver na posição de atravessar o que julga que nunca foi atravessado). Por exemplo, ando de volta do quarto capítulo da Primeira Carta de Paulo aos Tessalonicenses. Paulo está a dizer àquele povo que tem de continuar atinado, sendo santo e sem dormir com quem não deve. E, de repente, lendo um comentário bíblico, encontro um sentido para santidade que até hoje nunca se tinha feito tão claro.

Como pregador cabe-me pegar em ideias que podem nem sempre parecer simples e torná-las assim na exposição do texto bíblico. Por exemplo, sob uma perspectiva puramente literária, Paulo não é o escritor mais acessível. Agora calculem a tarefa de alguém que, ao lê-lo, crê que ele estava inspirado por Deus quando escrevia as suas cartas e que, por isso, entendê-lo não é um luxo de quem se arma em rato de biblioteca mas uma necessidade—necessidade essa ao ponto de poder distinguir o que é ter a sua alma de não ter. Como simplifico um conceito de santidade que Paulo desenvolve numa mesma frase que dura quatro versículos? Pois, aí está parte da arte e da artimanha de pregar o Evangelho.

Eis a minha tentativa, que planeio dizer publicamente quando pregar o sermão de próximo Domingo na Lapa: ser santo é ter uma vida que pertence a Deus. Quando sou santo, não me tenho—Deus tem-me. Ser santo é não se ser dono de si e isso não ser mau. Por oposição, não ser santo é ser inquilino de mim próprio e isso ser mau. Geralmente não ser santo vê-se no modo como o nosso apetite sexual nos cobra a renda. A obsessão dos cristãos com o apetite sexual limita-se ao facto de sermos criaturas que, sem ele, não existiam. No dia em que existirem pessoas sem ser através do uso do sexo, não existirá a necessidade de os cristão chatearem ninguém por causa dele. Todavia, enquanto o sexo estiver relacionado com a nossa existência, a qualidade dela dependerá de como o usamos a ele. Não me parece assim tão absurdo aceitar esta relação entre sexo e existência.

No final, já estou a extrapolar um pouco, tomando a apresentação da tese sensível a hipotéticos argumentos contra ela. Qualquer pregador prega à Dom Quixote, imaginando previamente os moinhos de vento que podem levantar-se contra ele. A minha tarefa tem de ser o equilíbrio entre o que o texto diz e o que, como Pastor, devo dizer à congregação a partir dele. Não há receitas perfeitas. Claro que há princípios. Mas não vale a pena julgar que a pregação de um sermão é uma arte segura. No dia em que a segurança caracterizar o sermão, ele morreu. O pessoal agora diz “stay safe” mas os Cramps acertavam mais quando diziam, ainda que com alguma indecência à mistura, “stay sick”.

terça-feira, fevereiro 02, 2021

How is the European mindset weakening our understanding of the gospel?

sexta-feira, janeiro 29, 2021

Cheguei hoje a uma certeza sobre tudo na minha vida

Se não puder ser mal entendido, não me interessa que gastem tempo comigo. Claro que esta conclusão está completamente dependente do facto de ser cristão. Posto isto, vou continuar a ouvir os blink 182.

quarta-feira, janeiro 27, 2021

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O sermão de Domingo passado, chamado "Ser Inclusivo Pede Coragem E Não Condescendência", pode ser ouvido aqui (e no Spotify).

terça-feira, janeiro 26, 2021

Manter os maus longe de nós é uma tragédia

quinta-feira, janeiro 21, 2021

Ricardo Araújo Pereira no "Odeio Artistas

Conheci o Ricardo Araújo Pereira por volta de 2003, creio. Houve um encontro no Teatro S. Luiz chamado “É a Cultura, Estúpido” e o pessoal dos blogues estava todo lá. Os blogues eram uma sensação meio subterrânea naquele tempo e, de cada vez que havia um pretexto para os bloggers se conhecerem, havia uma genuína excitação ainda que com a possibilidade de algum espírito de auto-congratulação à mistura. Lembro-me que nesse dia aproveitei para dizer ao Ricardo que o sketch “A Minha Vida Dava Um Filme Indiano”, que tinham feito no programa de TV “Perfeito Anormal”, era muito bom mesmo.

Em poucos anos o Ricardo e os Gato Fedorento crescerem para se tornarem as pessoas mais engraçadas de Portugal, com um impacto só comparável ao do Herman José décadas antes. Em particular o Ricardo, é provavelmente das pessoas mais merecidamente populares de Portugal. Eu, que “Odeio Artistas”, devo confessar que todos os excessos laudatórios me parecem justificados em relação ao Ricardo. Acho mesmo que ele é o maior artista português vivo, independentemente da piadinha fácil de ele ser muito alto (que não consegui evitar no podcast).

Na minha tese, o Ricardo Araújo Pereira é um artista inesperadamente protestante num país católico. A obsessão dele pela palavra explica que, da piada ao texto, tudo nele seja marcado por uma paixão pelos mundos mais inesperados que podem existir quando é o verbo que vai à frente. É verdade que a linguagem física dele é incrível mas diria que o triunfo maior é o do texto, colocado em jogo com uma exuberância muito rara por aqui.

Foi a primeira vez que me senti nervoso a gravar o podcast. Afinal, sendo muito fã e não tendo estado assim tantas vezes com o Ricardo, dei por mim a acusar pressão. Acho que se vai notar volta e meia que exagerei a tentar ser esperto e que não queria que a conversa acabasse, deslumbrado que estava. A grande razão para isso é que nos últimos anos os nossos miúdos descobriram o Gato Fedorento e, como eu, ficaram amarrados no Ricardo. Uma memória preciosa para mim é, quando estivemos nos Estados Unidos, assistirmos em família a alguns sketches no YouTube e chorarmos até às lágrimas. Esse choro era único porque se fazia de alegria e de tristeza por, estando longe de Portugal, nos desforrarmos lembrando que as palavras da nossa língua são o melhor país que alguma vez poderemos ter.

(Pode ser ouvido aqui no YouTube ou em qualquer outra plataforma digital.)