terça-feira, setembro 27, 2022

Carlitos e Nana

Acabar bem, eis algo que a Bíblia elogia várias vezes. Talvez as duas que me impressionem mais sejam quando, na Parábola dos Talentos, o senhor diz a dois dos seus servos: “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mateus 25:21, 23), e na Segunda Carta que Paulo escreve a Timóteo, toda ela num tom algo sombrio, o apóstolo confessa: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”. É o meu sonho acabar assim—não é o de todos?

Talvez por estes serem tempos em que comunicar é tão fácil, é grande a tentação de os pastores projectarem os seus ministérios como se o maior reconhecimento público fosse o fim quando, na verdade, ainda vamos a meio. Ou seja, por muito agradável que seja as pessoas apreciarem-nos enquanto o pastorado segue viçoso, o maior desafio é chegarmos à sua conclusão sem termos estoirado tudo. Creio que posso dizer que sei do que falo porque tenho tido oportunidades incomuns de grandes montras para o meu ministério. O que precisamos mais não é de reconhecimento mas que orem para chegarmos ao fim em condições.

Por tudo isto, assistir ao fim do pastorado de alguém em estado de bênção é excepcional. E foi isso que aconteceu neste Domingo que passou, com a passagem da presidência do pastorado da Igreja Cristã Manancial de Águas Vivas do Pastor Carlitos Cardoso para o Pastor Henrique Pereira. A rigor, o Carlitos, não tendo terminado a carreira, encerrou a fase importantíssima de presidir aquela equipa pastoral. Nessa medida, o momento de ontem serviu de amostra de uma meta que todos os pastores querem cruzar. Ontem, tive uma inveja santa do Carlitos—quero um dia chegar onde ele já chegou.

A amizade do Carlitos é uma dádiva com menos de uma década. Não nos encontramos tanto como gostava mas cada vez com ele dá-me um depósito durável de alegria e de frases que lhe ouço e passo a repetir. É um cliché entre pessoas que conhecem o Carlitos que confirmo: é impossível estar mal-disposto ao lado dele. E neste humor constante dele (que arrisca onde eu e a maioria não somos capazes de arriscar) encontro uma virtude mais rara que é, num universo pastoral em que parecer sério pode passar por ser santo, o jeito que o Carlitos tem de se assumir o pior dos pastores torna-se uma rejeição corajosa desse jogo de disfarces solenes. Mais ainda: é um gesto puramente Paulino de se colocar fora dos campeonatos típicos dos auto-proclamados super-apóstolos.

O Carlitos não existe num vácuo e a sua Igreja é a prova. A ICMAV tem um impacto que vai muito além daqueles que a ela pertencem. A Família Cavaco sabe disso, também graças ao trabalho extraordinário da Associação de Beneficência Luso-Alemã na escola que providenciou ao longo de décadas para tantas crianças da zona da linha de Cascais (como as nossas quatro). Daí que a festa de ontem não fosse apenas a afirmação de um pastorado mas de toda a comunidade dirigida por ele. Numa época em que é fácil colocar o foco em figuras isoladas, hiper-seguidas, interessa entender na cultura da igreja local o verdadeiro carácter de um Pastor.

Gosto muito desta fotografia. Eu, o Carlitos, a Nana e a Ana Rute. Sem a Nana o Carlitos não teria pastorado—as homenagens de ontem foram naturalmente também para ela. Sem as nossas esposas ao nosso lado, dedicadas ao serviço da Igreja como nós, não haveria maridos que permanecessem pastores. E a homenagem foi também para a restante família Cardoso. Quando a filha, Rute, testemunhou de como a fé do Pai Carlitos a levou à fé do Pai do Céu terão sido poucos a não responder com lágrimas. E depois o Mário Rui pregou um valente sermão acerca da importância da Igreja, como lugar da presença de Deus. A analogia é clássica e impõe-se: que grande banquete que foi!

Carlitos e Nana: Deus vos abençoe e recebam todo o amor da Família Cavaco e da Igreja da Lapa!



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O sermão de Domingo passado, chamado "A solução não fugir do sofrimento", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

quarta-feira, setembro 21, 2022

Goucha

Para quem pediu pelo link da entrevista no Goucha, pode assistir aqui ao programa na íntegra (a referência é à Joana Cruz, que foi entrevistada de seguida).

terça-feira, setembro 20, 2022

Jesus não se esquiva

terça-feira, setembro 13, 2022

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O sermão de Domingo passado, chamado "Melhor do que Jesus é impossível", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

Estar na pior não impede que Jesus seja o melhor

sexta-feira, setembro 09, 2022

Forças do Inferno


Karaoke No Mundo Das Trevas | Kim | Vídeo filmado pelo Joaquim Cavaco

quinta-feira, setembro 08, 2022

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Podem ouvir o sermão de Domingo passado, chamado "Hebreus, recados meus", aqui (ou no Spotify).

Gente que não é digna deste mundo

quarta-feira, agosto 17, 2022

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O sermão de Domingo passado, chamado "Deus vai arrasar a tua casa de férias", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

terça-feira, agosto 16, 2022

A ressurreição já é um produto testado

terça-feira, agosto 09, 2022

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O sermão de Domingo passado, chamado "Só a devoção nos dá frutos de Verão", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

segunda-feira, agosto 08, 2022

Como é que é possível?

segunda-feira, agosto 01, 2022

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O sermão da semana passada, chamado "Um Verão entregue à bicharada", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

quarta-feira, julho 27, 2022

Quando a humildade é pior do que o evangelho da prosperidade

quarta-feira, julho 20, 2022

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O sermão de Domingo passado, chamado "Esperas neve no Verão?", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

segunda-feira, julho 18, 2022

O privilégio cristão de assumir a nossa estupidez natural

sexta-feira, julho 15, 2022

Escolhe o que temes

A inteligência espiritual de temer Deus passa por saber que o amor dele tem uma dimensão de correcção. A pessoa que faz do amor de Deus uma suspensão de ser avaliada está tão enganada como a que não acredita nele.

quinta-feira, julho 14, 2022

Escolhe o que temes

Temer Deus não é termos medo dele, mas certamente envolve desconfiar da paz vinda de acreditarmos em nós mesmos.

quarta-feira, julho 13, 2022

Conversei com o Ricardo luz


Para o "Mais Liberdade".

terça-feira, julho 12, 2022

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O sermão de Domingo passado, chamado "Quando transpirar no Verão é glorioso", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

segunda-feira, julho 11, 2022

Quando um filho nos dá orgulho

segunda-feira, julho 04, 2022

Testes de Tédio (Verão 2022)


No país que mete mais de duzentos milhões de pessoas a falar português, o Yago Martins é um homem da rede conhecido por falar de Deus e outros assuntos leves. É ele a primeira voz do novo som dos Punhais, “Testes de Tédio”, agora numa versão mais speedada para as necessidades deste Verão de 2022. Ser chato é o pecado dos pecados e só leva areia para a praia quem não quiser juntar-se à verdade evidente deste refrão punk.

sexta-feira, junho 24, 2022

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O sermão de Domingo passado, chamado "A pior seca do Verão", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

Pessoas que sugam vida

terça-feira, junho 14, 2022

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O sermão de Domingo passado, chamado "Frutos de Verão", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

Cristo é o melhor sabor do Verão

sexta-feira, maio 20, 2022

Aninha-te no meu colo, gato


Fase felina a todo o vapor com os Punhais.

terça-feira, maio 17, 2022

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O sermão de Domingo passado, chamado "Roupa Rasgada", pode ser ouvido aqui (e no Spotify).

A decadência de usar calças rasgadas aos 40 anos

sexta-feira, maio 13, 2022

Tudo Bons Pastores 004


Oiçam três pastores a tentar não serem super-homens nem a glorificar a sua vulnerabilidade.

Man, eu sinto o Lamar

Mas à primeira audição do disco novo há um tom de catarse coletiva irritante. Há faixas em que o Kendrick julga estar a redimir um povo inteiro (ainda que tente dizer o contrário em “Savior”). Em “Damn” a força estava em ele pedir que orassem por ele; agora parece sentir-se na posição de interceder por todos nós. Bring back old kung-fu Kenny!

quinta-feira, maio 12, 2022

Usar palavras para te consolares na tua mulher

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O sermão de Domingo passado, chamado "Mulher, consolo ou castigo?", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify). 

sexta-feira, maio 06, 2022

Benzodiazepinas


A minha história com as benzodiazepinas dá um livro. Parte desse livro já existe no "Arame Farpado no Paraíso". Nenhuma droga te tira das trevas (só Jesus mesmo) mas pode ajudar. De lá para cá, tenho-me apercebido da multidão silenciosa que toma anti-depressivos, muitas vezes arrastando culpas e vergonhas nem sempre justificadas.

Como se fala de benzodiazepinas sem dramatizar mas também sem ignorar a dor que é parte do processo? Aconteceu, no meu caso, falar do assunto numa espécie de canção. É um poeminha a partir da alegria de voltar a ter um gato em casa, ao mesmo tempo que tenta animar quem luta para largar esta medicação num esquema de pergunta-resposta. Espero, acima de tudo, que sejam dois minutos com graça.

Privilégio especial de ter nesta canção a voz suave da kim, brasileira no Japão (onde o vídeo foi gravado!), e os meus rapazes, o CALEB, e o Jek, em estreia musical! Estou tão feliz por eles!

quinta-feira, maio 05, 2022

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O sermão de Domingo passado, chamado "Birras pelo Paraíso", pode ser ouvido aqui (ou no Spotify).

quarta-feira, maio 04, 2022

Os teus filhos são uns malcriadões

terça-feira, abril 26, 2022

Novo vídeo dos Punhais

Podem assistir ao 3º episódio do "Tudo Bons Pastores" aqui


Este episódio foi o melhor até agora.